Acórdão foi divulgado esta sexta-feira pelo Conselho de Disciplina da FPF
O presidente do Boavista, Vítor Murta, foi condenado pelo Conselho de Disciplina (CD) da FPF por assédio sexual a uma funcionária da SAD do clube, detalhou o órgão federativo.
«Exercendo um papel de autoridade sobre a ofendida, adotou quanto à mesma comportamentos ofensivos e discriminatórios em função do género, escolhendo a ofendida, enquanto mulher, como destinatária das suas expressões e alusões grosseiras, e de comportamentos inconvenientes e que importunavam a ofendida, isto por lhe atribuir um papel de género, por a ver como alguém sobre quem, por essa circunstância, poderia exercer os seus poderes e prerrogativas, coisificando a ofendida e ferindo, assim, a sua dignidade», pode ler-se no acórdão divulgado pelo Conselho de Disciplina.
Na última segunda-feira, o órgão federativo já tinha dado conta da suspensão de seis meses aplicada a Vítor Murta e assim como uma multa de 2.448 euros, que atualmente preside apenas o clube por «comportamentos discriminatórios», na sequência de um processo disciplinar instaurado no início de outubro.
«Durante o período de tempo em que a ofendida trabalhou na Boavista SAD, concretamente entre setembro de 2019 e meados de novembro de 2022, o arguido adotou, designadamente por meio de expressões e alusões grosseiras, comportamentos inconvenientes e que importunavam a ofendida, à data dos factos ainda bastante jovem», explicou o CD, numa decisão passível de recurso para o Conselho de Justiça da FPF ou para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD).
Em causa estão infrações ao artigo 137.º do Regulamento Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), que pune «os dirigentes que tenham comportamentos que atentem contra a dignidade humana, em função da raça, cor, língua, religião, origem étnica, género ou orientação sexual».
Mais tarde, a SAD axadrezada reagiu à condenação ao presidente do clube através de um comunicado e assegurou que «tomará as medidas necessárias» e irá agir «com a firmeza que a gravidade dos factos exige».
«Os acontecimentos em questão mancham gravemente a imagem do Boavista, uma instituição com uma longa trajetória de respeito, dedicação ao desporto e compromisso com a comunidade. As infrações relatadas revestem-se de uma gravidade extrema e que violam a dignidade humana, não podendo, sob qualquer circunstância, ser toleradas ou relativizadas», observou a direção liderada pelo senegalês Fary.
«Perante esta situação, a Boavista SAD tomará as medidas necessárias, agindo com a firmeza que a gravidade dos factos exige, e espera que todos, sem exceção, assumam integralmente as suas responsabilidades. O novo Conselho de Administração reafirma o compromisso inabalável de defender a honra e a integridade desta instituição, mantendo sempre como prioridade os valores da ética e do respeito por todos», lê-se ainda na nota divulgada na página oficial do Boavista.
[artigo originalmente escrito às 12h02 e atualizado com o comunicado da SAD do Boavista às 14h51]