2025 a fazer lembrar... 2020
Ano Novo é tempo de resoluções. Novas metas, ambições e esperança renovada. Terá sido com esse espírito que Carlos Carvalhal e os homens do Sp. Braga partiram para 2025… mas talvez o mesmo não se possa dizer do Benfica de Bruno Lage. Ambas as equipas vinham de derrotas no Ano Velho e uma delas teve mais dificuldade em digerir as passas do Ano Novo, na tentativa de que estas surtissem efeito.
O Sp. Braga venceu o Benfica no Estádio da Luz, neste sábado, por 2-1, e fez algo que tinha conseguido pela última vez em 2020. Cinco anos depois, os protagonistas são quase os mesmos - Carlos Carvalhal era o treinador bracarense nesse 3-2.
Meses antes, em fevereiro, os arsenalistas tinham conseguido outra vitória na Luz… e Bruno Lage orientava o Benfica. Foi um dos jogos que marcou o início do fim do primeiro reinado do técnico no clube, algo que o setubalense certamente quererá evitar em 2025.
O espumante pertenceu ao Sp. Braga neste sábado. Um golo do estreante Fran Navarro, emprestado pelo FC Porto, e um cabeceamento fortíssimo de Robson Bambu sobrepuseram-se a um tento de Arthur Cabral, num belo remate de fora da área. O aprendiz Bruno Lage perdeu com o mestre Carlos Carvalhal.
Benfica caiu no engodo de Carvalhal na primeira parte
Na primeira parte, o Benfica caiu no engodo apresentado por Carlos Carvalhal. Um 5-4-1 a defender que se transformava em 3-4-3 no momento atacante. Momento esse que, muitas das vezes, se tratava de uma transição rápida.
Mas a defender, aquele 5-4-1 fazia com que o Benfica tivesse uma posse de bola algo estéril, lenta, lateralizada, e assim ficava mais fácil conter os ataques adversários. Na transição, Bruma e Ricardo Horta faziam estragos.
Carvalhal apresentou uma verdadeira revolução face à derrota com o Casa Pia, com seis alterações. João Ferreira, Roger, João Moutinho, Zalazar, Yuri Ribeiro e El Ouazzani saíram da equipa para entrar Victor Gómez, Adrián Marín, Vítor Carvalho, Gorby, Gabri Martínez e o estreante Fran Navarro.
Já o Benfica, que também vinha de uma derrota, teve duas alterações – Vangelis Pavlidis por Zeki Amdouni e Leandro Barreiro por Florentino Luís. Orkun Kokçu era o dono do vértice mais recuado, tal como já tinha sido na segunda parte do jogo com o Sporting.
Foi o grego, regressado ao onze inicial, que deu o primeiro sinal de perigo. Aos 10 minutos, fez um belo movimento nas costas da defesa bracarense para receber um passe com peso, conta e medida de Bah. Pavlidis contornou Matheus mas… acertou no poste. O ângulo era apertado.
Aos 17m, chegou o golo dos visitantes. Com alguma passividade defensiva do Benfica, Victor Gómez teve tempo e espaço para fazer um passe em desmarcação para Navarro. No meio dos dois centrais (que terão ficado confusos na marcação), o espanhol esgueirou-se e atirou para o fundo das redes, batendo Trubin.
Noutra situação de transição, aos 25m, o Benfica ficou em dois para três. Um momento que só não deu em golo porque Bruma não teve a melhor decisão e Otamendi estava atento no corte. O Benfica perdia bolas no ataque, com muito desacerto de Akturkoglu, Pavlidis e poucas opções para Di María.
Eventualmente, chegou o segundo golo do Sp. Braga, que caiu que nem um ‘balde de água fria’ no Estádio da Luz. Nova transição, canto para os visitantes e golo de cabeça. Robson Bambu saltou mais alto do que todos e, perante a passividade, marcou golo. Bela cabeçada.
Arthur Cabral mostrou serviço mas a reação... foi pífia
Ao intervalo, assobiadela gigantesca na Luz. Tanto um como outro treinador operaram mudanças ao intervalo. Lage tirou Aursnes para fazer entrar Arthur Cabral e mudou a equipa para um 4-4-2. Já Carlos Carvalhal trocou o amarelado Gorby pelo estreante Diego, de 19 anos.
O início da segunda parte trouxe nervosismo benfiquista no relvado e nas bancadas. Pouco critério no ataque, Matheus Magalhães sem trabalho e o Braga remetido à defesa. Perante este cenário, Bruno Lage fez entrar três jogadores depois da hora de jogo – Renato Sanches, Andreas Schjelderup e Zeki Amdouni. Pernas frescas para o último terço.
O Benfica carregou, o Braga recuou e Arthur Cabral mostrou serviço com um golo. A bola sobrou à entrada da área, Cabral virou-se e rematou rasteiro e colocado, de pé esquerdo, de fora da área do Braga. Matheus nada pôde fazer. Os últimos minutos tiveram mais coração do que cabeça e até foi o Benfica que esteve mais perto de sofrer, em contra-ataque, após remate de Bruma.
Em dois dias, duas equipas candidatas ao título são travadas por equipas minhotas. O Sporting empatou no reduto do Vitória de Guimarães (4-4) mas mantém a liderança, com 41 pontos. O Benfica fica com os mesmos 38, em terceiro, e o FC Porto pode agora saltar para primeiro. Já o Sp. Braga soma 31 pontos e ultrapassa à condição o Santa Clara, em quarto lugar.