Para o menino Vítor Bruno, uma ressalva e algumas palmas
«Hoje é dia de festa…» E ao 29.º dia de uma longa seca de vitórias, o FC Porto voltou ao Dragão e suspirou de alívio para soprar as velas no dia do 42.º aniversário de Vítor Bruno.
32 810 almas, a pior assistência da época (a anterior era 39 019, contra o Estoril), celebraram o triunfo como quem canta os parabéns ao treinador portista.
Uma vitória que vale o regresso ao segundo lugar, ultrapassando o Benfica, e uma aproximação ao líder Sporting, que fica agora a apenas três pontos.
A equipa de João Pereira deu vida ao Dragão, após a derrota de sábado em Alvalade com o Santa Clara, e este Casa Pia, comandado por outro técnico também chamado João Pereira permitiu ao FC Porto ganhar novo fôlego na luta pelo título.
Nervos de um Dragão a roer as unhas
Sem Alan Varela, castigado, e com Fábio Vieira como única novidade de regresso ao onze, o FC Porto apareceu em campo com uma atitude competitiva acima da que se viu nas três derrotas fora e mais à imagem da face que apresentou em Bruxelas, no empate diante do Anderlecht.
Fábio é um estratega e não um pêndulo na ala. O seu lugar neste FC Porto é ao meio, nas costas do ponta de lança e a baixar junto da dupla de médios para pegar no jogo. Esta noite, mostrou quão útil o seu talento pode ser ao FC Porto e acabou por ser ele a abrir o marcador numa altura em que as bancadas já suavam das mãos e roíam as unhas.
Já lá vamos. Porque antes disso há que sublinhar os lisboetas apresentaram um bloco defensivo difícil de desmontar nos primeiros 45 minutos e que ofensivamente também deixava os azuis e brancos em sentido. O 3-4-3 no papel, que na prática era um 5-4-1, com os alas e extremos a recuarem para tentaram conter o 4-2-3-1 portista, apostava tudo nos desdobramentos ofensivos – que levaram perigo à baliza de Diogo Costa.
O FC Porto esteve, ainda assim, bem mais perto de abrir o marcador, e os números ao intervalo espelhavam o domínio: mais do dobro da posse de bola (71%-29%) e o dobro de remates e cantos (8-4 em ambos).
Golos é que nem vê-los. Algum desacerto e Sequeira adiavam a festa. E adensavam os nervos.
Sentia-se a cada suspiro do Dragão. Uma equipa desconfiada de si própria, mas cheia de vontade de para dar a volta à crise.
Moura e Otávio mostravam-se mais impetuosos, Nico e Eustáquio trouxeram algum equilíbrio ao meio-campo, Pepê e Galeno aceleravam o jogo. E Fábio estava lá para fazer jogar e marcar.
Nó desatado no presente de Vítor Bruno
Desengane-se pois quem pensava que a festa de hoje era de despedida. O treinador portista não sairia esta noite do estádio a trautear esse hit dos anos 1960, popularizado pela voz jovial da nova-iorquina Lesley Gore: «It's my party, and I'll cry if I want to; cry if I want to, cry if I want to…»
Em quatro minutos, desatou-se um nó que parecia demorar uma eternidade para resolver. Uma combinação entre Fábio, Pepê e Samu deu ao primeiro o golo, aos 51m que abriu a festa que Vítor Bruno ansiava. E pouco depois num contra-ataque de Pepê assistiu Samu, para este fazer o segundo e tranquilizar as hostes, aos 55m. E a festa só não foi maior porque, logo a seguir, o foguete de Otávio esbarrou com estrondo no ferro dos gansos.
Nó desatado, estava aberto o presente que Vítor Bruno tanto desejava: uma vitória segura, capaz de restabelecer alguns níveis de confiança e baixar a contestação.
O FC Porto candidato ao título está de regresso? Ainda é muito cedo para beber desse champanhe.
Não falta, porém, vontade e talento à equipa que esta noite se apresentou no Dragão. A partir daí, já se pode reconstruir algo.
Assim sendo, que soe a melodia: «Para o menino Vítor Bruno, uma ressalva e algumas palmas...»