Benfica aprendeu a lição
O Benfica aprendeu com os erros cometidos em Vila do Conde e venceu com tranquilidade em Barcelos, para voltar a apanhar o Sporting na liderança da Liga.
Se, no último jogo do campeonato, os encarnados não souberam ofuscar o adversário e, por isso, apanharam um valente susto, desta vez a equipa de Bruno Lage quase não deu espaço para que o Gil Vicente ousasse outro resultado que não a derrota (3-0) e controlou de princípio a fim.
Após a paragem para os jogos das seleções, Lage surpreendeu com Andrea Belotti na frente de ataque. A apoiar o italiano, estiveram Bruma e Zeki Amdouni – dois dos melhores em campo.
Já César Peixoto, fez três mexidas nos três diferentes setores, com especial relevo para Rúben Fernandes. O capitão dos barcelenses, que nas últimas jornadas tinha rubricado exibições inconstantes, ficou no banco. Também Fujimoto e Carlos Eduardo foram suplentes, para as entradas de Tidjany Touré e Pablo. A estratégia, seja ela qual fosse, esteve longe de dar frutos.
Isto porque os encarnados entraram melhor, com excelente reação à perda, muitas trocas posicionais e combinações a envolver vários jogadores no meio. Depois de uma primeira ocasião de Aursnes na cara de Andrew logo a abrir, Pablo assustou com um cabeceamento para defesa de Trubin. Foi o único perigo que os gilistas criaram no primeiro tempo.
A superioridade encarnada prosseguiu, com Amdouni e Bruma em particular destaque. Aos 22 minutos, após lance de Bruma, Aursnes não perdoou e fez o primeiro.
Jogava-se praticamente apenas no meio-campo da equipa barcelense e o golo apareceu com naturalidade. Se tinha facilitado na finalização logo nos primeiros minutos, desta vez Aursnes não perdoou. Mas há que dar mérito a Bruma – que esteve eletrizante na esquerda – pela jogada, mas sobretudo pelo passe que assinou para o norueguês rematar na zona de penálti.
A boa notícia para o Gil Vicente era que estava vivo no resultado ao intervalo. O cenário, no entanto, complicou quando estavam decorridos apenas cinco minutos da segunda parte. Belotti, depois de uma primeira parte de muito sacrifício e combatividade, lá conseguiu o golo, com uma finalização à ponta de lança. Tudo começou num livre cobrado por Orkun Kökcü, que colocou em António Silva e o central serviu Belotti.
Com o 2-0, o jogo mudou de figurino, também porque vieram as substituições – Tomás Araújo saiu com queixas físicas ainda antes da hora de jogo.
O Benfica quis gerir o jogo sem perder de vista a baliza, enquanto César Peixoto conseguiu fazer subir a equipa no terreno e, aqui e acolá, só o desacerto na definição impossibilitou que Trubin tivesse mais trabalho.
A última meia hora teve pouca história. Ainda deu para Ángel Di María regressar aos relvados e sentir o maior aplauso da noite. O argentino ficou à beira do golo aos 77 minutos e, já em tempo de descontos, selou as contas. Sofreu o penálti, converteu e colocou a cereja no topo do bolo, pelo menos para a grande maioria que fez do Cidade de Barcelos uma Mini-Luz. Isto com Andreas Schjelderup a ver tudo das bancadas, algo que a gestão do cansaço poderá justificar.
3-0. O Benfica vence o jogo em atraso, engata a sétima vitória consecutiva no campeonato e prova que está num bom momento, assim como deixa antever uma luta entretida pelo título até ao final, até porque Lage tem um plantel recheado de opções, sem paralelo em Portugal, pelo menos na variedade.
Já o caso gilista, é bem mais complicado. São nove jogos sem vencer (a última vitória foi frente ao FC Porto) e o fantasma da luta pela manutenção não vai embora.
