Estoril-Benfica, 1-2 (crónica)

Ricardo Gouveia , Estádio António Coimbra da Mota
3 mai 2025, 22:30
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Da tranquilidade absoluta, ao sofrimento extremo

O Benfica veio ao António Coimbra da Mota bater o Estoril por 2-1 e, desta forma, garantiu que chega ao dérbi da próxima semana nas melhores condições para reclamar o 39.º título. A equipa de Bruno Lage chegou ao intervalo a vencer por 2-0 e com um controlo absoluto sobre o jogo, mas depois cedeu um penálti, defendido por Trubin, concedeu um golo e acabou o jogo com o coração nas mãos.

Ficou o essencial, uma vitória que permite ao Benfica destacar-se no topo da classificação e colocar toda a pressão sobre o Sporting que, este domingo, recebe o Gil Vicente, no Estádio de Alvalade, antes da deslocação à Luz, no jogo que pode decidir este campeonato. A equipa de Bruno Lage tremeu, mas cumpriu a sua parte, antes da receção aos leões marcada para o próximo sábado.

Confira o FILME DO JOGO

Esta noite, o Estoril até entrou bem no jogo, com um bloco subido e uma posse de bola interessante, com João Carvalho a levar a equipa para a frente, em rápidas combinações com Pedro Carvalho e Begraoui, mas o Benfica começou a explorar as costas da defesa canarinha e não demorou muito a a recolher dividendos.

Fredrik Aursnes deu o primeiro sinal, logo aos cinco minutos, quando, depois de uma recuperação de Arturkoglu, surgiu destacado no corredor central, invadiu a área, mas não conseguiu bater Joel Robles. Um falhanço incrível que gerou um burburinho nas bancadas que ainda se ouvia quando Aursnes, num lance tirado a papel químico do anterior, voltou a aparecer destacado, a passe de Kokçu, mas, desta vez, atirou a contar.

Um golo muito festejado pelos adeptos e que tranquilizava ainda mais o candidato ao título que, logo após o golo, abrandou o ritmo, deixou o Estoril correr, mas continuou a ter um controlo absoluto sobre o jogo. O Benfica deixava o adversário subir no terreno, mas depois fechava-lhe a porta e saía a jogar, com um futebol muito vertical, chegando em dois ou três passes à área contrária, muitas vezes pelo corredor central. Pavlidis, sempre muito em jogo, mas muitas vezes de costas para a baliza, contou com duas oportunidades soberanas para ampliar a vantagem, mas em ambas estava adiantado. O Estoril, com uma exibição personalizada, continuava a incomodar na zona intermediária, com um bloco subido, mas nunca teve espaços para visar a baliza de Trubin.

O segundo golo chegou, já aos 36 minutos, com dois dos protagonistas da goleada ao AVS. Samuel Dahl, que manteve a titularidade, agora mais recuado, no lugar do castigado Alvaro Carreras, cruzou da direita, na marcação de um livre, para o segundo poste, onde surgiu Nico Otamendi, à vontade, a cabecear para o 2-0. O capitão do Benfica dava o exemplo e marcava pela segunda jornada consecutiva.

Um segundo golo que deixou as bancadas novamente em festa e consolidava a vantagem do Benfica que tinha, nesta altura, um crescente controlo sobre o Estoril que chegou ao intervalo sem conseguir fazer um remate enquadrado.

A segunda parte começou com um controlo ainda mais absoluto do Benfica que, com um bloco subido, prendeu o Estoril junto à sua área, gerindo o jogo longe da sua baliza, com o adversário completamente manietado.

Os minutos corriam para o fim, com o Benfica em gestão, mas o jogo ainda viria a animar. Primeiro Zeki Amdouni teve de sair, com queixas na coxa direita, e cedeu o lugar a Schjelderup. Pouco depois, na sequência de uma paragem, para Jandro receber assistência, Begraoui invadiu a área e foi derrubado por Otamendi. O Estoril ainda colocou a bola na baliza de Trubin, mas o árbitro já tinha interrompido para assinalar o castigo máximo.

Apreensão entre os adeptos do Benfica, mas Begraoui, desde a marca dos onze metros, permitiu a defesa de Trubin e, na recarga, Vinicius Zanocelo atirou à barra. Os adeptos do Benfica festejaram como se tivesse sido marcado um terceiro golo.

Ian Cathro não ficou nada satisfeito e, logo a seguir, procurou agitar a sua equipa com as entradas de Rafik Guitane e Alejandro Marqués. Os canarinhos aceleraram de imediato o jogo e colocaram o Benfica, até aqui demasiado confortável no jogo, em dificuldades. Alejandro MArqués teve uma oportunidade soberana para marcar, mas, entre tantos dribles, o avançado esqueceu-se de marcar. A verdade é que o Benfica parecia estar a adormecer e era o Estoril que, agora, tinha a iniciativa.

Um Estoril transfigurado, acutilante, que acabou mesmo por chegar ao golo, com Rafik Guitane a cruzar para a cabeçada de Zanocelo, face uma gritante passividade da defesa encarnada. Com o Estoril a crescer no jogo, Ian Cathro lançou ainda Gonçalo Costa para a frente e a tensão disparou no relvado e nas bancadas.

Um jogo que parecia completamente controlado, estava agora com o resultado em aberto e com o Benfica com o coração nas mãos. A tensão continuou a subir, Ricardo Rocha foi expulso do banco,  por protestos, mas os encarnados seguraram a curta vantagem que lhe permite chegar ao dérbi em condições de antecipar o título.

O jogo acabou com os adeptos, muitos deles já sem unhas, a pedir o 39.º título.

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