Rio Ave-FC Porto, 0-3 (crónica)

André Cruz , Estádio dos Arcos, Vila do Conde
19 set 2025, 22:15

Laboratório Farioli tem uma fórmula para todos os gostos

A exibição menos acutilante diante do Nacional foi mesmo exceção à regra. O FC Porto está bem e recomenda-se, tal como provou com uma vitória sem contestação em Vila do Conde (3-0), perante um Rio Ave sobre o qual pairam muitas dúvidas.

Seis vitórias em seis jogos, liderança da Liga cimentada e fica cada vez mais a certeza de que os dragões estão num patamar competitivo totalmente diferente das duas últimas épocas. A julgar pela amostra, será difícil parar este ímpeto, mas importa não esquecer que as «semanas limpas» estão a acabar.

Sobre esta noite, ficam, sobretudo, duas jogadas de laboratório que evidenciam uma equipa capaz de se adaptar a diferentes cenários.

Quantos vídeos viu Farioli do Arsenal de Arteta?

Fabio Capello disse um dia que «todos os treinadores são ladrões de ideias». Francesco Farioli já tinha mostrado uma identidade bem vincada, com uma equipa no máximo da intensidade e agressividade, mas agora adicionou-lhe uma camada extra. O italiano certamente andou a ver muitos vídeos de Mikel Arteta, tal foi a forma como o FC Porto chegou aos primeiros golos.

Com um canto logo aos quatro minutos, o FC Porto desbloqueou o jogo. A fórmula foi simples: deixar Gabri Veiga bater, sobrecarregar a pequena área, colocar Alan Varela no raio de ação de Miszta e aproveitar o homem livre. Foi assim que Pablo Rosario se estreou a marcar pelos dragões.

O 2-0 foi quase a fotocópia do primeiro golo, mas desta vez ao segundo poste e com Samu a finalizar. Miszta foi mais uma vez ludibriado por Varela e o avançado espanhol aproveitou a passividade de Liavas para empurrar a bola para dentro da baliza.

Passividade que, de resto, se estendeu a toda a equipa rioavista. Os vilacondenses foram muito permissivos perante os dragões, sobretudo na primeira meia-hora, não tiveram agressividade defensiva e chegaram várias vezes mais tarde aos lances. A juntar a isso, pecaram na criatividade ofensiva – uma equipa sem ideias, que nem sequer assustou o aniversariante Diogo Costa.

Um chefe de laboratório também se impõe pela calada

Farioli deixou Varela no banco para a segunda parte e lançou Zaidu para a direita, mas o FC Porto continuou com a mesma postura e manteve o pé no acelerador. Também Gabri Veiga esteve ao nível dos primeiros 45 minutos e, neste regresso à titularidade, mostrou por que está uns furos acima de Rodrigo Mora – é uma discussão que já começa a nem fazer sentido, pese embora a excelente entrada do jovem luso em campo.

O criativo espanhol não se impõe pela garra, por morder a língua em todos os lances ou por dar uns «puxões de orelhas» nos colegas. É líder porque, de facto, em campo espalha classe, tem critério e é inteligente. Com isso vem o respeito dos demais.

Veiga já tinha assistido para dois golos na primeira parte e coroou uma exibição de luxo com um golo. E que golo! Bola parada no peito e remate forte ao ângulo. Foi assim o 3-0 do FC Porto, aos 52 minutos, que fechou as contas do jogo.

Os portistas estiveram de tal forma em modo passeio nos Arcos, que até deu para Farioli gerir o jogo e, por exemplo, proporcionar a estreia ao jovem Ángel Alarcón. Mas, se é certo que a vitória desta noite confirma todas as sensações das jornadas anteriores, o mesmo vale para o Rio Ave, que tem um projeto questionável e, quiçá, desajustado.

«A jogar assim é para lutar para não descer», soltou um adepto mais insatisfeito ao intervalo. Embora ainda estejamos à 6.ª jornada, é este o cenário que começa a desenhar-se para os rioavistas, que continuam sem vencer na Liga.

Liga

Mais Liga