Estoril-Sporting, 0-1 (crónica)

David Marques , Estádio António Coimbra da Mota, Estoril
11 mai, 20:17

Leão adormecido desperta a tempo

Talvez pela descompressão, o Sporting não foi no Estoril a equipa das 32 jornadas anteriores no primeiro jogo após a conquista do título.

O leão foi dono da bola, jogou quase sempre instalado no meio-campo contrário e rematou mais, mas pareceu faltar-lhe a fome insaciável que o caracterizou durante a época.

Foi controlador, mas não dominador, no fundo.

Ruben Amorim até nem mexeu assim tanto no onze. Fez, aliás, quatro alterações: Diogo Pinto, Bragança, Morita e Matheus Reis renderam Israel, Hjulmand, Nuno Santos e Paulinho. Na frente mantiveram-se Gyökeres e Trincão, com Pote a regressar ao lugar habitual.

Talvez por estarem frente a frente equipas com os objetivos já cumpridos – o Estoril entrou em campo minutos depois de ter a permanência matematicamente fechada – a primeira parte só teve motivos de interesse nos instantes finais, primeiro num remate de Pote, depois noutro de Rodrigo Gomes, que fez estremecer o poste do estreante Diogo Pinto.

Não foi um pacto de não-agressão – até porque os duelos entre Gyökeres e Pedro Álvaro fizeram faísca – antes a consciência, de parte a parte, de que as metas principais que se procuravam estavam fechadas. E isso tornou os jogadores mais lentos, mais previsíveis, mais erráticos e, sobretudo, menos ambiciosos.

Enérgico, Ruben Amorim dava indicações como se a vitória do Sporting na Liga dependesse do resultado desta tarde. Ou, talvez, pela importância de ficar na posse de um recorde que pertencia, até hoje, a Jorge Jesus: o registo máximo de pontos (86) dos leões numa Liga e o recorde de vitórias (28).

Os instantes iniciais da segunda parte foram um copy-paste de quase toda a primeira, mas as entradas de Paulinho e de Nuno Santos, pouco antes da hora de jogo, fizeram o leão, adormecido, aproximar-se das suas melhores versões.

Esgaio ameaçou o golo, logo a seguir Gyökeres também, Paulinho chegou tarde a uma emenda e Trincão obrigou Marcelo Carné, que ia reclamando o papel principal da tarde, a voar.

Até que Paulinho, aos 81 minutos, fez soltar os foguetes numa Amoreira pintada de verde e fez com que esta crónica termine como outras 27 do Sporting nesta Liga: com uma vitória dos leões.

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