Estoril-FC Porto, 1-2 (crónica)
Mora saiu da lâmpada
O FC Porto foi ao Estoril vencer com uma difícil reviravolta, materializada num lance de génio de Rodrigo Mora, e Martin Anselmi conseguiu, pela primeira vez, desde que assumiu a equipa, somar duas vitórias consecutivas na Liga. Uma vitória que não relança propriamente a equipa do Dragão na rota pelo título, até porque a exibição não foi nada convincente, mas permite, para já, recuperar o terceiro lugar e preparar o clássico da próxima semana com o Benfica num ambiente bem mais tranquilo.
Numa tarde de autêntico verão, com o mar a brilhar junto ao Tamariz e um sol intenso sobre a Amoreira, com muitos adeptos e turistas de t-shirt e chinelos, o FC Porto não foi propriamente passear ao Estoril. Pelo contrário, sofreu a bom sofrer para regressar a casa com três pontos.
O FC Porto até entrou bem no jogo, mais uma vez com Eustáquio a jogar entre o eixo defensivo, a três, e o meio-campo, quando a equipa do Dragão tinha a bola. O Estoril procurou intimidar o adversário com um bloco subido, mas rapidamente teve de ajustar-se. Inicialmente, as duas equipas concentraram-se numa curta faixa do terreno, de poucos metros, mas a verdade é que o FC Porto ia conseguindo profundidade, face às movimentações de Rodrigo Mora e Samu.
Pepê teve uma primeira oportunidade, anulada com um corte espetacular de Boma, em carrinho, e, logo a seguir, Samu marcou mesmo, mas estava claramente adiantado e não valeu. Dois lances que obrigaram o Estoril a baixar o bloco e a deixar o FC Porto sem espaço para acelerar. O jogo ameaçava ficar engasgado quando, na primeira vez que o Estoril subiu, João Carvalho cruzou da esquerda e Ivan Marcano, com Begraoui por perto, cortou a bola com a mão. Penálti evidente que o marroquino converteu no golo inaugural.
Esperava-se uma reação imediata do FC Porto, mas aconteceu o contrário. A equipa de Martin Anselmi reagrupou-se mais atrás, com uma elevada posse de bola, mas com um ritmo bem mais baixo do que tinha exibido nos instantes iniciais do jogo. Os visitantes construíam jogo mais atrás, mas depois tornavam-se previsíveis na progressão, permitindo ao Estoril sentir-se tremendamente confortável a defender.
É verdade que o Estoril, apesar de ter aproveitado para voltar o seu bloco, também não atacava, mas o FC Porto também não conseguia provocar desequilíbrios. O jogo arrastou-se a caminho do intervalo praticamente sem oportunidades até que voltou a surgir mais um corte com a mão na área, na sequência de um canto, com Hélder Malheiro a considerar que o movimento de Holsgrove «não foi natural». Samu, que só tinha marcado um golo desde a chegada de Anselmi, atirou a contar e o empate foi restabelecido mesmo antes do intervalo.
Biga balls de Cathro e o génio de Rodrigo Mora
Podia ser o estímulo que o FC Porto precisava, mas foi Ian Cathro que surpreendeu no arranque da segunda parte. O escocês já tinha dito, quando jogou em Alvalade, que era preciso ter «big balls» para se jogar no Estoril e evidenciou isso mesmo, ao abdicar de um central (Boma) para lançar Alejandro Marqués para o ataque. O Estoril evoluía de um 3x4x3 para um 4x3x3 com o avançado venezuelano a juntar-se a Rafik Guitane e Begraoui no ataque e João carvalho a recuar para o corredor central.
Alterações que permitiram ao Estoril jogar uns metros bem à frente e, desta forma, colocar muitas dificuldades ao FC Porto, com tremendas dificuldades em sair a jogar. Um Estoril bem mais arrojado, determinado em recuperar a vantagem e a deixar Martín Anselmi extremamente irritado no banco de suplentes.
Apesar do muito espaço que o Estoril deixava nas suas costas, o FC Porto não conseguia chegar à frente e, quando chegava, decidiu quase sempre mal, com remates inconsequentes. O jogo arrastava-se, assim, com escassas oportunidades quando Rodrigo Mora arrancou sobre a esquerda, combinou com Francisco Moura, de calcanhar, tirou um adversário da frente e atirou a contar. Num lance de génio do irreverente avançado, o FC Porto virava o jogo de forma inesperada.
Ian Cathre voltou a enviar um «recado» para o relvado, com três alterações de uma assentada, e o Estoril procurou subir ainda mais o bloco, mas o FC Porto, em vantagem, soube controlar muito melhor o jogo.
A verdade é que o Estoril, apesar da ousadia do seu treinador, só conseguiu criar uma verdadeira oportunidade, já sobre o minuto 90, por Alejandro Marqués, anulada in extremis por Zé Pedro. Um calafrio numa altura em que o FC Porto, com o banco todo de pé, já se preparava para voltar a casa.
Uma vitória importante numa altura determinante da época para as aspirações do FC Porto que, dentro de uma semana, recebe o Benfica, num jogo que pode relançar a equipa na luta pelo apetecido segundo lugar que pode dar acesso à Liga dos Campeões.
