Segunda vida na Reboleira
Espetacular jogo no José Gomes a abrir o ano de 2026! O Sp. Braga chegou a ter o jogo na mão, a vencer por 3-1 pouco depois da hora de jogo, mas o Estrela nunca baixou os braços e, com dois golos de rajada, reabriu a contenda, num jogo elétrico do princípio ao fim. O Estrela soma o terceiro jogo sem derrotas, enquanto o Sp. Braga, sem vencer há três rondas, falha o assaltou ao quarto lugar.
João Nuno repetiu exatamente o mesmo onze que, há uma semana, surpreendeu o Famalicão, enquanto Carlos Vicens fez uns ajustes no ataque, face ao onze que tinha empatado com o Benfica, com Fran Navarro a render o castigado Ricardo Horta e Moscardo a ocupar, com alguma surpresa, o lugar de Zalazar que, desta vez, começou no banco.
O Estrela entrou no jogo a todo o gás, a lutar por todas as bolas e a procurar chegar rápido à frente. Abraham Marcus assinou o primeiro remate do jogo, com um pontapé forte à entrada da área que sofreu um desvio e proporcionou também o primeiro canto do jogo. O Sp. Braga não se deixou atemorizar pela entrada forte do adversário e, aos poucos, com uma crescente posse de bola, foi impondo a sua lei. Com muita paciência, os homens de Carlos Vicens, depois de conquistada a bola, acionaram o rolo compressor e, com um bloco bem subido, foi empurrando o Estrela cada vez mais para trás.
Uma estratégia arriscada, uma vez que os minhotos deixavam muito espaço nas suas costas e o Estrela tem jogadores muito rápidos para as transições. A verdade é que o Estrela estava cada vez mais longe da baliza de Hornicek e começava a amontoar-se junto à baliza de Renan Ribeiro.
Um Braga em crescendo que foi pressionando ao ponto de Fran Navarro quase ter entrado pela baliza a dentro. Valeu ao Estrela uma grande defesa do antigo guarda-redes do Sporting, mas logo a seguir o árbitro detetou uma falta de Ngom sobre Pau Victor, o árbitro foi rever as imagens e confirmou o penálti. João Moutinho, já se sabe, bate bem, mas ainda permitiu a Renan chegar à área antes de festejar a abertura do marcador.
Bola ao centro e resposta quase imediata do Estrela. O Braga manteve o bloco subido, mas uma perda de bola na fase de construção, permitiu a Kikas arrancar pelo corredor central e bater Hornicek com um remate seco à entrada da área. A vantagem do Braga durou pouco mais de três minutos e foi desfeita pelo jogador que este sábado cumpriu o jogo 100 com a camisola do Estrela.
O Braga voltou a cerrar fileiras, voltou a reclamar a bola e voltou a empurrar o Estrela para o seu meio-campo de onde a bola raramente saiu até ao intervalo. O Sp. Braga teve mais uma oportunidade flagrante para marcar, por Fran Navarro, mas Jefferson Encada, com um corte impossível, manteve o intacto. Até ao intervalo, o Estrela conseguiu apenas mais uma transição, por Jovane Cabral, mas o remate do antigo leão saiu muito por alto.
Sp. Braga recupera vantagem, Estrela ressuscita
Se a primeira parte já foi bem entretida, o que dizer da segunda? Carlos Vicens lançou Zalazar para o lugar de Moscardo logo a abrir e os minhotos arrancaram para a segunda parte a mandar no jogo, outra vez com uma elevada posse de bola, e, em dois tempos, recuperou a vantagem, num lance que começa precisamente nos pés do uruguaio que, com um grande passe, destaca Dorgeles que, sobre a direita, cruza para Fran Navarro marcar à segunda tentativa.
Uma entrada fortíssima do Braga reforçada com novo golo, desta vez, com a assinatura de Rodrigo Zalazar. Um golo de autor, com o uruguaio a arrancar pela direita, a deixar um adversário pelas costas, a ganhar a linha de fundo, antes de contornar também Renan Ribeiro e atirar para as redes vazias. Em dois tempos oi Braga marcava dois golos e parecia que tinha o jogo ganho, até porque o Estrela não conseguia ter bola.
Carlos Vicens também deve ter achado que estava feito, uma vez que começou a fazer substituições, certamente já a pensar no novo duelo com o Benfica, agora na meia-final da Taça da Liga. Saíram João Moutinho e Dorgeles, dois jogadores que estavam muito em jogo, para cederam os lugares a Gorby e Grillisch. Foi neste momento em que o Braga se adaptava ao novo figurino que o Estrela ressuscitou do nada, com dois golos do nada que voltaram a nivelar o resultado.
Marcou primeiro Jovane Cabral, a cruzamento de Jefferson Encada, num lance em que a defesa minhota ficou a dormir. Bola ao centro e novo golo, desta vez, marcado por Marcus, na sequência de um pontapé de canto da esquerda. Incrível, um jogo que parecia decidido ganhou nova vida.
O jogo voltou a ficar elétrico, com parada e resposta, com oportunidades nas duas balizas, mas não voltou a sofrer novas alterações.
Um ponto para cada lado, mas, certamente, com sabor a vitória para a equipa da casa e com sabor a derrota para os visitantes que já não vencem na Liga há três jornadas.