Treinador do Nacional lamentou o «lance fortuito» do penálti que deu o golo ao Estrela
Tiago Margarido, treinador do Nacional, em declarações na conferência de imprensa após o empate frente ao E. Amadora 1-1:
Análise do jogo
«Em relação ao jogo, acho que, na primeira parte, o Nacional foi superior em todos os momentos. Ou seja, assumiu as rédeas do jogo, criou sempre desconforto no momento de construção do nosso adversário e conseguimos pressioná-lo bem. Penso que ganhámos bolas em zonas altas, tivemos oportunidades de golo, acertámos no posto, tivemos bolas ao lado e fizemos aproximações muito boas à baliza, como a defesa do Renan ao livre do Liziero, são lances que me vou recordando, que nos poderiam ter conferido uma vantagem mais ampla ao intervalo, e isso, penso, não teria sido injusto. Depois, em relação à segunda parte, entrámos a controlar o jogo até que apareceu o penalti, o penalti fortuito, do nada. A partir daí, o Estrela ganhou ascendente, também com a força vinda das bancadas, e conseguiu ser superior até ao final. Penso que, por tudo o que aconteceu, e por termos sido bastante perdoados na primeira parte, há algo que temos de corrigir. Penso que o resultado ajusta-se e conseguir um empate, mais um ponto na nossa caminhada»
Titularidade Francisco Gonçalves
«Gostei bastante. Acho que o Chico fez um jogo maduro, um jogo inteligente. Deu qualidade na construção. De facto, tinha uma tarefa defensiva muito difícil, porque teve de enfrentar jogadores de grande qualidade, como o Marcus, o Sidny e o Jovane. Portanto, estou muito contente com o jogo do Chico. Demonstrou que tem toda a capacidade para jogar a este nível e é um produto da formação Nacional. Portanto, isso também demonstra que a formação está a trabalhar bem. O Chico é alguém que vai ser o futuro do Nacional».
Mexidas tardias
«Nós ali resolvemos partir o jogo. Estávamos a defender com uma linha de cinco e deixávamos os três homens da frente sem tarefas defensivas. E, muitas das vezes, criávamos desigualdades, três contra três, contra a defesa do Estrela.
Como são jogadores com qualidade individual, jogadores que podem desbloquear um jogo a qualquer momento, parecia-nos, enquanto equipa técnica, que deveríamos mantê-los no campo o tempo que o fizeram. Depois, quando sentimos que ficaram desgastados e já não podiam mais, aí sim, resolvemos fazer alterações. Isso permitiu à equipa condicionar o Estrela em zona alta, porque sabíamos que o Estrela, através do jogo exterior, é perigoso nos cruzamentos. Portanto, tínhamos de os condicionar o mais alto possível, porque estávamos a dar uma vantagem ao adversário nesse momento do jogo. Mas até então, devido à estratégia que tínhamos de partir a equipa e deixar os três jogadores na frente, parecia-nos que era a melhor solução. Não mexer».
O que falta para manter a baliza a zeros
«Teria de ser avaliado jogo a jogo. O que tem acontecido nos últimos jogos é que temos sempre uma expulsão, um penálti, há sempre algo que nos leva para baixo. A verdade é que não estamos com essa pontinha de sorte, porque são lances fortuitos.
Inclusive, a semana passada, o segundo amarelo foi por uma falta que nem sequer existiu. Mas eu também não quero perder muito tempo a falar sobre isso; temos de nos focar naquilo que controlamos. E o que controlamos é o que aconteceu no jogo.
O que aconteceu no jogo foi que, na altura em que surgiu o penálti, tínhamos o jogo controlado e não poderia ter acontecido o penalti, como é óbvio. É como eu disse, temos de ser, se calhar, mais maduros nesses momentos, mas também esta equipa é uma equipa jovem, uma equipa que está num processo de crescimento e consolidação, e estamos a aprender com estas situações. Certamente, no futuro seremos mais fortes».
Surpresas táticas
«Primeiro, nós esperávamos que o Estrela jogasse em 5-3-2 e começou o jogo dessa forma. No entanto, depois mudaram e passaram para um 4-3-3. Ou seja, o que eu disse na altura foi que sabia que ia ser um jogo com muitas surpresas táticas, ou seja, houve constantes alterações na estrutura do Estrela. E nós fomos adaptando-nos a essas mudanças e explorando também como deveríamos explorar. Em relação à nossa equipa, procurámos surpreender o Estrela. Tínhamos analisado que eles pressionavam com os dois homens da frente numa construção a três. Nós costumamos fazer construção a três, portanto, retirávamos muitas vezes um dos nossos jogadores nesses momentos do jogo e criávamos desconforto nos laterais do Estrela, tanto no campo como na altura, com o recuo dos nossos laterais. Ou seja, estávamos a atrair muito bem o Estrela para a nossa primeira fase. Há algo que nós, com um jogo posicional, não costumamos fazer, e que, na minha opinião, criou dificuldades ao adversário, permitindo-nos ter ataques rápidos. Ou seja, explorar a nossa velocidade na frente para criar problemas na organização defensiva do Estrela. Portanto, houve alguns ajustes estáticos que fizemos. Como eu disse, foi um jogo interessante e também houve essa vertente engraçada do jogo de gato e rato, com os ajustes e as mudanças, que fazem parte do jogo. Eu já sabia que este jogo ia ser assim».