Estoril-Sp. Braga, 0-1 (crónica)

Ricardo Gouveia , Estádio António Coimbra da Mota
13 abr, 22:29

Mergulho para o pódio

O Sp. Braga foi ao Estoril, numa noite de verão antecipado, alcançar uma vitória que lhe permite, para já, ultrapassar o vizinho Vitória e alcançar o FC Porto no terceiro lugar da classificação da Liga. Uma vitória com serviços mínimos, num jogo que chegou mesmo a ser aborrecido na primeira parte, apesar do grande ambiente que se viveu nas bancadas da Amoreira. A segunda parte foi bem mais animada e foi nesse período que Álvaro Djaló mergulhou para o golo solitário que permite a Rui Duarte somar a primeira vitória e, em simultâneo, conseguir um salto na classificação.

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Começamos pelo grande ambiente que se viveu nas bancadas do António Coimbra da Mota, com as duas bancadas centrais praticamente cheias, depois de um dia de primavera mascarado de verão. A maior parte dos adeptos foi mesmo ao jogo de calções e t-shirt, muitos, bronzeados, subiram a rua da igreja que faz a ligação do Tamariz à Amoreira para fechar um dia de praia com um belo espetáculo de futebol. O cartaz do jogo prometia, tendo em conta que o Estoril vinha de três jogos sem derrotas e esta noite podia dar mais um salto seguro em relação à permanência. Do outro lado estava um Sp. Braga que, pela segunda semana consecutiva, sob o comando de Rui Duarte, tinha a possibilidade de alcançar o FC Porto, que voltou a escorregar no Dragão, na classificação.

A expetativa tornou-se num logro, pelo menos, na primeira parte. O Sp. Braga, com um conjunto ofensivo, procurou assumir, desde logo, as rédeas do jogo, com mais posse de bola e com uma boa chegada ao último terço, mas quando chegava a área do Estoril, falhava sempre na definição. A equipa de Vasco Seabra, por seu lado, procurou repetir a receita que, há duas semanas, trouxe bons resultados, também aqui na Amoreira, frente ao FC Porto, com linhas baixas, para depois responder com transições rápidas e tentar ferir o adversário.

O Estoril ainda ensaiou algumas fugas nos primeiros instantes, primeiro por Rafik Guitane sobre a direita, logo a seguir por Mateus Fernandes, no lado contrário, mas depois foi recuando a toda a linha, empurrado pelo rolo compressor do Sp. Braga que, aos poucos, foi conseguindo ficar o jogo no meio-campo dos amarelos, cada vez com mais dificuldades em sair a jogar. A verdade é que os minhotos, no último terço, mesmo com muita gente na área, raramente conseguiram incomodar Marcelo Carné que, até ao intervalo, só teve de se aplicar para desviar uma cabeçada de Victor Gomez e um remate fraco de Banza.

Muito pouco para o grande ambiente que se vivia nas bancadas.

A segunda parte só podia ser melhor e acabou mesmo por ser. Calculamos que devem ter rodado cafés ao intervalo os balneários, uma vez que os jogadores regressaram bem mais ativos para a segunda parte que começou, desde logo, com um ritmo bem mais intenso. Ricardo Horta, desaparecido na primeira parte, assinou o primeiro remate, o Estoril respondeu de imediato, com uma bomba de Tiago Araújo que fez a bola voar para fora do estádio. Estava dado o mote para um novo jogo.

O Estoril ainda conseguiu dividir o jogo nos instantes iniciais, mas o Sp. Braga voltou a crescer no jogo e a empurrar os canarinhos para trás. Agora sim, começava a cheirar a golo que ficou muito perto de aparecer num remate em arco de Bruma que obrigou Marcelo Carné à defesa da noite. Não foi Bruma, mas logo a seguir marcou Álvaro Djaló, em mergulho, com estilo, na área, depois de um cruzamento mortífero de Ricardo Horta da esquerda. Rui Duarte remodelou, desde logo, o ataque, preparando a sua equipa para a reação do Estoril que não se fez esperar.

A perder, a equipa de Vasco Seabra subiu finalmente as suas linhas e cresceu no jogo, com destaque para os últimos dez minutos em que, já com João Marques e Alejandro Marqués em campo, chegou a ameaçar o empate.

Agora era a vez do Sp. Braga sofrer. João Basso, a cruzamento de Mateus Fernandes, esteve muito perto de marcar, num final de jogo que terminou com um Sp. Braga totalmente manietado, limitado a controlar a vantagem mínima que lhe permite a aproximação ao terceiro lugar do pódio da Liga.

Um embate entre os dois finalistas da Taça da Liga que começou com bocejos, mas que acabou por animar, antes de acabar com mais sorrisos para o lado dos minhotos.

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