FC Porto-AVS, 2-0 (crónica)
Missão cumprida. Até para o ano
Um ano só. Para os idealistas, está longe de ser tempo suficiente para se consumar uma revolução, mas Francesco Farioli, um pragmático convicto, foi capaz de, em poucos meses, transformar uma equipa entregue à melancolia numa máquina ganhadora, tanto nos dias bons como nos menos bons. O jogo com o AVS, que venceu por 2-0, foi apenas mais um exemplo disso.
É que o ano de 2025 começou, para o FC Porto, com uma improvável série de quatro derrotas seguidas e uma “chicota psicológica” cujos efeitos ficaram longe dos imaginados, e ficou ainda marcado pelo desaparecimento de dois dos principais rostos de uma era dourada do clube, Jorge Nuno Pinto da Costa e Jorge Costa.
Apesar de tudo isso, o Dragão vive, hoje, o melhor arranque da história no campeonato, que lidera isolado, e fechou em festa um ano que ameaçou seriamente vir a ser traumático. O que a vida pode mudar em apenas um ano.
Ainda assim, o jogo que uniu, esta noite, os dois polos da tabela classificativa foi tudo menos um passeio para o líder da Liga.
A primeira fotografia tirada ao jogo do Dragão foi uma espécie de Deepfake de uma primeira parte, à sua maneira, equilibrada.
Durante os primeiros 10 minutos, o FC Porto atacou constantemente com dez jogadores (bem) instalados no meio-campo do AVS, que por sua vez defendia com todos. Literalmente!
O 5-4-1, curtinho no espaço, foi capaz de travar o ímpeto inicial dos dragões e, depois, de os colocar em sentido. Com Perea e Tunde “vivos” nas alas e Tomané a dar boa réplica entre os gigantes polacos do FC Porto, o “lanterna vermelha” da Liga causou alguns calafrios à baliza de Diogo Costa, que contribuiu para isso com uma saída temerária, aos 31 minutos, que só não deu em golo porque Bednarek, sempre vigilante, corrigiu o erro crasso do seu guarda-redes.
O passar dos minutos não ajudava à missão portista, pese embora a posse de bola esmagadora (era de 69 por cento ao intervalo) e o domínio territorial exercido, que o AVS também não se importava de conceder.
À meia hora, Victor Froholdt dispôs da melhor ocasião de toda a primeira parte, ao cabecear para uma defesa apertada de Simão Bertelli em cima da linha de baliza, e perto do intervalo foi a vez de Jakub Kiwior perder uma boa ocasião, também num lance aéreo, após um livre batido por Rodrigo Mora.
Do intervalo veio uma má notícia para os dragões, com Diogo Costa, lesionado na tal saída extemporânea da baliza aos 31 minutos, a ser substituído por Cláudio Ramos.
O momento era delicado para o FC Porto, mas o golo de Samu, a abrir a segunda parte, acabou por esvaziar essa sensação, que poderia, de algum modo, começar a apoderar-se dos jogadores portistas.
Samu abriu o marcador 🐲#sporttvportugal #LigaPortugalBetclic #fcporto #afs #betanolp pic.twitter.com/1pK4EOd7Vf
— sport tv (@sporttvportugal) December 29, 2025
O golo não mudou a postura do AVS, cauteloso mas atrevido q.b., só que a desvantagem no marcador tirou-lhe a arma anímica. E o FC Porto, mesmo sem deslumbrar, também melhorou a partir daí, acabando por chegar ao 2-0 de forma natural, num penálti por falta sobre Gabri Veiga apenas assinalada com recurso ao VAR. Samu não perdoou e resolveu a questão de vez.
Ainda deu para Farioli ensaiar Jakub Kiwior na lateral esquerda e para, nas bancadas, se recordar Jorge Nuno Pinto da Costa. O FC Porto fecha o ano destacado na liderança da Liga, com cinco pontos de avanço para o Sporting, e alarga a vantagem para o Benfica, terceiro classificado, para 10 pontos. Quem diria, há um ano, que seria assim.
