Casa Pia-FC Porto, 0-0 (crónica)

David Marques , Estádio Nacional, Oeiras
7 jan, 22:58

Profecia de Conceição cumpre-se na Mata

Na noite em que Sérgio Conceição poderia ter entrado para a história do FC Porto, ultrapassando José Maria Pedroto como o treinador com mais vitórias na história do clube, os dragões deixaram dois pontos em Lisboa, permitiram que o Benfica se distanciasse no topo da Liga e caíram para o terceiro lugar.

O Casa Pia foi aquilo que Conceição sabia que seria. Cumpriu, no fundo, a profecia de do técnico dos azuis e brancos.

«Esperamos, talvez, das saídas mais difíceis que vamos ter.»

A equipa de Filipe Martins, que entrou para esta jornada como saiu – com a terceira melhor defesa da Liga – foi metódica, organizada, conhecedora do adversário e capaz de se adaptar a ele como poucas.

E podia ter sido mais. Não foi porque a expulsão de Lucas Soares na reta final da primeira parte obrigou-a a ter de se resumir a pouco mais do que lutar pela sobrevivência a partir daí.

Até esse momento, o FC Porto foi a equipa mais dominadora, mas depois de três jogos nos quais marcou sempre entre o primeiro e o terceiro minuto, cedo se percebeu que o campeão nacional teria mais dificuldades diante da equipa-sensação desta Liga 2022/23.

Quando um homem do Casa Pia falhava – e foram poucas as vezes na primeira parte – outro compensava-o. E é nisto que assenta a fórmula de sucesso da equipa lisboeta: na solidariedade.

Mas também na capacidade de comando de Vasco Fernandes na linha defensiva, na disciplina tática de Afonso Taira a meio-campo. E nos homens da frente, que têm permitido aos gansos sonhar.

O FC Porto dominou territorialmente na primeira parte, mas faltou-lhe quase sempre capacidade criativa para ultrapassar uma defesa quase impenetrável. O facto de os azuis e brancos terem rematado mais vezes de meia-distância do que dentro da área é sintomático das dificuldades encontradas.

Essas dificuldades foram várias vezes ultrapassadas na segunda parte, com os jogadores do Casa Pia a terem recorrentemente de estender a manta e, por isso também, chegaram mais vezes mais tarde aos duelos.

Pepê rendeu Uribe no regresso dos balneários e o jogo passou a jogar-se apenas num meio-campo, já com os lisboetas apenas com Godwin na frente mas sem capacidade para chegarem à área de Diogo Costa.

Em pouco minutos, Galeno e Taremi estiveram perto de marcar e a pressão do FC Porto chegou a ser quase insustentável após a entrada de Toni Martínez à entrada para a derradeira meia-hora.

Com cada vez mais unidades na frente - Eustáquio, André Franco e Namaso também foram a jogo para os lugares de Grujic, Wendell e João Mário - a equipa de Sérgio Conceição continuou a acumular chegadas perigosas à área e algumas oportunidades, mas além de ter pressa foi também apressada. Faltou-lhe discernimento sobretudo para encontrar os caminhos certos entre tantas pernas e a serenidade necessária para o golpe final quando esse caminho era encontrado.

Quando o bloco defensivo casapiano falhou, Ricardo Batista esteve lá para guardar a baliza. O acerto do FC Porto e a capacidade criativa é que não e o FC Porto sai do Jamor a sete pontos do líder Benfica e já a desperdiçar mais pontos após 15 jornadas em 2022/23 do que em toda a época passada.

O bicampeonato que Conceição nunca teve fica mais longe.

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