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Estrela da Amadora-FC Porto, 1-2 (crónica)

Ricardo Gouveia , Estádio José Gomes, na Amadora
26 abr, 20:03
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Sofrimento depois de duas Gül[oseimas]

Uma tarde que parecia que ia ser tranquila para o líder FC Porto, com Deniz Gül a quebrar um longo jejum, logo com dose dupla, antes do intervalo, a equipa de Francesco Farioli permitiu depois que o Estrela ganhasse uma nova vida na segunda parte e que, depois de três bolas nos ferros, reduzisse a diferença para apenas um golo. O jogo acabou com intenso sofrimento no banco portista, mas o líder acaba por conseguir o essencial nesta penúltima saída da temporada e está agora mais perto do que nunca do ambicionado título. O jogo acabou em festa e com forte cheiro a título.

Confira o FILME DO JOGO e os VÍDEOS DOS GOLOS

Antes do jogo já se sentia esse cheiro, aliás, nas ruas da Reboleira, num dia quente de verão, com os característicos cafés da rua do estádio a abarrotar com adeptos de azul-e-branco, num frenesim que teve como ponto mais alto a chegada do autocarro que transportava a comitiva do Dragão. Era a altura de dar o último golo na cerveja e rumar às apertadas bancadas do velhinho José Gomes, portagem obrigatória na autoestrada para o título.

Os dois emblemas têm tido, ao longo dos anos, uma relação especial e, prova disso é que Chaínho, Jorge Andrade e Miguel Lopes, jogadores que representaram os dois clubes, estiveram juntos na bancada a assistir a esta partida. Ainda antes do primeiro apito de Hélder Carvalho, um forte revés para a equipa da casa, com o guarda-redes Renan Ribeiro a lesionar-se no aquecimento e a ceder o lugar a David Grilo que, esta época, tinha feito apenas um jogo, na Liga Revelação.

Ao som do primeiro apito do jogo, as bancadas de pedra do José Gomes ganharam vida, com um pulsar constante que marcava o ritmo no relvado, onde o FC Porto, com um bloco bem subido, procurava, desde logo, impor a sua lei. Com Pepê [a novidade no onze em relação ao clássico] e Pitetuszewski bem abertos sobre as alas, o FC Porto obrigava a defesa do Estrela a alargar e, depois, Deniz Gül, com o apoio constante de Forholdt na suas costas, procurava desequilíbrios no corredor central. Os restantes jogadores funcionavam como um tampão sobre a linha do meio-campo, procurando a equipa da casa fechada junto à sua área.

O Estrela, por seu lado, entrou no jogo de faca nos dentes, a correr a todas as bolas, a procurar fechar caminhos e, com um jogo muito agressivo,  a fazer muitas faltas para travar a circulação que o FC Porto procurava impor. Um início de jogo, portanto, aos soluços, mas com claro ascendente do FC Porto que, com um Pietuszewski inspirado, ia encontrando brechas na muralha estrelista.

Endiabrado, o jovem polaco repetiu incursões atrás de incursões e acabou por ser premiado, aos quinze minutos, quando foi derrubado por Kevin Jansson na área. Na marcação do castigo máximo, Deniz Gül atirou colocado e rasteiro e fez o seu nome ecoar nas bancadas. O avançado turco, muito elogiado por Farioli na antevisão do jogo, quebrou, assim, um jejum na Liga que já durava desde o final de outubro de 2025, mas hoje era definitivamente o dia dele.

Em vantagem, o FC Porto aligeirou o cerco, levantou o pé, mas manteve um controlo quase abosluto, com uma crescente posse de bola. O Estrela, agora com mais espaços, acelerou o ritmo, mas não conseguia progredir muito no terreno. Prova disso é que quando Marcus Abraham correu trinta metros pelo corredor central, antes de ser desarmado por Kiwior, foi aplaudido de pé pelos adeptos da casa.

Era o FC Porto que continuava a controlar, à espreita de erros do adversário e Pietuszewski, em mais uma bela iniciativa, acabou por voltar a quebrar a consistência do Estrela, com um grande passe para Alberto que cruzou para Deniz Gül, de cabeça, bisar no jogo. Mais uma grande festa nas bancadas e um FC Porto ainda mais tranquilo sobre o relvado, agora em ritmo cruzeiro até ao intervalo.

Três bolas nos ferros e golo

João Nuno não esperou mais e fez três alterações de uma assentada para a segunda parte, lançando Jefferson Encada, Paulo Moreira e Jovane Cabral para a contenda. O jogo ficou, desde logo, mais aberto, com o Estrela a demorar a encaixar as alterações, mas a crescer no jogo a cada minuto que passava. Francesco Farioli ficou intranquilo no banco ao ver que a sua equipa estava a perder o controlo que tão bem tinha evidenciado na primeira parte, procurando equilibrar a sua equipa também com as primeiras alterações.

A verdade é que Jovane Cabral trouxe uma nova dinâmica à equipa e o Estrela continuava a crescer e a obrigar o FC Porto a recuar. O jogo estava mais aberto do que nunca, Deniz Gül ainda teve uma oportunidade soberana para chegar ao hat-trick, mas logo a seguir Marcus Abraham, lançado por Jovane, atirou ao poste. Foi apenas um primeiro sinal, uma vez que, mais uns minutos, e o Estrela voltou a acertar nos ferros da baliza de Diogo Costa, desta vez com dose dupla, primeiro num remate cruzado de Rodrigo Pinho e, na recarga, foi outra vez Marcus a acertar no mesmo poste. 

Farioli voltou a mexer, mas o momento era definitivamente do Estrela que continuou a carregar e acabou mesmo por chegar ao golo, aos 79 minutos, na sequência de um livre de Van Hooijdonk, com Jovane Cabral a fazer um desvio subtil na área.

Os adeptos do Estrela acordaram e o a equipa da casa continuou a carregar sobre a baliza de Diogo Costa, abrindo vias verticais para a área portista. Foram dez minutos, a que depois foram acrescentados mais cinco, de total caos sobre o relvado. O Estrela continuava a atacar diante de um FC Porto que, agora, só queria manter a bola longe da baliza de Diogo Costa que ainda teve de se aplicar para travar uma cabeçada de Lekovic que levou os adeptos do Estrela ao desespero.

Sentia-se o nervosismo acentuado sobre o relvado e Hélder Carvalho teve de ir várias vezes ao banco do FC Porto impor a ordem e chegou mesmo a expulsar um elemento da equipa técnica de Farioli.

Um sufoco que se estendeu até ao último suspiro do jogo. O último apito de Hélder Carvalho foi mesmo um alívio para o líder que, apesar do sofrimento final, acabou por conquistar a 26.ª vitória da temporada e, desta forma, ficou a apenas três passos de festejar o ambicionado título.

Se já cheirava a título no início do jogo, num final tresandava, com os jogadores a juntarem-se aos adeptos nas bancadas para uma grande festa azul-e-branca. O título está já ali, ao virar da esquina.

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