Treinador dos axadrezados destaca importância do triunfo sobre o Santa Clara e explica emoção após o jogo
Lito Vidigal, treinador do Boavista, em declarações na sala de imprensa do Estádio do Bessa, após a vitória na receção ao Santa Clara (1-0), na 24.ª jornada da Liga:
«[Ficou visivelmente emocionado após o jogo] Era um jogo muito importante, porque este ano ainda não tínhamos vencido em casa. Os nossos adeptos precisam de vitórias e motivação para virem ao estádio. Precisamos muito deles, porque transmitem uma energia muito positiva aos jogadores. Transformam a atitude dos jogadores em campo. Era importante vencer para continuarmos a alimentar o sonho. Tinha dito que, se conseguíssemos cinco vitórias, intrometíamo-nos na luta para ficar na Liga, faltam-nos quatro para essa disputa. Não vão ser pontos suficientes para o objetivo, mas pelo menos entramos nessa disputa.
Era importante uma vitória para consolidar o trabalho. Nas últimas duas semanas, a equipa cresceu e era preciso uma vitória para consolidar esse crescimento. Acredito que no próximo jogo teremos ainda mais adeptos e é importante para os jogadores sentirem-se acarinhados.»
«[Espera sofrimento até ao final da temporada?] Eu sei o que o Boavista tem passado. Se calhar, tomei um pouco essas dores também. Sei das dificuldades que o Boavista tem vivido e o esforço para ultrapassar todos estes problemas. O Boavista só conseguiu ter a possibilidade de inscrever jogadores no limite, jogadores desempregados… o presidente e a sua equipa têm trabalhado muito e também tomei essas dores para mim. Perceber o Boavista, o clube grande que é, um clube secular, das maiores instituições do país, passar por estas dificuldades e continuar a sobreviver… tomei as dores dos adeptos e da direção.
É uma fase difícil, vamos ter um final de campeonato duríssimo, mas temos de continuar a alimentar o sonho. O Boavista merece estar na Liga, é um clube grande. Com esforço, sacrifício e organização pode continuar na Liga e começar a pensar, depois de estabilizar, de outra forma que não seja só lutar para não descer.
«[Já não ganhava há quase um ano, o que permitiu esta vitória?] Há uma mudança de mentalidade. O que nos alimenta são as vitórias. Não admito que vamos competir num jogo e não acreditemos que é possível vencer. Essa mudança de atitude vai-se notando nos jogadores. Leva tempo, não temos assim tanto, mas há pequenas nuances que temos de trabalhar com mais afinco, reforçar, repetir e deixar os aspetos do jogo que são secundários mais para a frente. Não há muito tempo para trabalhar tudo, temos de nos focar no que podemos desenvolver para sermos competitivos e vencermos. Os jogadores estão de parabéns. Acredito que, com tempo, atitude e a postura que estão a ter, vamos transformar isto num pequeno exército, numa equipa que acredita que, independentemente do adversário e das dificuldades, tem possibilidades de vencer.
«[Boavista tem a pior defesa do campeonato, mas manteve a baliza a zeros] Já trabalhámos isso nas semanas anteriores, houve a integração e novos jogadores e requer tempo. Não é em duas sessões de treino que se percebe o que se pretende. É um trabalho continuado. Quando melhoramos um aspeto, percebemos que há outro mais fragilizado e trabalhamos nesse. A equipa está em constante crescimento. As equipas podem sempre evoluir, primeiro com o trabalho e, depois, com introdução de novos jogadores, com características diferentes. É um ciclo que não tem fim. Se se quiser continuar a crescer, é um processo sem fim. A ideia é tornar a equipa melhor e mais preparada.»