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Benfica-Vitória, 3-0 (crónica)

Ricardo Gouveia , Estádio da Luz
21 mar, 19:57
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Três erros, três golos

Um Benfica de serviços mínimos chegou para derrubar um Vitória em reconstrução esta tarde no Estádio da Luz. Bastou uma entrada forte o jogo até chegar ao primeiro golo, para depois levantar o pé e passar a jogar sobre os erros do adversário que foram muitos. Aproveitou Richard Ríos que, com duas recuperações, contribuiu de forma decisiva para a reabilitação de Prestianni e para o regresso aos golos de Pavlidis. A equipa da Luz, sem grade esforço, sobe, assim, ao segundo lugar, com mais três pontos do que o Sporting que, agora, tem dois jogos em atraso.

Um parenteses antes do início do jogo para a bonita homenagem a Silvino Louro que deixou José Mourinho, de regresso aobanco, extremamente emocionado, com lágrimas nos olhos. Um minuto de silêncio, salpicado com aplausos e com imagens do antigo guarda-redes que defendeu a baliza do Benfica ao longo de uma década.

Confira o FILME DO JOGO

Com Nico Otamendi ainda limitado, no banco, Mourinho resolveu o problema no eixo central com o recuo de outro argentino, com Enzo Barrenechea a juntar-se a Tomás Araújo, mas o treinador foi mais longe nas alterações em relação ao último jogo em Arouca, refrescando também a frente de ataque, com Sudakov e Prestianni a juntarem-se a Schjelderup no apoio direto a Pavlidis, em detrimento de Rafa Silva e Lukébakio.

Mudanças que resultaram num bloco coeso que entrou com tudo no jogo, com linhas bem subidas, a  obrigar, desde logo, o Vitória a recuar em toda a linha. Com Prestianni e Schjeldeup bem abertos sobre as alas, o Benfica obrigava o Vitória a alargar a sua defesa e a abrir muitos espaços no corredor central para as entradas de Sudakov, Richard Ríos e Prestianni.

Gil Lameiras, por seu lado, abdicou de alguns criativos, para tentar montar um bloco mais coeso, mas a verdade é que o bloco do Vitória parecia que ia desfazer-se a qualquer momento, face à intensidade que a equipa da casa aplicou nos instantes iniciais. A equipa minhota sentia dificuldades em recuperar a bola e quando o conseguia, cometia erros atrás de erros.

E foi assim que nasceu o golo do Benfica, com Richard Ríos a roubar uma bola a Samu e a arrancar pelo corredor central. Parecia que o colombiano ia direito à baliza de Charles, mas derivou para a direita e passou atrasado para o remate certeiro de Prestianni. A bola ainda sofreu um desvio, mas seguiu imparável ao encontro das redes. Foi o primeiro momento de glória para o argentino depois do controverso caso com Vinicius.

Grande festa na Luz, mas, logo a seguir, o Benfica transfigurou-se. O Benfica recuou no campo, cedeu a posse de bola ao Vitória e passou a jogar em transições. De um momento para o outro, o Vitória era agora o dono da bola e o tribunal da Luz não gostou. É verdade que o Benfica podia ter voltado a marcar numa ou noutra transição, mas permitiu que o Vitória fosse crescendo a olhos vistos no jogo. Os minhotos conquistaram dois cantos e chegaram mesmo a ameaçar o empate, num desvio de Nélson Oliveira, a cruzamento de Strata, que levou a bola a passar muito perto do segundo poste.

O Vitória mandou mesmo no jogo até ao intervalo, diante de um Benfica que parecia cada vez mais apático e pouco interessado em recuperar a intensidade que demonstrou nos primeiros quinze minutos.

Mais dois erros, mais dois golos

Esperavam-se mudanças, pelo menos de atitude, no arranque da segunda parte, mas a verdade é que o jogo recomeçou exatamente nos mesmos termos com que tinha chegado ao intervalo, com o Vitória a marcar o ritmo e outra vez com uma elevada posse de bola. O Benfica prosseguiu com um bloco coeso, mas claramente na expetativa em relação ao que o adversário poderia proporcionar. O Vitória voltou a estar muito perto do empate, num remate de Miguel Nogueira que sofreu u desvio e quase traiu Trubin que defendeu com as pernas.

A verdade é que o jogo de paciência do Benfica voltou a dar rendimento, quando Beni, com uma bola controlada, atrapalhou-se e permitiu que Richard Ríos, com mais uma recuperação, tocasse para o lado para Pavlidis regressar aos golos. Depois de seis jogos em jejum, o internacional grego voltou aos golos e, com 28, está a apenas um dos que marcou na temporada passada.

O Benfica dobrava a vantagem e Gil Lameiras reagiu no banco, lançando Gustavo Silva e Saviolo para a contenda. O Vitória continuava com mais bola, mas foi o Benfica, agora com alguma felicidade, que chegou ao 3-0, num cruzamento que parecia inofensivo de Alexander Bah. Pavlidis deu apenas um pequeno toque na bola, mas Beni voltou a atrapalhar-se e desviou para a própria baliza.

Estava feito. O Benfica não precisou de correr muito, não precisou de impor o seu jogo, bastou aguardar, com paciência pelos erros do Vitória, para ir alargando a vantagem. Foi já depois do 3-0 que Mourinho começou a mexer na equipa, lançando sucessivamente Rafa, Sydni Cabral, Ivanovic, Lukébakio e ainda Manu. Agora o Benfica estava nas sete quintas, com as bancadas em ebulição e total descontração sobre o relvado. Rafa quase que marcou na primeira oportunidade e o Vitória acorreu o risco de regressar a casa com uma derrota ainda mais pesada.

A verdade é que o Vitória, nesta altura, já não tinha pernas, nem pulmões para continuar a tentar chegar à frente e o Benfica também deixou o jogo correr, com as bancadas em festa, até ao seu final.

O Benfica segue, assim, invicto neste campeonato e ultrapassa o Sporting, pelo menos à condição, até aos leões entrarem em campo este domingo.

 

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