Mau tempo na Amoreira com chuva de golos no segundo tempo
O tempo muito cinzento que se fazia sentir no Estádio António Coimbra da Mota parecia prever o tipo do jogo que iria decorrer entre Estoril e Farense. Um encontro dividido entre as duas partes distintas. A primeira quase sem oportunidades, muito baseada nos remates de meia distância mas sem causar qualquer perigo às balizas, já a segunda, depois de ter caído um autêntico dilúvio sobre o relvado, fez jus à meteorologia e deu lugar a uma chuva de golos e à prática de um futebol muito mais atrativo.
Os canarinhos marcaram primeiro e acabaram por abrir um jogo que esteve quase sempre muito fechado. O Farense conseguiu empatar já nos instantes finais e conquistam um ponto precioso na luta pela fuga à despromoção, já os canarinhos falham o assalto ao sexto lugar e podem perder terreno para V. Guimarães e Casa Pia na corrida pelo «comboio Europeu».
Recorde a história deste jogo.
Um jogo que começou bastante dividido com as duas equipas a terem alguns lances de perigo relativo. O Farense rematou primeiro, por intermédio de Marco Matias depois de um ressalto à entrada da área, mas o avançado português atirou muito por cima da baliza de Robles. O Estoril respondeu pouco depois e obrigou Ricardo Velho a socar a bola para afastar um cruzamento muito perigoso feito por Pedro Carvalho.
A chuva forte e o frio que se faziam sentir no Estádio António Coimbra da Mota pareciam pouco convidativos para a prática do futebol e as equipas levaram isso à letra. Quase nenhuma ocasião se verificou até ao intervalo do encontro. O Farense cedeu a iniciativa do jogo à equipa canarinha mas os remates de Zanocelo e Jandro pouca mossa fizeram à defensiva algarvia.
Talvez na melhor oportunidade, já depois de um valente dilúvio que teimava em cair dos céus, Guitane conquista um livre em posição privilegiada, à entrada da área mas o desacerto continuou, Holsogrove não foi capaz de converter e rematou em cheio contra a barreira da defesa algarvia.
Segundo tempo com quatro minutos de «cor»
Na segunda parte o Estoril entrou com toda a força e logo aos 50 minutos coloriu o marcador de um jogo que vinha bastante cinzento da primeira metade. Guitane numa jogada «mardoniana» tirou a defensiva do Farense da frente e descobriu a movimentação de Zanocelo dentro da área. O brasileiro só teve de contornar Ricardo Velho e apontar o primeiro do jogo.
Os canarinhos vieram com outra cara para os segundos 45 minutos e logo de seguida dilataram o marcador. Depois de uma enorme defesa de Ricardo Velho a remate de Jandro, o guarda-redes do Farense já não capaz de parar a finalização de Marqués. O espanhol marcou pela oitava ocasião esta temporada e contina a ser o melhor marcador da equipa da linha.
Com a entrada de rompante do Estoril, o jogo abriu e o Farense respondeu com muito perigo. Elves Baldé, entrado pouco antes, cruzou para Miguel Menino e o médio dos algarvios obrigou Robles a uma enorme intervenção. Logo de seguida, na recarga, Rony Lopes fez o impensável e rematou ao lado de uma baliza aberta. Os homens de Faro corriam atrás do prejuízo e pouco depois voltou o perigo a rondar a baliza estorilista. No seguimento de um canto, Miguel Menino ainda colocou a bola na baliza de Robles mas o árbitro da partida anulou o lance por fora-de-jogo.
Aos 80 minutos novamente o Farense com perigo. Yusupha já no chão conseguiu rematar à meia volta e fez a bola embater em cheio no poste direito da baliza de um Robles pregado ao chão. Tantas vezes os homens de Tozé Marreco tentaram que foram recompensados com o golo, e que golo. Rui Costa ganhou a dividida com Pedro Amaral e fuzilou a baliza defendida por Robles à passagem do minuto 86.
Até ao final, o Farense ainda conseguiu chegar ao empate, que já se justificava dadas as muitas ocasiões dos algarvios depois dos golos sofridos. No tempo de compensação, Filipe Soares encontrou Miguel Menino solto de marcação na área da equipa da linha e o médio rematou forte para o fundo da baliza com a bola ainda a ressaltar na defesa estorilista e a enganar Robles.
Com este empate, o Estoril mantém o oitavo lugar na classificação mas pode ficar mais longe dos lugares europeus no final da jornada. O Farense continua em zona de despromoção mas conquista um ponto numa ronda em que os adversários diretos escorregaram.
---
A Figura: Miguel Menino.
Entrou na segunda parte, e foi dos mais inconformados com o estado do jogo. Chegou a marcar ainda no tempo regulamentar mas o lance foi anulado por fora-de-jogo. No entanto, o médio brilhou já no período de compensação e entregou o empate à equipa de Tozé Marreco.
O momento: slalom de Guitane.
Guitane foi titular na equipa de Ian Cathro e na segunda parte voltou a espalhar perfume num jogo que até então tinha poucas oportunidades. Numa jogada incrível descobriu Zanocelo para o primeiro golo do encontro.
Positivo: segunda parte do encontro.
Depois de um primeiro tempo muito fraco de ambas as partes, os segundos 45 minutos trouxeram um futebol muito melhor para os quase 1.500 adeptos presentes no Estádio António Coimbra da Mota.