FC Porto-Vizela, 4-2 (crónica)

Sérgio Pires , Estádio do Dragão, Porto
30 abr, 21:08

Dragão a um ponto da exclamação

«Ga-nhar»

1. Adquirir por meio de esforço ou trabalho.

2. Tomar; conquistar.

3. Vencer, disputando.

Umas vezes ganha-se com estilo, outras com sofrimento.

Esta noite, com um triunfo de 4-2 frente ao Vizela, o FC Porto acabou por ter trabalhos redobrados para cumprir o desígnio de Sérgio Conceição: «Ga-nhar»

Assim mesmo, com separação silábica para dar ênfase ao verbo preferido do técnico que à quinta época no FC Porto está prestes a conquistar o seu terceiro título de campeão nacional.

Basta um ponto. O Sporting está obrigado a vencer este domingo em casa na receção ao Gil Vicente. Caso contrário, a festa pode ser adiada para o Benfica-FC Porto do próximo sábado, na Luz – ou até para a receção ao Estoril na derradeira jornada.

Depois da derrota em Braga quebrar a maior sequência de invencibilidade na história do campeonato português (58 jogos), Conceição começou a vencer o jogo deste sábado de véspera, numa conferência de imprensa com reminiscências dos velhos tempos de Mourinho.

O técnico portista repetiu o onze com que o FC Porto da Pedreira, com Uribe já recuperado como novidade no banco. Por sua vez, a equipa de Álvaro Pacheco, também manteve as opções da última jornada, com exceção ao castigado Cassiano substituído por Nuno Moreira.

O FC Porto entrou em campo acusando a pressão de ter o título ao alcance da mão. Apesar do domínio, os primeiros minutos de algum nervosismo e desacerto só foram ultrapassados a meio da primeira parte, aos 22m, com um erro crasso do ex-Sporting Pedro Silva: o guarda-redes do Vizela não bateu quando devia e sucumbiu à pressão de Evanilson, que recuperou a bola e rematou para o 1-0.

Aberto o marcador, o FC Porto soltou-se e quando Schettine derrubou Grujic, aos 25m, Manuel Mota teve de recorrer ao auxílio do VAR para marcar penálti. Taremi cobrou na perfeição e ampliou aos 28m.

O mais difícil para os dragões estava feito, mas o Vizela não estava morto, longe disso. E a primeira prova de vida foi dada quando Méndez fez um golaço aos 36m, ao rematar em arco para reabrir o jogo.

Reabriu mesmo, sobretudo quando no início da segunda parte Nuno Moreira, outro ex-Sporting, rematou na área, com a bola a desviar em Mbemba e a trair Diogo Costa.

2-2 e o Dragão em choque. Pelo menos até Mbemba se redimir do infortúnio e sete minutos depois, aos 56m, aparecer na área qual ponta-de-lança a restabelecer a vantagem portista.

Descompressão momentânea, mas tensão até final.

Já com Uribe em campo – regressou à equipa recuperado de lesão, entrando ao intervalo para o lugar de Grujic – e lançando Wendell e Francisco Conceição para a meia-hora final, Conceição tentou conter o ímpeto dos minhotos e matar o jogo. Não foi à primeira, não foi à segunda, foi já aos 87m, quando o filho Francisco rompeu na área e Taremi apareceu oportuno para o bis.

Uma palavra para o Vizela: Entre os 46 830 espectadores que esta noite estiveram no Dragão ouviu-se a espaços cerca de milhar e meio de ruidosos adeptos minhotos. A equipa de Álvaro Pacheco joga bom futebol e tem aquilo que falta a muito boas equipas em Portugal: apoio popular das gentes da sua terra. São duas condições essenciais para que consiga um objetivo bem próximo e inédito na sua história: garantir a manutenção na I Liga – está seis pontos acima dos lugares de descida.

Esta noite, o FC Porto teve de sofrer para se aproximar um pouco mais do título. E no final celebrou de forma contida na antecâmara de um clássico com o arquirrival que pode reeditar a façanha de André Villas-Boas em 2010/11.

Liguem as luzes, foquem as câmaras e gritem ação: falta um ponto para a exclamação.

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