Uma pantera que resiste
Moribunda, em claras dificuldades e quase sem fôlego. A pantera já passou várias vezes por essa circunstância esta época, estando quase sem sinais vitais, mas na luta pela sobrevivência deixa sobressair o seu instinto para se manter viva. Uma pantera que resiste.
Na Vila das Aves, num duelo de aflitos, este foi desígnio do Boavista: esteve a perder e, virtualmente despromovido ao segundo escalão durante cinco minutos. Mas, reergueu-se com golos de Seba Pérez e Diaby, lançando a confusão na cauda da tabela. Farense, AVS e Boavista estão, agora, igualados com 24 pontosa.
Comunhão entre adeptos e jogadores, enorme festa no final do jogo no relvado. Uma só pantera, em uníssimo na simbiose entre equipa e bancada, a fazer permanecer a expetativa de um Boavista a quem muitos já terão vaticinado a despromoção.
À flor da relva, a realidade é que o futebol jogado não deixou transparecer a importância do jogo. A luta pela sobrevivência teve pouca intensidade e faltaram quase todos os predicados deste tipo de jogos. Faltou nervo, faltou crença, faltou o grito e a raiva numa primeira instância. Uma realidade que, contudo, se fez sentir na reta final. Já lá vamos.
Num regresso ao sistema de quatro defesas, foi a equipa da casa, o AVS a estar por cima nos primeiros quarenta e cinco minutos. Quase sempre com cruzamentos despejados para a área, Vaclik foi chamado a intervir para manter a baliza axadrezada a zeros, assinando uma grande defesa a negar o golo a Devenish.
Sem fio de jogo, demonstrando pouca acutilância e pouca conexão entre setores, apenas em cima do intervalo a turma do Bessa deu um ar da sua graça, quando Salvador Agra armou um remate acrobático no interior da área que resvalou para canto, animando os milhares de adeptos boavisteiros.
Um bom momento que teve sequência após o descanso, com a crença axadrezada a fazer-se sentir no reatar do encontro. Uma série de cruzamentos potencialmente perigosos revitalizaram os sinais vitais da pantera antes de faltar o fôlego quando Nené abanou as redes.
Livre cobrado por Piazon no lado direito, na área o veterano avançado desviou de forma subtil de Vaclik atirando, virtualmente, o Boavista para o segundo escalão. Um nó na garganta que durou apenas cinco minutos. Com a braçadeira de capitão, Seba Pérez encheu o pé de fora da área para igualar o encontro. Grande golo do colombiano, o primeiro grito da pantera.
A reta final do jogo foi de loucos. Bola cá, bola lá, oportunidades de parte a parte, mas com claro ascendente do Boavista. Abascal ainda fez a bola embater no ferro, até Diaby selar a reviravolta e o triunfo ao minuto 89 num remate cruzado, impondo o oitavo jogo consecutivo sem ganhar ao AVS.
Terceiro triunfo consecutivo fora de portas do Boavista, que conquista nove pontos em quinze possíveis, mantendo os sinais vitais. Segue-se a receção ao FC Porto em novo duelo decisivo. O AVS cai, pela primeira vez, para os lugares de descida direta. Desloca-se à Amadora na próxima ronda.
A FIGURA: Seba Pérez
Valor acrescentado no meio campo do Boavista. Com a ansiedade à flor da pele, o colombiano manteve a serenidade da equipa. Sempre bem posicionado, teve capacidade para pensar o jogo. Resgatou a pantera da desvantagem com um grande golo de fora da área a estabelecer, na altura, o empate.
O MOMENTO: o epílogo axadrezado por Diaby (89’)
O cronometro aproximava-se do final, a ansiedade era uma realidade na Vila das Aves, quando Diaby levou ao delírio os cerca de mil adeptos do Boavista. Em boa posição a partir do lado esquerdo, o extremo remata cruzado para fora do alcance de Ochoa, fazendo a bola entrar na malha lateral. Um golo que mantém a pantera viva.