After party foi do Estrela da Amadora
Será difícil descolar a exibição do FC Porto dos recentes acontecimentos extrajogo da equipa de Martín Anselmi. A festa de aniversário de Otávio Otaíde, que culminou em medidas disciplinares para sete jogadores da equipa (o defesa-central e Tiago Djaló nem viajaram com a equipa) antecedeu uma derrota na Reboleira, algo que não acontecia há 16 anos.
Incapaz de curar a 'ressaca' desses acontecimentos, o FC Porto teve muita dificuldade em impor-se no José Gomes, na noite deste sábado, e acabou a sofrer um golo de Kikas na primeira parte e outro de Alan Ruiz na segunda (2-0). Houve tochas lançadas pelos Super Dragões para o relvado e muita festa dos adeptos da casa, num jogo que foi, acima de tudo, entretido. A after party pertenceu ao Estrela da Amadora, para surpresa geral.
Mesmo após as sanções disciplinares, Martín Anselmi alinhou com um onze inicial praticamente igual ao do último jogo. A única mudança até foi originada por problemas físicos, e não disciplinares – Diogo Costa deu o lugar a Cláudio Ramos, que normalmente só joga nas Taças. Também José Faria pouco mexeu em relação à derrota da última jornada. Leonel Bucca e Paulo Moreira entraram para render Leo Cordeiro e Ferro.
Estrela da Amadora entrou a todo o gás, com Kikas em destaque
Talvez em sentido contrário às expectativas dos espetadores presentes no 'velhinho' José Gomes, a maior parte das chances iniciais foram do Estrela da Amadora. Em oito minutos, ameaçaram três vezes a baliza de Cláudio Ramos. E quase sempre da mesma forma – com passes em rutura que quebravam a linha defensiva dos dragões. Kikas teve duas chances diante do guarda-redes do FC Porto, que ainda mostrou serviço com uma grande defesa. Pouco depois, foi Bucca que atirou a bola à barra com um remate picado de pé direito, de forma improvisada.
Depois desse frisson inicial na área do FC Porto, o jogo estabilizou. Algumas paragens ajudaram a que o FC Porto respirasse e o ímpeto do Estrela resfriasse. Ainda assim, os dragões tinham dificuldade em criar chances de golo. O primeiro remate dos portistas surgiu apenas aos 32 minutos, numa tentativa longínqua de Deniz Gul, que foi novamente aposta de Anselmi. Mas a tendência do jogo confirmou-se: seria o FC Porto a sofrer primeiro.
Pouco depois de um momento de frisson na área de Ramos numa bola parada, a pintura portista 'borrou'. Cláudio Ramos lançou a bola para o meio-campo, o Estrela apoderou-se do esférico e lançou nas costas da defensiva portista. Um desvio de Bucca acabou por isolar Kikas que, mais rápido do que os centrais contrários e talvez 'picado' pelas perdidas anteriores, não falhou desta vez. Bela finalização na cara de Cláudio Ramos aos 38 minutos. Ainda podia ter marcado logo a seguir após cruzamento de Moreira.
Ao intervalo, desilusão (e incapacidade) portista. Ficava a dúvida – o que traria a segunda parte?
VAR avisou e o 2-0 do Estrela chegou de penálti
Martín Anselmi terá dado, com certeza, um ralhete aos jogadores no intervalo. Quis mudar alguma coisa no ataque da sua equipa e substituiu Deniz Gul por Samu. Sendo o avançado espanhol dono de um físico mais imponente do que o turco, iniciou-se uma luta férrea entre Dramé e Samu. Porém, o defesa do Estrela ganhava na maior parte dos lances.
O marasmo portista no ataque resultou em novo dramatismo na defesa. Aos 62 minutos, praticamente na primeira chance tricolor da segunda parte, Kikas voltou a descobrir as costas da defesa em velocidade e fez um grande passe para o poste contrário. Bucca picou por cima de Cláudio Ramos, caiu e o árbitro David Silva mostrou-lhe o amarelo por simulação.
Alertado pelo VAR Manuel Mota, o juiz reviu o lance no monitor e deu grande penalidade ao Estrela. A reação nas bancadas dividiu-se entre a euforia caseira e a raiva forasteira. Tanto que a claque Super Dragões atirou tochas para o relvado e a partida foi brevemente interrompida.
Ainda sob o fumo da pirotecnia, dando um cenário ainda mais místico à cena, Alan Ruiz enganou o guarda-redes Cláudio Ramos na conversão do castigo máximo e espoletou a festa dos adeptos do Estrela. Que festa. Anselmi fez várias mudanças mas o espírito do Estrela manteve-se intocável. O FC Porto não tinha argumentos para criar perigo dentro da área contrária. Ia ameaçando através de remates de fora da área. Perante isto, até foi o Estrela que teve hipótese de fazer o 3-0, com uma ‘bomba’ de Jovane Cabral no poste. Ficou de joelhos.
Primeira vitória da equipa de José Faria em casa este ano civil, em quase cinco meses, foi contra o FC Porto. Quem diria? O Estrela não ganhava no José Gomes desde 2009, num jogo das meias-finais da Taça de Portugal. No campeonato é preciso recuar até 2006.
Após muito apoiarem a equipa, os adeptos do FC Porto contestaram bastante os jogadores no final do jogo. A equipa mantém-se em quarto lugar na tabela, a dois pontos do Sp. Braga. Já o Estrela mantém-se em 15.º na tabela mas distancia-se da despromoção.