Liga: V. Guimarães-Famalicão, 1-2 (crónica)

Bruno José Ferreira , Estádio D. Afonso Henriques
14 mar, 17:35

Fama pisca o olho à Europa na turbulência vimaranense

Entre a turbulência que se faz sentir em Guimarães, o Famalicão saiu do Estádio D. Afonso Henriques com um Sorriso ao regressar aos triunfos fora de portas quase quatro meses depois (1-2). Estável e em crescendo, a antítese do adversário, a equipa de Hugo Oliveira entrou a vencer, consentiu o empate, e conquistou os três pontos com golos de Justin de Haas e, precisamente, Sorriso.  

À condição, e hipoteticamente até por poucos minutos, o Famalicão pisca o olho à Europa, ultrapassando o Gil Vicente na tabela. A tranquilidade bateu a instabilidade, após três jogos em branco fora de portas, os famalicenses impuseram-se num castelo em ebulição que estreou um novo timoneiro.

O primeiro onze de Gil Lameiras no comando técnico do Vitória teve apenas uma alteração, comparativamente com a derrota nos Açores. Nelson Oliveira voltou ao onze, relegando Ndoye para o banco de suplentes. A troca de treinador não teve o efeito desejado, pelo menos no imediato, com a equipa vimaranense a continuar a navegar com pouco conforto.

Num percurso ascendente, a espreitar a última vaga europeia, o Famalicão aproveitou para entrar convicto no D. Afonso Henriques, com tranquilidade e sem a instabilidade da equipa da casa, o conjunto de Hugo Oliveira ditou leis, causou calafrios com aproximações perigosas à baliza de Charles. Adivinhava-se o adiantar no marcador dos famalicenses, que aconteceu ao minuto 17.

AO MINUTO: as incidências do jogo

Mérito para Justin de Haas, ao iniciar a jogada a partir da sua defesa, deixando quatro adversários para trás ao saltar a pressão. Após abrir o lance, o central subiu à área para apontar de cabeça o golo inaugural do encontro. Gil Dias traça o cruzamento da direita, Sorriso amortece e, sem oposição, o central dos Países Baixos cabeceou para o fundo das redes.

A vantagem durou, contudo, apenas sete minutos. Samu disparou forte com o pé esquerdo à entrada da área culminando um dos primeiros desenhos ofensivos do Vitória. Saviolo fez o passe atrasado, após cruzamento de Gustavo Silva, para o capitão encher o pé e restabelecer a igualdade. Um golo que teve o condão de estabilizar emocionalmente a equipa de Gil Lameiras, que acabou melhor o primeiro tempo. Carevic teve de se aplicar por duas ocasiões para evitar o segundo. 

Um estabilizar emocional que, contudo, também não foi duradouro. O chá do intervalo foi bom conselheiro para o Famalicão, que construiu nova vantagem num dos primeiros lances da segunda metade. Brecha na defesa do Vitória, Gustavo Sá serviu Sorriso que, completamente sozinho, teve tempo para tudo. Charles ainda defendeu o primeiro remate, mas Sorriso foi letal na recarga e lançou o Famalicão para o triunfo aos 47 minutos.

Com toda uma parte pela frente o Vitória não teve capacidade resposta, nunca conseguiu ser uma equipa organizada nem ter nervo para importunar o último reduto forasteiro. Organizado e tranquilo, o Famalicão controlou por completo o jogo e soma mais três pontos, ultrapassando – à condição, recorde-se – o Gil Vicente. Um Fama que pisca o olho à Europa.      

A FIGURA: Sorriso
Um golo e uma assistência numa folha de serviço em que foi essencial para a conquista dos três pontos. Mexido no lado esquerdo, arrancou o amarelo a Strata, e está nos principais lances ofensivos dos famalicenses. Serve, de cabeça, Justin de Haas para o primeiro golo da tarde e aponta o segundo do Famalicão, um golo que acabou por ser decisivo. 

O MOMENTO: segundo golo do Famalicão (47’)
Entrada forte na segunda parte – tal como já tinha acontecido na primeira – por parte do Famalicão. Lance bem trabalhado, Gustavo Sá descobre Sorriso com espaço pelo corredor esquerdo, entregando destino do jogo ao brasileiro. Charles ainda travou o primeiro remate, mas à segunda Sorriso atirou para o fundo das redes. 

NEGATIVO: castelo em ebulição 
O castelo vitoriano está em ebulição. A equipa que há dois meses venceu a Taça da Liga está uma sobra do que foi, estreou um novo técnico, mas continua com prestações demasiado pálidas e, pior do que isso, sem demonstrar capacidade de reação.

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