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V. Guimarães-FC Porto, 0-3 (crónica)

Ricardo Jorge Castro , Estádio D. Afonso Henriques, Guimarães
21 set 2024, 20:11

Samu: o conquistador

Em Guimarães, Samu foi o verdadeiro conquistador.

Se há uma semana, no Dragão, o avançado materializou pela primeira vez o Faro de golo que tem, desta vez na casa do rei - e lançado pela primeira vez a titular - o avançado decidiu em dose dupla: com um bis antes da hora de jogo, resgatou três pontos que pareciam difíceis para o FC Porto ao fim da primeira parte. A fechar, Pepê selou as contas com o 3-0.

O Vitória tinha dois golos sofridos nos 11 jogos anteriores. Samu precisou apenas de 12 minutos para provocar o mesmo. E o FC Porto não só descola do Vitória, como iguala à condição o líder Sporting, que no domingo recebe o AVS.

Dois rasgos de felino com serventia dos laterais - um de cabeça a cruzamento de João Mário (47m) e um no ataque às costas da defesa do Vitória a passe de Francisco Moura antes de bater Bruno Varela (59m) – lançaram as bases para o FC Porto passar de novo com distinção em Guimarães. Onde poucas vezes tem escorregado. Mas onde parecia ter, desta vez, uma grande montanha para escalar, dado o momento da equipa de Rui Borges.

Foi um grande teste ao momento das duas equipas, diga-se. E se do lado do Vitória houve apenas a entrada esperada de Tomás Ribeiro, do lado do FC Porto Vítor Bruno lançou Zé Pedro, Eustáquio e Samu, levando Otávio do onze para a bancada e sentando Iván Jaime e Namaso. Com isto, Nico González voltou a aparecer à frente da dupla de médios e perto de Samu, com Pepê a ser colocado mais à direita (mas a aparecer muitas vezes em zonas interiores, com a projeção de João Mário).

O jogo começou com expectativa de parte a parte, mas foi o FC Porto a ter mais bola desde início. Isso seria uma constante até ao intervalo, que chegou sem grandes ocasiões de perigo e 64 por cento de posse para os dragões, mas pouco efetiva. Isto muito pela forma como o Vitória – como tem sido – se mostrava coeso a defender, raramente dando grandes espaços à largura de Moura e João Mário, à velocidade e profundidade de Galeno ou Samu ou à criatividade de Pepê.

Na verdade, os avisos só aconteceram – e para o FC Porto – em cruzamentos para a área, mas Zé Pedro (22m) e Nico González (26m) não conseguiram dar o melhor seguimento. Com o tempo, o FC Porto foi conseguindo empurrar o Vitória para o seu meio-campo defensivo – sobretudo com frequência entre os 10 e os 30 minutos – mas faltava criar desequilíbrio. O Vitória, mesmo mais longe da baliza de Diogo Costa, parecia tranquilo, confiante e confortável a defender, para tentar sair pela certa quando recuperava bola.

A verdade é que isso também pouco aconteceu quando ficava com ela: ora por algum mau passe, ora pela capacidade de o FC Porto também anular as intenções de Nélson Oliveira, João Mendes ou Kaio César. Os minhotos tiveram alguma chegada nos minutos finais da primeira parte, mas sem perigo. Se defensivamente estava aos níveis de até este jogo, anulando bem o FC Porto, ofensivamente pouco se pôde ver do Vitória até ao descanso.

E foi assim… até Samu.

Até ao FC Porto entrar na segunda parte e ter a força e o instinto do jovem espanhol para resolver o jogo. Primeiro, de cabeça após um cruzamento de João Mário, aproveitou o espaço na área e deu vantagem aos dragões. Bisou depois na cara de Bruno Varela, num eficaz ataque à profundidade.

É preciso dizer que o Vitória, mal sofreu o 1-0, teve capacidade para responder e num par de lances aspirou ao empate. Mas, depois do 2-0, o FC Porto ficou verdadeiramente com o jogo na mão e sustentou-o com uma exibição segura. Rui Borges ainda refrescou todo o ataque, enquanto Vítor Bruno lançou Grujic e Namaso para os 20 minutos finais (saíram Eustáquio e Samu, este com algumas queixas), mas a vontade de reverter a situação esbarrou na defesa do FC Porto e em Diogo Costa. Se o Vitória também não conseguiu fazer mais e melhor, foi (não só, mas também) por mérito do FC Porto.

Na parte final, Pepê, a cruzamento de Francisco Moura, cabeceou para o 3-0 e o dragão sai com rótulo de conquista de Guimarães, onde teve o grande teste da época até ao momento depois dos dois clássicos com o Sporting.

Foi Samu, o conquistador. A conquistar os três pontos e a conquistar já o universo FC Porto.

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