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César Peixoto: «Pablo já não treinou hoje, desejamos-lhe a maior sorte»

1 jan, 16:37
César Peixoto no Gil Vicente-Moreirense (ESTELA SILVA/Lusa)
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Treinador do Gil Vicente comentou a saída do avançado para os ingleses do West Ham antes da receção ao Sporting, para a 17.ª jornada da Liga

César Peixoto, treinador do Gil Vicente, fez esta quinta-feira a antevisão à receção ao Sporting, marcada para sexta-feira, a contar para a 17.ª jornada da Liga. Em conferência de imprensa, o técnico gilista sublinhou a confiança da equipa depois de bater o recorde pontual do clube na Primeira Liga, analisou o adversário e abordou a situação de Pablo.

Recorde pontual dá confiança

«Foi importante para nós, é sempre uma marca que fica, deixa-nos confiantes, como é óbvio. Sabemos o caminho e o trabalho que estamos a fazer, mas também sabemos que, agora, o último jogo da primeira volta é contra uma grande equipa, uma boa equipa, uma equipa que está muito bem, com muito bons jogadores, que nos vai causar muitos problemas. É uma equipa que não pode perder pontos porque está na luta pelo título e está atrás, então tem que obrigatoriamente ganhar, à semelhança do que é jogar ou treinar numa equipa grande: é para ganhar todos os jogos. Por isso, sabemos que vai ser um jogo muito difícil, mas estaremos preparados. Não vamos abdicar da nossa ideia, do nosso caminho, do nosso trajeto, da nossa qualidade com bola e sem bola, e vamos tentar contrariar ao máximo um apoio fortíssimo. Mas também sabemos que temos capacidade para lutar pelos três pontos, seja contra quem for.»

Pablo é ausência para o Sporting

«Quanto ao Pablo, não sou eu quem vai anunciar este tipo de situações. O Pablo já não treinou hoje, as coisas estão com o clube, entre os clubes. O que tenho a dizer é que, enquanto equipa técnica, enquanto grupo, enquanto clube, ficamos muito orgulhosos se as coisas se concretizarem, porque é um miúdo que cresceu muito, cresceu aqui, faz parte do projeto, esta valorização dos jogadores. Enquadrei-me desde o primeiro dia no projeto Gil Vicente, que visa a valorização dos jogadores para depois gerarem mais-valias, seja dentro de campo, seja financeiramente. É importante, também, para este nível de clubes. Sabemos que é um jogador importante para nós, um jogador muito preponderante. Desejamos-lhe a maior sorte do mundo e acredito que vai ter um futuro risonho, porque ele cresceu muito e é um jogador humilde, que gosta de ouvir, de aprender, e, a cada dia, a cada treino, foi-se tornando melhor jogador. Temos de arranjar soluções cá dentro e depois ver o que o mercado nos dá. Mas, na verdade, não posso confirmar ainda a 100 por cento, porque as coisas estão entre os clubes.»

Pablo vai agarrar as oportunidades

«Eu acho que o Pablo é um jogador que se tornou muito completo. Primeiro, fisicamente, cresceu imenso, tem muito andamento para o que é a Primeira Liga, isso não tenho dúvidas. E depois, é um ponto de lança difícil de encontrar, porque ele consegue ser forte no apoio, consegue ser forte no ataque à profundidade e, defensivamente, trabalha muito para a equipa. Era o nosso primeiro defesa, era um jogador muito importante para nós nesse momento. Por isso, com 21 anos, já é um jogador muito completo e acho que tem muita margem para crescer. Se tiver as oportunidades certas, este miúdo, e esses miúdos que chegam, que precisam de crescer, foi o que fizemos com ele. Um miúdo que, há dois anos, estava no Paços de Ferreira, não era titular na Segunda Liga, e veio para cá no ano passado. Quando chegámos, tinha um golo, penso eu, e foi crescendo muito até agora. Acho que tem muita margem de crescimento. Agora, é preciso acreditar, é preciso confiar, é preciso trabalhar e dar confiança aos jovens, que é o que temos feito. Ele aproveitou as oportunidades e cresceu muito. Acredito que seja um jogador que, se lhe forem dadas as oportunidades certas, vai agarrá-las.»

Qualidade no plantel para colmatar a saída de Pablo

«Eu, sinceramente, acho que estamos contentes com o que temos. Temos o Varela, temos o Carlos [Eduardo], mas, normalmente, um plantel tem três avançados para podermos fazer face a alguma lesão ou a uma posição muito específica. Estamos contentes com o que temos cá dentro. O Varela tem sido importante para nós, sempre que entra do banco, tem feito boas exibições, e nos jogos em que jogou de início, quando o Pablo esteve lesionado, não foi tão bem nos dois jogos, mas estava numa fase crescente. É um miúdo com muito potencial, com muita qualidade, em quem acreditamos, mas que precisa de tempo e espaço, e precisa de confiança. Não estava a ter o tempo e o espaço necessários porque o Pablo não estava a facilitar a vida, fazia golos quase todos os jogos, e eu não ia tirar um jogador que estava a fazer golos todos os jogos para meter outro. Por isso, é um jogador que precisa de tempo e confiança. Este é o primeiro ano dele na Primeira Liga. Temos de lhe dar esse tempo, essa paciência. Já cresceu muito, mas precisa de crescer ainda em alguns aspectos. Acho que ele vai crescer mais com jogos e mais jogos. Acho que sim, temos de ver o que o mercado vai oferecer, porque não podemos esconder que o Pablo era um jogador extremamente importante para nós. Há uma brecha agora e temos de estar atentos. Não sei o que vai acontecer, mas, caso aconteça, teremos de estar atentos e ver se conseguimos encontrar alguém que acrescente qualidade, porque, se for só para criar número, prefiro que não venha ninguém. Tem de ser alguém que venha para se impor, para fazer a diferença, alguém que venha acrescentar qualidade a este grupo, que já tem muita qualidade. Não é só o Pablo que tem muita qualidade aqui; este é um grupo com muita qualidade, muita capacidade e muito caráter. Vamos ver e analisar o que o mercado nos dá.»

Pablo ou Varela: «Coletivamente não muda quase nada»

«Não muda muito, ou nada, sinceramente. Não muda, porque eles vêm a trabalhar desde o início connosco, e a equipa já jogou com um, já jogou com o outro. Quando um sai e entra o outro, as dinâmicas mantêm-se. O que pode mudar são as características individuais de cada um, mas coletivamente não vai haver grandes alterações. Estrategicamente, podemos ajustar algo para um jogo ou outro, mas o que muda são as características do Pablo, que não são as mesmas do Varela, e isso vai trazer coisas diferentes ao nosso jogo. E é esse crescimento que a equipa agora vai ter de ter, com um jogador como o Varela na frente, que poderá tornar o jogo do Gil Vicente um pouco mais diferente, devido às características individuais de cada um. Mas, coletivamente, a ideia não se irá alterar, por isso não vai haver muitas alterações em função do que fazemos. Não acredito em mudanças drásticas de uma semana para a outra. Eu acredito muito no processo, acredito muito na ideia de jogo, acredito muito no caminho e no trabalho que estamos a fazer na minha equipa. Por isso, as coisas não vão mudar muito, ou praticamente nada. Mas, sim, individualmente, são características diferentes, e isso pode trazer algumas coisas novas ao jogo.»

Frente ao Sporting, preocupação sim, abdicar da ideia não

«Preocupações acrescidas contra estas equipas é a coisa mais natural do mundo, porque, se estão nos primeiros, segundos e terceiros lugares, são equipas grandes que nos criam mais problemas. Mas o Gil Vicente não vai abdicar da sua ideia de jogo. Agora, como disse há pouco, acredito que, em alguns momentos do jogo, o Sporting nos vai empurrar com naturalidade. É uma equipa com outras capacidades, vai-nos empurrar para trás. Mas não vamos entrar fechados à espera de uma transição, à espera de um pontapé para a frente, ou seja, dar-nos à sorte. Vamos à procura de impor a nossa ideia, sabendo com humildade que, em certos momentos, teremos de defender. Vamos ter de saber fechar os espaços ao Sporting, porque é uma equipa com muitas dinâmicas, com muita qualidade individual, difícil de parar. Mas nunca vamos estar apenas a olhar para a nossa baliza. Vamos sempre tentar estar a olhar para a baliza do adversário, tentar ter a bola o máximo possível, como fizemos, por exemplo, na Luz, como tentamos fazer aqui contra o Porto. Não será diferente. Agora, também temos pela frente uma grande equipa, que vai dificultar a nossa tarefa. Contra estas equipas normalmente é mais difícil. Por acaso, na Luz conseguimos, acho eu, fazer um bom jogo, e o resultado foi injusto, mas aqui contra o Porto, o resultado acabou por ser justo. São sempre resultados incertos. Agora, o que nos toca, a semana foi normal, a ideia de jogo é exatamente a mesma, a organização defensiva é exatamente a mesma, com um ajuste ou outra estratégia, como faço para qualquer jogo, sabendo que as dificuldades vão ser maiores. Vamos tentar ser protagonistas no jogo, como sempre tentámos em todos os campos.»

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