Vítor Murta foi suspenso por seis meses e multado em mais de dois mil euros
O presidente do Boavista, Vítor Murta (Fary Faye é presidente da SAD), reagiu à condenação por discriminação, após a divulgação de um acórdão pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, nesta sexta-feira.
Em comunicado publicado no site oficial do Boavista, o responsável disse que recorreu da decisão. Uma funcionária da SAD do clube da I Liga de futebol acusou-o de assédio sexual, espoletando o processo.
«É imperativo salientar que a decisão, atualmente em fase de recurso, condena o antigo presidente do Conselho de Administração da SAD pelo cometimento de um ato de discriminação e não por assédio sexual. Assim, é completamente falso que tenha havido qualquer condenação por assédio sexual», começou por analisar o dirigente.
Depois, questionou a rapidez do processo: «Cumpre esclarecer que a audição, incluindo a inquirição de testemunhas, teve lugar na manhã da última sexta-feira [em 09 de agosto], e que a decisão, com mais de 40 páginas, foi proferida poucas horas depois. Uma espantosa rapidez que demonstra que, fosse qual fosse a defesa apresentada, a condenação estava já preparada», sustentou.
A decisão é passível de recurso para o Conselho de Justiça da FPF ou para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD). «O conforto da minha inocência impulsiona-me a lutar pela justiça, utilizando todos os meios legais ao meu dispor para combater este conjunto de mentiras, inverdades e difamações», justificou.
«O processo em questão carece de qualquer prova que possa sustentar uma condenação, tratando-se de uma autêntica aberração jurídica. Foram ouvidas diversas testemunhas que negaram os factos imputados», afirmou, dizendo ainda que esta decisão vai afetar a sua reputação e honra.
«Este é um estigma que permanecerá indelével na minha vida, independentemente da certeza absoluta que possuo de que a decisão será revertida em sede de recurso. Contudo, para aqueles que consideram que deixarei de estar atento ao que sucede com o Boavista devido a denúncias anónimas, desejo deixar claro que estão completamente enganados», concluiu.
Vítor Murta foi punido com seis meses de suspensão e 2.448 euros de multa por «comportamentos discriminatórios» de «cariz sexual», em razão do género da vítima. O processo disciplinar foi instaurado em outubro de 2023, quando ainda liderava a SAD do Boavista.
Os factos que deram origem ao processo terão ocorrido entre setembro de 2019 e meados de novembro de 2022. Fary Faye, novo presidente da SAD boavisteira, já emitiu um comunicado em que condena os atos de Vítor Murta, prejudicando a imagem do clube.