FC Porto-Famalicão, 3-1 (crónica)

Ricardo Jorge Castro , Estádio do Dragão, Porto
23 jan, 22:34

Fuga e um líder com mais fama

Nunca um líder teve tanta vantagem esta época no comando da Liga. Isso ou mérito. Mas também proveito. E fama.

O FC Porto resgatou o prefixo do adversário da jornada 19 para engatar a 14.ª vitória seguida no campeonato e fugir para uma diferença de seis pontos face ao Sporting, derrotado na véspera pelo Sp. Braga.

Foram três golos. Podiam ter sido mais. Na primeira parte, Otávio e Luis Díaz brotaram a chama incessante que o dragão tem demonstrado na Liga, Taremi fechou de penálti na segunda e o FC Porto chega aos 53 pontos em 57 possíveis. Registo praticamente imaculado da equipa de Sérgio Conceição, que viu longe do banco mais um triunfo da melhor e da mais consistente equipa em campo.

O Famalicão, privado de sete unidades da equipa principal por lesões, covid-19 e um castigo, apareceu com quatro suplentes e cedo percebeu que a missão seria hercúlea para ser a primeira equipa a roubar pontos ao FC Porto na sua casa em 2021/22.

Foi. E muito por mérito do líder. Um líder justo, se de justiça se pode falar no futebol.

Percebeu-se cedo no que ia dar

O FC Porto, com Otávio de volta após castigo, entrou em campo com atitude. Não estava para rodriguinhos. Cedo colocou intensidade, ritmo e concentração em todos os lances. Tudo o que tem sido marca desta equipa e que deixou em alerta um Famalicão bem fechado atrás numa linha de cinco, com outra de quatro à frente e Marcos Paulo mais solto à procura de qualquer saída rápida, que pouco se viu. E por isso Diogo Costa teve uma noite tranquila.

O remate de Uribe contra a muralha (4m) e a visão de Fábio Vieira que deixou Luis Díaz na cara de Luiz Júnior (18m) adivinhavam o golo. Vitinha espalhava equilíbrio e classe. Luis Díaz irreverência. Fábio Vieira inteligência entrelinhas. Evanilson luta na área contrária. E o 1-0 chegou ao minuto 25.

O canto batido por Fábio Vieira na esquerda fez a bola viajar até Otávio, que apanhou a bola fora da área para um remate rasteiro de primeira a bater Luiz Júnior, aparentemente traído, na abordagem, pelo amontoado de jogadores à sua frente.

Estilo rolo compressor, o FC Porto carregou após o 1-0 para cedo resolver o assunto e Díaz teve uma das perdidas da noite, após excelente jogada de Vitinha e Fábio Vieira (29m). Depois, o Famalicão soltou-se um bocadinho e até Diogo Costa teve de sair da área para evitar que Bruno Rodrigues criasse males, à altura, improváveis.

Sol de pouca dura, pois só daria FC Porto a seguir. Bruno Costa e Evanilson já tinham ameaçado e Luis Díaz lá fez o 2-0 para o 14.º golo na Liga: isolado por Otávio, atirou a contar num remate em arco ao minuto 37.

Não escandalizariam outros números ao intervalo, até porque Díaz viu a bola beijar o poste logo a seguir e até houve um penálti assinalado, mas depois revertido com consulta ao VAR: Otávio pisou Alex Nascimento.

Calma até à sentença e o vermelho que manchou

A segunda parte acabaria por mostrar um FC Porto menos afoito na chegada à baliza contrária. O domínio avassalador da primeira esfumou-se com o tempo e pareceu dar lugar a alguma gestão e controlo.

O Famalicão ainda teve alguma esperança num golo que animasse o jogo até ao último quarto de hora. Até marcou, mas já na compensação. Antes, a sentença chegaria pelo recém-entrado Taremi, que depois de uma primeira ameaça, faturou de penálti, assinalado por falta de Pickel sobre Díaz.

O triunfo portista só ficou mesmo manchado pela expulsão de Uribe após falta dura sobre Pepê e pelo tento de honra de Riccieli, que premiou um Famalicão que até acabou bem o jogo.

Pese isso, nada tira a este FC Porto o estatuto de líder com mais fama até agora na Liga.

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