Benfica-V. Guimarães, 1-0 (crónica)

David Marques , Estádio da Luz, Lisboa
7 dez 2024, 20:22
Benfica-Vitória (TIAGO PETINGA/LUSA)

Que estranha (nova) forma de vida

A cinco, a oito ou a 11 pontos da frente. Esta foi a vida do Benfica quando entrara em campo nos últimos três meses, pelo jogo em atraso e dependendo se jogava antes ou depois do Sporting, imaculado até à entrada da 12.ª jornada.

Os dois tropeções do campeão e ainda líder do campeonato deram à equipa de Bruno Lage uma margem de manobra com a qual talvez não contasse tão cedo.

Sem esse lastro sobre as asas, seria expectável que, mais leve, a águia fosse capaz de voar mais alto, mas neste sábado teve, frente a uma das mais competentes equipas do campeonato, uma das vitórias mais suadas desde que o técnico setubalense regressou à Luz.

Na noite em que faltou Kökcü – cumpriu castigo por acumulação de amarelos e foi rendido no onze por Leandro Barreiro – faltou muito mais às águias do que o critério do médio turco.

Os encarnados tiveram todos os outros dez jogadores em campo, mas faltou-lhes a arte de Di María, a solidez de Florentino, a capacidade de Aursnes fazer quase tudo bem e até o impacto que as opções saídas do banco habitualmente têm.

Parte do demérito das águias pela noite menos conseguida deve-se à própria equipa de Bruno Lage, mas muito dele é da responsabilidade do Vitória, tremendamente bem organizado defensivamente e capaz de instalar a dúvida no adversário a cada saída para o ataque.

O conjunto orientado por Rui Borges fez mais remates durante o jogo e regressou a casa com a sensação de que podia ter sido a primeira equipa nesta Liga a roubar pontos ao Benfica na Luz.

Quando aquele remate de pé direito de Aktürkoglu tocou o fundo das redes de Bruno Varela, os quase 60 mil adeptos do Benfica respiraram de alívio. Para trás tinham ficado quase 30 minutos de tensão e impaciência das bancadas a cada má definição no meio-campo ofensivo ou a cada hesitação de Florentino.

O golo poderia ter lançado os encarnados para um resto de noite mais tranquila, mas cedo se percebeu que o jogo teria de ser vencido à base de muita transpiração. O Vitória manteve-se fiel à estratégia adotada. E bem, porque na verdade nunca foi na Luz o que muitas outras equipas costumam ser: defensivas.

Se é verdade que, ofensivamente, faltou aos homens de Lage a capacidade criativa de outras noites, há que dizê-lo também que lhes faltou a eficácia que também ajudou a decidir outros jogos. Aktürkoglu falhou o 2-0 a fechar a primeira parte e Pavlidis manteve os adeptos em sobressalto quando aquele remate de pé esquerdo sobrevoou a barra da baliza de Bruno Varela aos 78 minutos, o que também alimentou a crença dos visitantes, que também ameaçaram três vezes só na segunda parte.

O Benfica sai da 13.ª jornada com a oitava vitória seguida na Liga, a dois pontos do líder Sporting, com 80 minutos por realizar de um jogo, mais margem de manobra e, agora, sem o peso de cada jogo ser uma espécie de final.

Que estranha (nova) forma de vida.

 

Liga

Mais Liga