Treinador do Estrela reconheceu o resultado pesado frente ao Estoril, mas garante que a equipa vai melhorar, já sem Kikas
João Nuno, treinador do Estoril, em declarações na conferência de imprensa após a derrota por 5-0 frente ao Estoril, na 18.ª jornada da Liga.
Expulsão não explica o resultado
«Não, não explica tudo o que aconteceu. Foi um jogo em que entrámos mal. Sofremos golo praticamente no segundo ou terceiro minuto, num lance sem muito mérito do jogador do Estoril, que mete a bola no ângulo, mas com mérito nosso negativo a defender o cruzamento na primeira situação que dá o golo. Após esse momento do jogo, acho que fomos aquilo que temos vindo a ser. Acho que o resto da primeira parte foi muito equilibrado. Nós também tivemos pelo menos duas situações para poder marcar e a equipa mostrou personalidade num jogo em que enfrenta uma boa equipa, que se apanha logo a vencer. Após a expulsão, o jogo altera-se. Mesmo na primeira parte, com dez, acho que terminámos ainda a continuar a jogar. No início da segunda parte sofremos praticamente dois golos logo de início e, a partir daí, não explica tudo, porque foram alguns deles com erros claros nossos, que não podem acontecer a este nível, e hoje aconteceu-nos tudo o que podia acontecer de mal. Acho que aconteceu tudo num jogo só. Desde a expulsão, desde a situação dos golos deles logo a abrir, quer uma parte quer outra, isso explica muito do que foi o jogo. O resto eu não quero falar. Nunca quero entrar por aí. Vejo situações idênticas de uma forma e outras de outra, mas isso não podemos controlar. O que podemos controlar é fazermos melhor, e essa parte aí não fizemos. Portanto, a culpa é claramente nossa.»
Mexidas ao intervalo
«Em relação às situações do intervalo, uma delas foi forçada, que foi a situação do Chape. O nosso central já não treinou durante toda a semana, tal como o Jovane, tal como nos aconteceram muitas coisas durante a semana que nos tiraram jogadores que não estavam a 100 por cento. O Schappo sentiu e, portanto, tivemos de passar o Otávio para dentro e colocar o Montóia. Essa mexida foi forçada. A do Jovane era para conseguirmos ter um jogador que, já sabendo que com dez iríamos ter de ter alguém que conseguisse segurar mais a bola, que conseguisse levar o jogo para o meio-campo ofensivo. Contra uma equipa do Estoril que sabe ter a bola, ficou-nos difícil encontrar momentos de pressão e tivemos dificuldades nisso, mas foi por isso.»
Tática para a segunda parte desmoronou
«A ideia foi tentar, como disse, manter uma estratégia ao intervalo e, de repente, levamos dois golos logo nos primeiros minutos e desaparece tudo o que tínhamos trabalhado. É pedir aos jogadores para terem o máximo de profissionalismo até ao fim, dignificar o jogo, dignificar a nossa equipa, continuar a olhar para a baliza. Ainda assim, tentámos algumas vezes sair, mas ficou muito complicado, quer animicamente. Foi pena. Acho que o jogo se estragou. Acho que íamos ter aqui um grande jogo. Acho que a primeira parte provou isso. Acho que estavam aqui duas boas equipas a jogar bom futebol e, de repente, as coisas ficam diferentes, alteram-se, e mérito do Estoril, que aproveitou os nossos erros.»
O que vai mudar?
«Não vamos mudar nada. Somos os mesmos que, nos últimos oito jogos, só tínhamos perdido com o Sporting e com o FC Porto fora. Somos os mesmos. Não vou mudar nada, não sigo por esse caminho. Não está agora tudo mal porque levámos 5-0, porque não está. Porque a primeira parte, acho que há um Estrela a jogar e há um Estrela com personalidade e, de repente, com a expulsão e com tudo o que aconteceu no jogo, as coisas mudam. Portanto, há que corrigir os erros, há que perceber o que fizemos mal e, no próximo jogo, dar uma resposta. Isto vai terminar em maio, não termina hoje, e portanto há muito campeonato pela frente. Temos muito caminho para continuar. Eu não acho que, por perdermos um jogo, esteja tudo mal. Hoje correu-nos tudo mal. Realmente, hoje acho que não havia mais nada que nos pudesse acontecer de errado. Aconteceu tudo: desde lesões, golos nos primeiros minutos, expulsões, lances que não caíram para o nosso lado. Sou eu que tenho de assumir essas responsabilidades. O resultado é pesado, é duro para os adeptos, mas que fiquem com a equipa dos últimos jogos, porque ela vai voltar. Aqui ninguém desiste.»
Saída de Kikas leva Estrela ao mercado
«Sim, com a saída do Kikas temos de procurar essa solução, mas também temos jogadores dentro de casa, quer o Rodrigo Pinho, quer o Leandro Antonetti. Eu já disse: eu não quero entrar aqui em nenhum momento em questões de queixa. Mas agora, à medida que vão saindo alguns jogadores que são importantes para a equipa, vamos ter de voltar um bocadinho atrás no processo. Agora, vir aqui queixar... O Kikas é um enorme profissional, deu tudo. Foi inglório para ele, muitas vezes ali no meio dos centrais e sozinho, principalmente na segunda parte. Eu acho que, na primeira parte, mesmo com a nossa entrada, depois de assentarmos o jogo, em nada nos estávamos a sentir inferiores ao Estoril. Em nada. Eu estava no banco e sentia que íamos ganhar o jogo, sinceramente. Era isso que eu sentia, porque aquilo que estávamos a fazer, a qualquer momento, íamos marcar. Sentia a equipa completamente ligada. Após aquele momento, tudo se alterou e foi uma noite difícil para todos. Temos de crescer com o que aconteceu e vamos seguramente olhar para o mercado e ver se conseguimos trazer uma solução, mas olhando muito para os que estão cá, que é isso que eu gosto de fazer.»