Estoril-Tondela, 2-2 (crónica)

Ricardo Gouveia , Estádio António Coimbra da Mota
7 fev, 19:58

Dois de avanço que saíram caro

O Estoril deu dois golos de avanço ao Tondela, conseguiu empatar ainda antes da primeira meia-hora, mas depois, apesar do intenso domínio, sentiu tremendas dificuldades a jogar contra o forte vento que se fez sentir na Amoreira e não conseguiu chegar à reviravolta. Uma travagem a fundo da equipa de Ian Cathro que, apesar de tudo, com estes dois golos, passa a ostentar o estatuto de segundo melhor ataque da Liga, com 43 golos, ficando apenas atrás do bicampeão Sporting (54).

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Um balde de água fria para a equipa de Ian Cathro que vinha numa sequência de três vitórias consecutivas e grandes exibições, com um ataque demolidor, com 15 golos marcados nos últimos quatro jogos, mas esta tarde teve de travar de fundo num jogo atípico marcado pelas difíceis condições climatéricas.

Um jogo que começou sem chuva (ainda caiu um dilúvio a meio), mas com um vento muito forte, com fortes rajadas a empurrem a equipa de Ian Cathro para o ataque. De facto, os canarinhos, com apenas uma alteração em relação à goelada ao Santa Clara, entraram com tudo no jogo, instalando-se num ápice no meio-campo do Tondela com um bloco muito subido.

Uma estratégia que parecia arriscada, mas o vento a favor dava alguma tranquilidade. O Tondela limitava-se a defender com dez jogadores em redor da área face ao enorme sufoco dos canarinhos, mas, na primeira vez que o Tondela saiu a jogar, aos 12 minutos, chegou ao golo. Boa combinação entre Rodrigo Conceição e Makan Aïko sobre a esquerda, com o reforço francês a cruzar para o segundo poste. Pedro Amaral tentou intercetar a bola, mas Maranhão atirou-a para o fundo das redes.

Um golo contra a corrente do jogo e logo outro a seguir. Na sequência de um grande passe de Cícero, Maranhão destaca-se sobre a direita, invade a área e bisa no jogo. Em apenas cinco minutos, o Tondela marcava dois golos e colocava em causa a estratégia que Cathro montou para este jogo.

A verdade é que o Estoril manteve-se fiel aos seus princípios e, com uma crescente posse de bola, continuou a fustigar a área de Bernardo Fontes, com toda a equipa instalada no meio-campo dos beirões.

Uma pressão constante que acabou por dar resultado. Na sequência de uma boa combinação sobre a esquerda, João Carvalho entra na área e reduziu a diferença com um remate cruzado, com o pé direito, impregnado de classe.

Mais três minutos, pontapé de canto de Pizzi, sobre a direita, com Ferro a elevar-se nas alturas e a marcar de cabeça. Em apenas três minutos, o Estoril marcava dois golos e nivelava o resultado.

Os quinze minutos que faltavam na primeira parte foram todos dos canarinhos que estiveram muito perto de protagonizar uma reviravolta, mas Bernardo Fontes, com a defesa da tarde, desviou o remate de Rafik Guitane que levava selo de golo.

O Estoril procurou transportar o ascendente para a segunda parte, mas demorou a adaptar-se a jogar contra o forte vento e a primeira oportunidade até foi do Tondela, mais uma vez pelos pés de Maranhão. No entanto, apesar das maiores dificuldades, o Estoril, agora com mais paciência, foi crescendo no jogo e empurrando, mais uma vez, o Tondela para a sua área.

Uma pressão crescente e, mais uma vez arriscada, com o Tondela a procurar explorar as transições, sobretudo, depois da entrada de Kimpioka.

Peixinho, acabado de entrar, ainda teve uma oportunidade soberana para assinar a reviravolta e Begraoui também teve o terceiro golo nos pés, mas o empate não se desfez até final. O Estoril acaba por pagar caro os dois golos que deu de avanço ao Tondela.

Figura do jogo: João Carvalho, com perseverança e classe

Como Estoril a perder por 2-0, o experiente médio nunca permitiu que a equipa baixasse os braços, procurando manter uma via de ataque sobre a esquerda. Foi dessa ala que arrancou para o golo do empate, invadindo a área, antes de surpreender Bernardo Fontes com um remate cruzado e colocado. Que classe!

Momento do jogo: Peixinho falha reviravolta

Minuto 77. O Estoril, a jogar contra o vento, procurava insistentemente o golo da reviravolta e o jovem avançado teve tudo para ser ele a receber os abraços dos companheiros, mas atirou ao lado. Foi a melhor oportunidade dos canarinhos na segunda parte.

Positivo: Makan Aïko é definitivamente reforço

Grande exibição do extremo francês que criou a única saída de escape do Tondela face à constante pressão do Estoril. Abriu uma porta sobre a esquerda por onde saiu muitas vezes a jogar, com natural destaque, para a assistência para Maranhão abrir o marcador.

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