FC Porto-Sp. Braga, 4-1 (crónica)

Vítor Hugo Alvarenga , Estádio do Dragão, Porto
30 set, 23:13

Ode a Mehdi Taremi

O FC Porto venceu o Sp. Braga (4-1) e igualou os arsenalistas na segunda posição da tabela classificativa da Liga, na noite em que Mehdi Taremi fez questão de responder a cada acusação vil, a cada ataque ao seu caráter, com uma demonstração inequívoca da qualidade superior do seu futebol.

Obrigado por isso, Taremi. Por tanto. E foi tanto, mas tanto mesmo, o que vimos do internacional iraniano nesta sexta-feira. Isto já depois de nos recordar que há coisas bem mais importantes que o desporto, assumindo uma corajosa posição pública de defesa dos direitos humanos no seu país.

Deixemos de lado o que passa fora do retângulo de jogo, porque importa preencher as linhas deste espaço com aquilo que se passou no relvado do Estádio do Dragão e nada mais que isso. E quase tudo de bom que o FC Porto fez passou, de facto, por Mehdi Taremi.

Foi o avançado que recebeu de Pepê e ganhou os duelos a Fabiano e a Matheus para servir Stephen Eustáquio, que abriu caminho para o 1-0 de Evanilson (32m). Foi o mesmo Taremi que, com um passe brutal, lançou Pepê no 2-0, antes da assistência do brasileiro para Stephen Eustáquio (34m). E – adivinhou – foi o persa que fez um túnel estupendo a Tormena antes de entregar o 3-1 numa bandeja a Pepê, após a hora de jogo.

Candidato com poucos argumentos no Dragão

Pelo meio, Iuri Medeiros falhou uma oportunidade soberana em cima do intervalo, após uma falha rara de Diogo Costa, Bruno Costa viu Matheus negar-lhe o festejo com uma intervenção soberba e Ricardo Horta atirou com estrondo ao poste no reatamento (53m).

Artur Jorge, que fez três substituições de uma assentada ao intervalo, ainda festejou o 2-1 circunstancial, quando Pepe desviou a bola para o fundo da própria baliza, num lance em que um recém-entrado – Víctor Gómez – tentou servir outro – Abel Ruiz (55m).

O 3-1 de Pepê ao minuto 63 anulou essa tentativa de resposta do Sp. Braga e evidenciou as fragilidades defensivas de uma equipa que precisa de crescer para se assumir como um candidato ao título de pleno direito. É que, contas feitas, a formação arsenalista terminou o encontro com apenas um remate devidamente enquadrado com as redes portistas. Argumento curto.

O FC Porto, que tinha como prioridade evitar a repetição de primeiras partes sofríveis como aquelas que se viram em Vizela, em Vila do Conde ou na Amoreira, já para não mencionar o descalabro total frente ao Club Brugge, entrou com outra vontade e acabou por chegar à vantagem em transições rápidas, quando a equipa visitante ganhou confiança e começou a subir as suas linhas.

Um tridente portista a grande nível

Com Mehdi Taremi, Pepê – o jogador portista em melhor forma neste início de temporada - e Stephen Eustáquio a grande nível, os dragões construíram uma vantagem importante na primeira parte e souberam responder ao sobressalto no início da etapa complementar, carimbando um triunfo justo.

O regresso de Pepe é uma grande notícia para a equipa portista, que ganha maior consistência no último reduto – não obstante o autogolo do internacional português -, e a entrada em campo de Otávio na segunda metade também arrasou sorrisos aos adeptos que continuam a ter dúvidas legítimas sobre o setor intermediário dos dragões. Bruno Costa, titular nesta sexta-feira, não deslumbrou.

O Sp. Braga, após oito vitórias consecutivas, assinou uma exibição modesta no reduto do campeão nacional. A defesa, repete-se, deve ter o maior motivo de preocupação para Artur Jorge, ele próprio um antigo central de qualidade. Mas ter Ricardo Horta tão afastado da área, nos flancos do meio-campo, também parece receita condenada ao insucesso em jogos desta dimensão.

Já em cima do apito final (90+6m), a passe de Veron, Galeno fixou o resultado final perante a sua antiga equipa, que por essa altura já estava reduzida a dez elementos, face à expulsão do guarda-redes Matheus (84m)

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