«Três pontos para um lado e zero para o outro parece-me um exagero»

Vítor Maia , Estádio do Bessa, Porto
9 abr, 20:51
Boavista-Arouca

A análise do técnico do Arouca, Armando Evangelista, ao desaire no Bessa

Armando Evangelista, treinador do Arouca, em declarações na sala de imprensa do Bessa, após a derrota por 1-0 frente ao Boavista, em jogo da 29.ª jornada da Liga:

«Parece-me que a divisão de pontos poderia ser o mais adequado, tendo em conta o que foram os 90 minutos. Não houve supremacia evidente que justifique três pontos para uma equipa e zero para a outra. 

O Boavista marcou nas oportunidades que criou. Houve uma indefinição entre os dois jogadores na segunda bola, a bola ficou descoberta para lançar o Gorré na profundidade. Depois houve um aproveitamento fantástico da parte do Gorré. 

Faltou-nos definição e sangre frio no penúltimo e último toques. Lembro-me de um lance em que o Antony tem o corredor central aberto com o André de um lado e o Arsénio do outro e o passe sai adiantado para o Bracali. A definição para o último toque não foi aquele que o jogo pedia. Acho que tivemos o domínio de jogo na segunda parte, mas o Boavista defendeu-se muito bem. 

Mas é como digo. Em termos de jogo jogado, três pontos para um lado e zero para o outro parece-me um exagero grande. Mas é futebol. Quem marca, ganha. Temos de continuar a nossa caminhada pois temos mais guerras pela frente. 

Falta de opções? Não me parece que tenha sido por aí. Foi a primeira vez que entrámos em campo com três centrais. A resposta foi adequada ao que esperávamos. Face às muitas ausências por lesão e castigo, não temos conseguido dar tempo a um 'onze' que permita assimilar comportamentos e ideias de jogo e ter conforto no jogo. Mas é um desafio que estas situações nos colocam como equipa técnica.

O Oday, o Bruno e o Alan não entraram mal dentro das suas características. Poderíamos ter jogado mais pelos corredores laterais em alguns momentos e servir de outra forma quer o Bruno, quer o André. Eram as armas que tínhamos para hoje. Talvez o próximo jogo seja difícil.»

[Sobre as vitórias das equipas que estão em zona de descida]:

«É verdade que temos mais um jogo que alguns adversários, mas os três que estão atrás gostariam de estar na posição do Arouca. Se o campeonato acabasse agora, o Arouca teria cumprido os seus objetivos. A gestão do grupo passa por aí. Todos sabiam que iríamos ter uma época difícil, de muito trabalho, na qual iríamos lutar até final para alcançar os objetivos. É o que vai acontecer. Quando não vendemos sonhos, quando os jogadores sabem o que têm de fazer e o que se espera deles, metade do trabalho está feito. Depois é na raça, na qualidade e na organização. Nunca dissemos a jogador nenhum nem à comunicação social que iríamos lutar pela Europa ou para ser campeões nacionais.»

[Sobre o facto de o árbitro Vítor Ferreira ter interceptado, acidentalmente, o pontapé de Pité nos minutos finais]:

«Tenho de aceitar a justificação do juiz do jogo. As leis do jogo são claras. O que eu posso equacionar é o posicionamento do árbitro em relação à bola. Não me parece que seja o mais adequado. Quando o árbitro está entre a bola e a baliza adversária, é mais um defensor do adversário. Esse posicionamento é de quem quer defender uma baliza. Em relação ao que se passou depois, pela justificação que me deu, parece-me que as leis de jogos são claras. O posicionamento fez-me lembrar mais um jogdor do Boavista.»

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