Mais vale um canário na mão
Ao fim de cinco jogos, o Estoril festejou a primeira vitória na Liga, ao bater o AVS, em casa, por 3-1. Foi o quarto jogo em que a equipa de Ian Cathro se colocou em vantagem, mas desta vez conseguiu segurar os três pontos, ainda que os visitantes tenham assustado na ponta final. O resultado foi claramente mais importante do que a exibição, uma vez que os canarinhos não foram propriamente «mágicos» esta tarde, foram, acima de tudo, pragmáticos e eficazes.
O AVS, também à procura da primeira vitória, até entrou melhor no jogo, apesar de estar a jogar contra um vento forte, que teve influência no desenrolar do jogo. A equipa de José Mota, com Tomané de regresso ao ataque, entrou com um bloco subido a colocar problemas ao Estoril, mas por pouco tempo. A equipa da casa acabou por assentar o seu jogo e reagiu com uma primeira ameaça, com Kevin Boma a cabecear por cima a trave.
Logo a seguir, José Mota sofreu uma contrariedade, com Aderlan Santos a sair lesionado e ceder o lugar ao reforço Paulo Vítor. Nesta altura, o Estoril já estava por cima do jogo e não tardou a explorar o bloco subido do adversário, principalmente sobre a direita, onde Ricard Sánchez começava a atacar as costas de Kiki. Foi mesmo por aí que surgiu o primeiro golo, aos 12 minutos, lá está, com o espanhol a cruzar para Lominadze encher o pé.
Um golo construído por dois reforços a animar as bancadas, numa altura em que os canarinhos estavam em claro crescimento no jogo, de tal forma que acabaram por chegar a um segundo golo, aos 28 minutos, tirado a papel químico do primeiro. Desta vez foi Rafik Guitane que escapou pela direita e cruzou para a finalização fácil de João Carvalho.
Ian Cathro sorria, mas José Mota não podia estar nada satisfeito e abdicou, desde logo, de Ángel Algobia, para lançar Rafael Barbosa. De pouco serviu, uma vez que o Estoril, agora, estava mais confiante do que nunca e, até ao intervalo, poucos espaços cedeu.
Estoril marca mais um, mas AVS ainda assusta
Pouco mudou no arranque da segunda parte, desta vez, com o Estoril a entrar por cima e, depois de uma primeira ameaça de Pedro Amaral, os canarinhos chegaram mesmo ao terceiro golo. Grande abertura de Lominadze a destacar João Carvalho sobre a esquerda e este a cruzar para a finalização de Ricard no lado contrário. Depois de uma assistência, o lateral também marcou.
O jogo parecia estar a acabar aqui. José Mota ainda esgotou as substituições, enquanto Ian Cathro também foi gerindo a sua equipa. O AVS ainda reduziu a diferença, com um golo de Diogo Spencer e chegou a fazer tremer as bancadas quando Diego Duarte fez um segundo golo para o AVS. No entanto, este segundo golo acabaria por ser anulado, uma vez que o avançado estava ligeiramente adiantado (18 centímetros).
A verdade é que o Estoril, que chegou a transpirar confiança, voltou a acabar o jogo com muitas dúvidas e a tremer. Foi a quarta vez que a equipa de Ia Cathro colocou-se em vantagem em cinco jogos na Liga, mas foi a primeira vez que venceu.
Frente ao Estrela, Tiago Parente abriu o marcador, mas acabou 1-1; frente ao Vitória, Rafik marcou primeiro, mas acabou 2-3; e diante do Tondela foi Begraoui inaugurou o marcador, mas também acabou 2-2.
Ian Cathro tinha anunciado que o Estoril, esta época, ia «ganhar muitas vezes», ora bem, aqui está a primeira vitória.
Figura do jogo: Ricard, com uma assistência e um golo
O lateral que o Estoril encontrou no Granada, com formação no Barcelona e Atlético Madrid, foi determinante neste jogo, explorando muito bem as costas de Kiki para chegar à linha de fundo e cruzar. Foi assim que que abriu caminho para a vitória dos canarinhos. Cruzou rasteiro, com a bola a atravessar toda a área do AVS até chegar a Lominadze que rematou forte para o fundo das redes. O lateral também está na origem do segundo golo, marcado por João Carvalho e marcou ele próprio o terceiro, já na segunda parte. Um nome a ter em conta nesta temporada do Estoril.
Momento do jogo: terceiro golo a abrir a segunda parte
O Estoril já tinha chegado ao final da primeira parte com um sólido 2-0, mas não era a primeira vez que os canarinhos entravam a vencer e depois viam os três pontos escapar. Por isso, só com o terceiro golo, a abrir a segunda parte, é que os canarinhos ficaram mais descansados. Talvez em demasia, uma vez que ainda permitiram ao AVS entrar na discussão do resultado. A verdade é que, desta vez, os canarinhos ficaram mesmo com os três pontos.
Positivo: Lominadze, um gigante na Amoreira
O georgiano contratado ao Dínamo Tbilisi, com 1,94 metros, esteve em particular destaque no meio-campo dos canarinhos. Faz-se notar pela forte compleição física, mas também pelo bom toque de bola. É ele que dá origem ao lance do terceiro golo, além de ter recuperado muitas bolas ao longo do jogo.