João Nuno: «Fiquei satisfeito, mas não era o resultado que queríamos»

Guilherme Portela , Estádio José Gomes, Reboleira
9 nov, 18:43
Liga: Estrela-Nacional (FOTO: FILIPE AMORIM/LUSA)

Treinador do Estrela lamentou a lesão de Encada logo no início do jogo que «estragou a estratégia» tricolor

João Nuno, treinador do E. Amadora, em declarações na conferência de imprensa após o empate frente ao Nacional, 1-1:

Análise do jogo

«Fiquei muito satisfeito com a segunda parte, embora o resultado não tenha sido o que queríamos. Estamos tristes com o resultado. Acho que foi claro para todos que a equipa, na segunda parte, esteve sempre à procura de ganhar o jogo. O Estrela não ficou nada satisfeito com este resultado e estamos muito tristes com ele. Acho que era um jogo que podíamos e devíamos ter ganho. Em relação ao jogo, na primeira parte, houve um equilíbrio até à lesão do Encada. Nesse momento, o jogo estava equilibrado e nós até estávamos um pouco por cima. A partir do momento da lesão do Encada e das mudanças que fizemos na equipa, o Nacional esteve melhor do que nós, dominou até o final praticamente da primeira parte e justificou a vantagem ao intervalo devido ao momento em que nós não estivemos bem no jogo. Na segunda parte, não há muita história: o Estrela teve a bola o tempo todo. Houve uma ou outra transição do Nacional, mas o Estrela foi sempre superior, e fizemos o empate. Estivemos perto de fazer o 2-1 e lutámos até ao último minuto. É com esta postura que eu quero o Estrela em todos os jogos. Fiquei satisfeito com a segunda parte, mas não fiquei satisfeito com o período da primeira parte, onde o Nacional mostrou ser uma equipa muito forte. Sabíamos disso: é uma das equipas da Liga que ganha mais duelos, faz muita bola parada e tem um jogo de confronto físico. Mas, olhando para o jogo de forma geral, acho que merecíamos claramente a vitória, especialmente pela segunda parte».

Lesão de Encada e entrada de Schappo e Jovane

«Há fatores que você não consegue perceber com os dados que eu tenho. Colocar o Jovane era muito arriscado, jogar 75 minutos era arriscado. Íamos estar a entrar na zona vermelha. O Jovane esteve sete semanas parado e foi daí. E depois havia outro fator: os nossos lances perigosos no início do jogo eram criados pelo Sidny contra o João Aurélio em situações de um contra um. Eu não quis mudar, não quis passar o Sidny para a lateral direita, porque isso daria maior velocidade ao corredor direito e, provavelmente, manteria os dois corredores frescos. Mas senti que o Nacional também é muito perigoso em bolas paradas e o nosso central mais forte nesse aspeto é o Schappo. O Schappo não entrou bem no jogo e, para não expor o Schappo, resolvi não alterar a estrutura, porque sabia que o jogo ia ser pressionado de outra forma no intervalo, mais de homem a homem. Ia deixar o Schappo mais vezes em duelos um para um e isso exporia a possibilidade dele ser expulso, o que acabaria com a nossa estratégia, que já estava dificultada pela lesão. Mas essas foram as razões».

Pausa para as seleções

«É muito importante para nós. Eu disse na última conferência antes do jogo contra o Casa Pia que, para nós, cada treino é como se fosse um mês. O mês e pouco que aqui estamos é quase como se fosse o final da pré-época. Portanto, para nós, estas próximas semanas são muito importantes. Embora, tal como na paragem anterior, tenhamos ficado sem seis ou sete jogadores que foram às seleções, agora vamos ficar com um pouco menos, mas mesmo assim são quatro jogadores que vão embora. Mas vai ser muito importante. Temos muito trabalho pela frente, muito processo para consolidar, mas aquilo que fizemos na segunda parte dá-me boas perspectivas para o futuro, porque acho que o Estrela está a jogar de forma diferente e está a conseguir jogar bem em casa. Já no jogo com o Rio Ave, tivemos momentos muito positivos, apesar de não termos vencido. Hoje, pela segunda parte e pelas oportunidades criadas no final, acho que, com um pouco mais de definição, podíamos ter vencido o jogo».

Estrela a jogar com linha de quatro

«As nossas ideias, embora defendendo com quatro, são muito dinâmicas. O Omar, muitas vezes, e o nosso seis, fazem a linha de cinco ou, quando o Sidney joga a extremo, também ele defende e o Montóia vem mais por dentro. As dinâmicas, mais do que os números, dependem muito das características dos jogadores. Eu acho que a nossa maior dificuldade no jogo surgiu após a lesão do Encada, porque tínhamos trabalhado um plano e começámos a perder largura pelo lado direito. O Marcus vinha muito para dentro e faltou-nos o lateral que projetasse. O Montóia não percebeu que, nesse momento, ele também deveria ter começado a projetar. Isso resultou numa linha de quatro muito baixa e o Nacional pressionou-nos, fazendo com que dávamos as zonas de pressão que o Nacional queria. Acho que falhámos aí. Tudo o resto, na segunda parte, foi melhor, e percebeu-se que o Nacional, nos últimos dez minutos, ficou satisfeito, com a quantidade de vezes que o guarda-redes caiu e a forma como retardaram o jogo. Acho que, nos últimos dez, quinze minutos, estivemos sempre por cima, sempre à procura do golo, e estou muito satisfeito com a atitude dos jogadores».

 

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