Ainda à procura de um toque de Midas
Após um empate (contra dez homens) ante o Santa Clara e uma derrota inédita perante o Qarabag, o Benfica continua a sofrer em casa, mesmo com um novo treinador... nada mais, nada menos, do que José Mourinho.
O 'Special One' tem avisado de que procura colocar devagarinho o seu «dedo» no Benfica, em vez prometer uma mão cheia de futebol nestes primeiros jogos. Porém, a receção ao Rio Ave trouxe os velhos problemas do Benfica - dificuldade em desbloquear blocos baixos, em apresentar criatividade no último terço e, nos momentos finais, evitar surpresas desagradáveis.
O Rio Ave conseguiu um empate já aos 90+1m com um verdadeiro golaço de André Luiz, sem hipóteses para Trubin. Um tento que anulou um belo golo de Sudakov, assistido por Lukebakio (dois jogadores que estiveram em dúvida por razões regulamentares). Recordando a lenda grega, o Benfica continua à procura de um toque de Midas, para transformar o seu futebol em ouro, quase por magia. Neste momento, roça o bronze.
Adeptos galvanizados antes do jogo, já durante...
57 mil espetadores aninharam-se na Luz para testemunhar o regresso de José Mourinho à Luz 25 anos depois, não como oponente, mas sim como treinador da casa. Bem recebido pelos adeptos, o experiente técnico português já tinha sentido um ‘gostinho’ da Luz nesta temporada em duas ocasiões. Primeiro, na Eusébio Cup; depois, no playoff que o eliminaria da Champions e... do comando técnico do Fenerbahçe. Como as coisas mudam rápido no futebol.
Ainda a procurar a impôr a sua impressão digital a nível tático, Mourinho preferiu manter o onze inicial apresentado na Vila das Aves, na sua estreia. Apesar de ter falado no desconforto que sentiu na dupla ofensiva Pavlidis e Ivanovic no jogo anterior, voltou a apostar na mesma solução.
Já Silaidopoulos fez uma autêntica revolução no onze inicial, talvez acossado pela derrota esclarecedora diante do FC Porto, por 3-0. Alinhou com uma defesa reforçada e vários médios de cariz mais posicional. Este jogo previsto para a primeira jornada cumpria-se, finalmente.
Benfica não incomodou Miszta na primeira parte
O início de jogo revelou-se algo morno. Tanto pela incapacidade do Benfica em desfeitear a defensiva do Rio Ave, como também pelo mérito dos vilacondenses em contrariar o poderio encarnado. O meio-campo do Benfica estava sufocado e tentavam criar perigo com variações de flanco e jogo direto, mas sem sucesso. De vez em quando, o avançado Marc Gual conduzia as transições dos forasteiros.
Os minutos passavam, o espetáculo faltava, e os adeptos da casa (a quem Mourinho tinha pedido apoio, antes do jogo) começaram a ficar inquietos. Assobios sempre que havia paragens promovidas pelo Rio Ave bem como às decisões de arbitragem. Ao intervalo, houve assobios tímidos e aplausos… nem ouvi-los.
O Benfica partia para o descanso sem testar o guarda-redes Cesary Miszta e este agradecia. As águias levavam para o balneário apenas um remate ao lado de Aursnes e uma tentativa de Pavlidis bloqueada pelos defesas. Argumentos para Mourinho dar um 'puxão de orelhas' aos jogadores.
Se houve, realmente, um ralhete ao intervalo, este demorou a surtir efeito. O Benfica continuava sem impôr superioridade durante os primeiros dez minutos da segunda parte, com Mourinho a confiar no mesmo plano do início do jogo. A primeira vez que Miszta efetuou uma defesa foi aos 55 minutos, a negar um cabeceamento a Pavlidis. Por outro lado, Dedic evitou uma transição perigosíssima do Rio Ave com um sprint corajoso.
Golo anulado e reta final de loucos
As bancadas da Luz festejaram finalmente aos 61 minutos... mas por pouco tempo. Otamendi ganhou um lance 'na raça' na linha de fundo, cruzou, António Silva marcou de cabeça, um defesa cortou para lá da linha de golo e Pavlidis ainda confirmou o golo na ressaca. Qual o problema? Otamendi travou Vrousai em falta antes de a bola entrar duplamente na baliza.
Por esta altura, já Sylaidopoulos tinha feito entrar Clayton e André Luiz na partida, tentando dar mais velocidade e refrescando a pressão na frente. Mourinho respondeu com Schjelderup e o estreante Dodi Lukebakio. O internacional belga entrou bem, trouxe criatividade e ainda teve uma grande chance para marcar. Tentou o chapéu, mas saiu curto. Ofereceu ainda um golo de bandeja a Ríos mas este falhou a emenda... a um metro da baliza.
Lukebakio não desistiu e conseguiu mesmo oferecer um golo. Foi até à linha de fundo e cruzou para rasteiro para a zona de penálti, com Sudakov a responder no sítio certo, sem marcação. Atirou para o segundo golo da conta pessoal na Liga.
Porém, o Benfica viria a sofrer novamente nos minutos finais. Numa transição que parecia algo inofensiva, André Luiz atirou cruzado para o poste mais distante, ainda fora da área, e acertou em cheio no fundo das redes. Que golo... e que silêncio na Luz.
Mourinho ainda lançou Henrique Araújo, mas de nada valeu. O Benfica voltou mesmo a desperdiçar pontos em casa, com 14 pontos em seis jogos. Ficam a quatro do líder FC Porto, que ainda não perdeu. Já o Rio Ave mostra outra cara e soma agora quatro pontos, na 16.ª posição.
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