Foi preciso sofrer no molhado
Entre pingos da chuva – e uns raios de sol – o Estádio José Gomes acolheu uma molhada disputa entre dois emblemas que lutam pela sobrevivência. Num dos bancos, o forasteiro, havia uma estreia: Petit orientou pela primeira vez a equipa açoriana.
Ora, questões climatéricas à parte, a bola rolou e tudo isso passou para segundo plano. Tanto é que, logo no primeiro minuto, poderia cair, para os adeptos da casa, algo pior do que uma tempestade na Reboleira: o sempre «maroto» golo madrugador.
No entanto, a falta de eficácia de Gabriel Silva, sozinho ao segundo poste, tardou as mexidas no marcador. Ainda assim, uma prova estava dada: as equipas vinham para jogar.
E assim foi. Ambos os conjuntos tiveram oportunidades de desfazer o nulo. O Estrela, porém, teve mais bola, mas no que toca a fazer o golo, qualquer uma das equipas teve as suas chances. Ora por falta de discernimento ora por mérito das defesas, Fábio Veríssimo mandou as equipas para os balneários ainda sem golos na partida.
O segundo tempo trouxe mais do mesmo. Oportunidades e duas equipas a procurar jogar. O nulo foi finalmente desfeito. Mas, antes foi preciso sofrer – dos dois lados.
Primeiro pelos visitantes. Num belo desenho pelo lado direito, a formação açoriana obrigou Renan a uma defesa apertada. Na reposta, Marcus ajeitou já dentro de área e acertou em cheio no poste da baliza à guarda de Gabriel Silva.
O golo veio de seguida. Tudo começou num remate do olho da rua de Schappo, que obrigou Gabriel Silva a uma bela intervenção. Na sequência, o Estrela recuperou a bola em zona perigosa. Encada cruzou para a grande área, onde surgiu Jovane para desviar para o golo.
O cabo-verdiano – que não jogava há duas jornadas – isola-se assim como melhor marcador da equipa com agora quatro golos.
Petit, em estreia, promoveu a entrada de uma cara bem conhecida do futebol português. Gonçalo Paciência, avançado ex-FC Porto, teve nos pés a grande oportunidade de empatar a partida, mas um corte na linha de golo negou uma estreia de sonho para o português.
Os ânimos exaltaram-se até final. Os açorianos cresceram e puderam, em várias ocasiões, restabelecer o empate. Ainda assim, mesmo o Estrela esteve também perto do segundo. Houve tempo para tudo, menos para mais um golo.
Para felicidade dos da casa, o apito final confirmou o regresso aos triunfos para o Estrela da Amadora. Mas, para isso, foi preciso sofrer no molhado.
Figura – Marcus (Estrela da Amadora)
De regresso aos convocados, depois de estar afastado por lesão, o nigeriano voltou com destaque. Foi claramente o homem destaque da manobra ofensiva. Seja pela velocidade ou pela qualidade técnica, Marcus ia desequilibrando pelo corredor direito.
O momento – golo de Jovane
O capitão, também ele de regresso, tinha também sido um dos mais inconformados do lado da casa. Principalmente pelo corredor central, o ex-Sporting ia procurando criar perigo. Lá criou de uma maneira pouco habitual: de cabeça. Um golo que deu o triunfo aos tricolores.
Positivo – o jogo «molhado»
A chuva, que surgia a espaços, não deu tréguas. O vento, também ele, ia condicionado o jogo. Ainda assim, as equipas fizeram com que isso fosse para segundo plano. Não tiveram medo de jogar e proporcionam um bom espetáculo para quem não teve medo da chuva e foi ver o jogo ao estádio.