Voto de confiança para o rejeitado Ian Cathro
Sem marcar há três jogos e sem vencer há quatro, Ian Cathro chegava a este jogo altamente pressionado. Uma derrota diante do Lusitano de Évora, da quarta divisão portuguesa, na Taça de Portugal, parecia o fim de linha do jovem treinador escocês, até há bem pouco tempo adjunto. Ouviu cânticos a pedir a demissão neste sábado, mas Cathro saiu da Amoreira com uma goleada diante do Arouca (4-1).
Numa primeira parte com bastantes paragens – talvez a chuva que caía na Amoreira ajudasse a que o ritmo do jogo fosse mais lento -, aconteceram três golos de belo efeito. Logo de início, começámos por assistir a um duelo que persistiu. Fabrício fazia a vida negra a Tiago Esgaio no corredor e ambos acabaram amarelados antes do intervalo. Explosivo, o extremo do Estoril era o grande desequilibrador dos canarinhos.
A verdade é que foi o Arouca que chegou primeiro ao golo, algo ‘caído do céu’. O Estoril concedeu demasiado espaço a Ivo Rodrigues, que cruzou na direita, e Henrique Araújo, solto de marcação, cabeceou para o fundo das redes.
No entanto, o Estoril soube reagir ao golo, não descurando os seus processos ofensivos. Cinco minutos depois, aos 30m, foi a vez de Alejandro Marqués empatar a partida. Numa jogada que já parecia perdida, Pedro Amaral cruzou para o coração da área e lá estava o avançado do Estoril, pronto para rematar de primeira. Mantl nada pôde fazer.
Cerca de dez minutos depois, chegou a reviravolta. Mais uma vez com Pedro Amaral projetado na ala esquerda, em contra-ataque, foi o outro lateral do Estoril que surgiu à boca da baliza para encostar o cruzamento rasteiro. Wagner Pina parecia um ‘cubo de gelo’ a celebrar a golo.
Bolas paradas foram decisivas para a vitória
E assim foi o encontro para o intervalo. Sem alterações ao intervalo e com um ritmo baixo no início da segunda parte, os estorilistas parecem ter tido ordens para deixar o Arouca jogar na segunda metade. E a equipa de Gonzalo García agradeceu, criando algumas chances perigosas de golo.
Perto da hora de jogo, Mantl negou o golo a Dante, lateral-esquerdo do Arouca, e no minuto seguinte Jason acertou no poste com estrondo. Os estorilistas bem podiam suspirar de alívio. Até se ouviram alguns cânticos vindos da bancada a pedir a demissão a Ian Cathro, com algumas injúrias pelo meio.
Contra a corrente do jogo, o Estoril fez o 3-1 que, oficiosamente, selou a vitória. Através de um canto batido por Holsgrove, a bola chegou ao segundo poste onde estava Pedro Álvaro, sozinho. Bom cabeceamento do capitão do Estoril, que foi celebrar com o treinador.
Mas o Arouca ainda teve mais uma chance de marcar, com uma grande penalidade concedida após uma asneira de Boma. Escorregou e derrubou o recém-entrado Yalcin. Só que, na marcação, Jason perdeu o duelo com o compatriota Joel Robles, que defendeu o remate.
Mas um grande remate de Jordan Holsgrove confirmou a história do jogo – tudo correu bem ao Estoril, às vezes com uma pitada de felicidade. O livre direto do escocês entrou na gaveta e deu um exemplo de como bater este tipo de bolas paradas.
Um resultado talvez alargado demais para a história do jogo mas, acima de tudo, assistimos a um voto de confiança para Ian Cathro, que não reúne a preferência dos adeptos (e um novo mau resultado pode ressurgir a crítica) mas que parece ter o apoio dos jogadores, que festejaram bastante com o treinador. A 'moção de rejeição' foi adiada. O Estoril soma agora nove pontos, na nona posição, enquanto o Arouca fica com os mesmos sete, no 14.º lugar.
A Figura: Pedro Amaral
Lateral do Estoril foi superlativo a atacar, com duas assistências feitas na primeira parte. A defender, o seu lado foi sempre mais seguro do que o de Wagner Pina. Foram as duas primeiras assistências do ala, que regressa à Liga após duas temporadas no estrangeiro, tendo já apresentado boas indicações no Rio Ave.
O Momento: Golo de Jordan Holsgrove
Que livre direto. Ao vivo, foi certamente um belo golo. Através da repetição televisiva, em câmara lenta, percebe-se a pefeição da trajetória da bola, que descreveu um arco para dentro da baliza contrária, junto ao poste. Nada podia Mantl fazer face a este remate.
Negativo: Cânticos contra Ian Cathro
Será que tiveram efeito na partida? Nunca saberemos. O que é certo é que alguns adeptos do Estoril, além de apresentarem uma tarja contra o técnico, entoaram cânticos ao início da segunda parte, enquanto a equipa ganhava por 2-1. Se de alguma forma isso seria um pouco mais justificável se a equipa estivesse a perder, fica um pouco incompreensível o protesto numa altura em que o Estoril queria segurar a vantagem.