Estoril-Famalicão, 1-1 (crónica)

Ricardo Gouveia , Estádio António Coimbra da Mota
7 ago, 22:16
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Nova Liga, os mesmos hábitos

Aí está a Liga 2026/27! Depois de 83 dias de interregno, Estoril e Famalicão abriram as hostilidades com o primeiro de 306 jogos que prometem animar o nosso retângulo plantado à beira-mar até maio do próximo ano. Pedro Santos deu o pontapé de saída, o reforço Georgios Koutsias marcou o primeiro golo, mas, no fundo, não houve mudanças gritantes em relação à época passada. Houve uma importante, no resultado, uma vez que os canarinhos reagiram bem e acabaram por chegar ao empate na segunda parte e a Liga arrancou mesmo sem um vencedor, mas com dois líderes à condição.

Confira o FILME DO JOGO

Um Estoril com um novo treinador, com Vasco Matos a render o carismático Ian Cathro [rumou ao St. Étienne], mas com poucas mudanças na forma de atuar da equipa. Com apenas um reforço de início, com Fernando Medrano a entrar diretamente para o lado esquerdo da defesa, os canarinhos continuam a ser essencialmente uma equipa de transições. O novo treinador colocou Tsoungui à frente da defesa, ao lado de Xeka, mas a forma como a equipa se movimenta em campo não mudou radicalmente em relação à época anterior, pelo contrário, mostrou movimentos que já conheciamos.

O mesmo acontece com o novo Famalicão, com o regressado Carlos Carvalhal a preferir construir em cima dos pressupostos que herdou de Hugo Oliveira [novo treinador do Estrasburgo], lançando também apenas dois reforços de início, um deles forçado. Van Breeme rendeu Ibrahima Ba no centro da defesa, enquanto Georgious Koutsias, contratado ao Lugano, foi a novidade no ataque.

Depois de uma fase de estudo, com as duas formações com blocos baixos, o Famalicão, com mais posse de bola, começou a procurar explorar as debilidades defensivas dos canarinhos, rodando a bola de flanco a flanco, procurando profundidade pela velocidade de Sorriso e Gil Dias sobre as alas.

Do lado contrário, o Estoril fechava-se muito bem a defender, para depois desdobrar-se em transições rápidas para o ataque, com André, esta noite descaído sobre a esquerda, em particular destaque neste capítulo, surgindo muitas vezes nas costas de Rodrigo Pinheiro.

Tudo muito igual à temporada passada em que o Famalicão venceu o Estoril por três vezes, incluindo uma eliminatória da Taça de Portugal. Esta noite até foi o Estoril o primeiro a ameaçar o golo, logo aos 6 minutos, num remate cruzado de André da esquerda que Carevic defendeu com uma estirada para canto. Logo a seguir, João Carvalho também encheu o pé para uma bomba que passou perto da barra. 

Estava assim o jogo, com o Famalicão com mais bola e o Estoril a criar mais perigo, quando os visitantes chegaram à vantagem, ao minuto 32. Cruzamento largo de Sorriso da esquerda, Gil Dias recebe do lado contrário e, de primeira, cruza tenso para o coração da área onde surgiu o reforço Koutsias a encostar para o primeiro golo da Liga 2026/27. Tudo simples, ao primeiro toque e o Famalicão passava para a frente do marcador.

O Estoril acusou o golo consentido e, até ao intervalo, não conseguiu reagir, diante de uma equipa do Famalicão que passou a controlar com uma posse de bola reforçada. Até ao final da primeira parte, registo apenas uma cabeçada de André, a cruzamento de Rafik Guitane, mas sem qualquer perigo para a baliza de Carevic.

Estoril a crescer, Famalicão em quebra

O Estoril procurou aumentar a velocidade do jogo no arranque da segunda parte, mas o Famalicão recuperava facilmente a bola e saía a jogar com uma facilidade desconcertante. Os canarinhos atacavam, de facto, com maior intensidade, mas insistiam agora no corredor central, onde o Famalicão fechava-se muito bem com Van de Looi e Mathias de Amorim.

A verdade é que o Estoril continuou a insistir diante de um Famalicão que foi ficando mais macio à medida que os minutos passavam. A cada ataque dos canarinhos, os visitantes iam perdendo capacidade de resposta. Já não conseguiam sair a jogar como tinham feito na primeira parte, perdiam mais facilmente a bola e permitiam sucessivas investidas do Estoril que, aos poucos, foi-se instalando no meio-campo contrário, cada vez mais perto das redes de Carevic.

E foi assim que acabou por chegar o empate, já aos 72 minutos, numa jogada de insistência praticamente na pequena área do Famalicão, com os homens de Vasco Matos a mostrarem muita cerimónia na finalização, até que João Carvalho rodopiou e destacou Begraoui que, já de ângulo apertado, atirou para o fundo das redes.

Ainda faltavam vinte minutos para o final e o Estoril, embalado pelo golo, carregou sobre o adversário até à última gota de suor, diante de um Famalicão que continuava a morrer a olhos vistos.

O Estoril martelou até ao fim, com a mesma receita com que tinha chegado ao empate, diante de um Famalicão cada vez mais fragilizado, mas o resultado não voltou a sofrer alterações. Já no último suspiro, os visitantes ainda tiveram uma oportunidade soberana para recuperar a vantagem, mas, nesta altura, seria tremendamente injusto.

A Liga arrancou mesmo com um empate.

Figura do jogo: João Carvalho acima da média

Um jogo inaugural sem grandes figuras de destaque, mas João Carvalho não sabe jogar mal, pelo contrário, destaca-se sempre pela simplicidade de processos e acabou por ser determinante com a assistência para o empate de Begraoui. Na primeira parte já se tinha evidenciado com dois remates de fora da área e um deles passou bem perto da barra. A jogar entre Rafik Guitane e André, nas costas de Begraoui, praticamente todo o jogo ofensivo dos canarinhos passou pelos pés do camisola 12 que, ao que tudo indica, vai continuar a ser uma peça fundamental neste novo Estoril.

Momento do jogo: o empate de Begraoui

O empate surgiu num momento confuso do jogo. As bancadas estavam ainda a reclamar um penálti para o Estoril quando, num lance muito confuso, na área do Famalicão, João Carvalho, com toda a calma do mundo, rodopiou e ofereceu o golo a Begraoui que rematou já de ângulo apertado. O marroquino tinha passado despercebido no jogo até este momento, muito distante dos companheiros, demasiado encostado à direita, mas acabou por assinar o golo do empate.

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