Vizela-FC Porto, 0-1 (crónica)

André Cruz , Estádio do FC Vizela, Vizela
14 ago, 20:01

Marcano salva imagem do campeão

Com algum sofrimento e muito custo, o FC Porto arrancou um triunfo a ferros na casa do Vizela, por 1-0, com o único golo da partida a surgir por Iván Marcano, em cima dos 90 minutos. A tarde foi marcada pelo bom ambiente vivido no estádio, com o Vizela a tentar equilibrar forças e o campeão nacional a «suar» para somar os três pontos.

Sérgio Conceição, a cumprir o 300.º jogo na Liga enquanto treinador, fez entrar em campo exatamente os mesmos onze jogadores que tinham derrotado o Marítimo no Dragão na ronda anterior. Otávio – regressado após castigo - e David Carmo até eram apontados à titularidade, mas o técnico portista optou por manter a fórmula a sensivelmente uma semana do clássico com o Sporting.

O losango no miolo era bem evidente desde o começo, com Pepê a assumir muito protagonismo nessa zona do terreno, enquanto Namaso era o pêndulo da dupla goleadora Taremi-Evanilson.

Já Álvaro Pacheco, à procura de resgatar as boas sensações de Vila do Conde, colocou em campo Nuno Moreira, autor do golo do triunfo da jornada anterior.

A face negra do campeão

Quando apresentado há 10 anos no Olhanense, Conceição vincou que queria uma equipa «raçuda» - tal como era enquanto jogador - e a dar bons espetáculos. Ora, nesta tarde de domingo, faltou a primeira dessas características.

Apesar do maior domínio perante um adversário de outra valia, a imagem que o FC Porto deixou na primeira parte foi de autêntica apatia e impotência. Os campeões nacionais criaram pouquíssimas ocasiões de golo e ainda tiveram de aguentar os sustos que a velocidade dos homens da frente – sobretudo Zohi - impunham à defensiva portista.

Sérgio Conceição, está claro, não gostou nada do que viu no primeiro tempo e fartou-se de dar a entender isso mesmo a partir do banco.

Os dragões não foram além de um remate por cima da barra de Matheus Uribe (8m) e um cabeceamento que acabou nas mãos de Buntic, a fechar a primeira parte. Pelo meio, Nuno Moreira foi a maior ameaça, com dois remates perigosos que não despertaram o dragão.

O FC Porto parecia já ter na cabeça o clássico com o Sporting, mas até entrou rejuvenescido nos primeiros minutos da segunda parte. Conceição retirou Uribe e Danny Namaso e colocou Gabriel Verón e Otávio em campo. O camisola 25, que costuma ser a extensão do seu treinador em campo, era a prova de que o timoneiro dos dragões queria uma nova imagem.

A tentativa de sufocar a defensiva vizelense, porém, trouxe algumas condicionantes. É que as «setas» da equipa da casa já sabiam que com velocidade poderiam ferir o dragão e foi assim que conseguiram causar o alarme. Nuno Moreira, Kiko Bondoso e Zohi partiram diversas vezes em contra-ataque e só menor esclarecimento impediu que chegassem ao golo.

Conceição tentou mexer por onde pôde para colocar a equipa a jogar de forma «raçuda» como tem preconizado na sua ideia, já que o bom espetáculo estava garantido.

A pressão na reta final, já com Pepê a lateral-direito e várias peças ofensivas, foi mais intensa e a frescura dos novos homens do FC Porto colocou o marcador em causa, mas nem Galeno nem Verón foram capazes de assegurar o triunfo nas boas oportunidades que criaram.

Marcano salva a imagem

Contudo, haveria de aparecer o herói improvável. «Massacrado» durante boa parte do encontro pelas investidas dos rapidíssimos homens de Vizela, Iván Marcano teve muitas dificuldades no plano defensivo para travar os adversários, mas assumiu o maior protagonismo. Em cima do último minuto, o agitador Galeno desequilibrou na esquerda e o defesa espanhol - a cumprir o jogo 500 da carreira - cabeceou de forma certeira para provocar a euforia total nas bancadas.

O campeão nacional deixa Vizela com um triunfo suadíssimo e uma imagem bastante diferente da que apresentou na Supertaça e na ronda inaugural. No próximo sábado terá de mostrar uma faceta bem mais intensa se quiser derrotar o Sporting, vice-campeão da temporada anterior.

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