Sudakov, o pianista carregador
A Figura: Heorhiy Sudakov
Dantes, falava-se volta e meia no 'carregador de piano' - aquele jogador que trabalhava para que outros brilhassem mais à frente. Sudakov inverteu um pouco essa expressão no Dérbi. Foi sempre o pianista, aquele que trouxe maior veludo no toque de bola. Mas também, curiosamente, apenas marcou golo através da entrega e da combatividade. Dentro da pequena área contrária, roubou a bola a Catamo e encostou em esforço. Por isso, talvez lhe seja mais adequada a expressão 'pianista carregador'. Foi ainda perigoso nas bolas paradas e nunca entregou a posse de barato. Faltou-lhe apenas mais espaço no último terço.
O Momento: golo de Heorhiy Sudakov, 27m
Ainda a lamber as feridas do golo de Pote, o Benfica demorou alguns minutos a ser novamente perigoso. Numa das primeiras chegadas à grande área adversária, teve a felicidade de chegar ao golo. Ríos teve um passe primoroso para Dedic, respeitando o movimento do lateral, e este cruzou para o segundo poste. Sudakov lutou e marcou o empate.
Outros destaques:
Richard Ríos: fez uso do sangue latino neste dérbi quente. Orientava os companheiros, celebrava cortes, entrou na cabeça de Maxi Araújo... e deu mais cor ao dérbi vermelho, verde e branco. Teve um bom remate de pé esquerdo aos 81 minutos e quase assistia aos 75, de cabeça, num livre estudado.
Leandro Barreiro: fiel a si mesmo, o internacional luxemburguês jogou nas costas do ponta-de-lança Pavlidis não pela grande capacidade com bola (que não tem), mas pela entrega que dá ao jogo, especialmente sem o esférico. Pressionou e disputou cada bola para fazer com que o Benfica ganhasse metros no terreno.
Amar Dedic: num corredor direito entregue ao bósnio e ao improvisado Fredrik Aursnes, coube a Dedic dar a profundidade e atacar a linha de fundo. A sua velocidade e sagacidade a atacar o espaço foi essencial na jogada do 1-1, a cruzar bem para uma zona perigosa onde Sudakov conseguiu marcar (à segunda).
Nico Otamendi: aos 37 anos, é essencial na manobra defensiva benfiquista. Teve um corte providencial a evitar um remate de Luis Suárez, aos 45+1m, quando o colombiano já parecia destinado a marcar. Mostrou uma tranquilidade com bola muito superior a, por exemplo, António Silva, seu colega de setor.