A bonança antes da tempestade
Poucos dias antes da deslocação ao Estádio do Dragão, o Benfica somou três pontos na sua 'zona de conforto'. Com uma vitória personalizada sobre o Farense (a terceira esta temporada), por 3-2, a equipa de Bruno Lage deslumbrou no ataque mas também pecou na defesa, talvez mais do que o expectável.
O Benfica ganhou e muito deve a uma associação entre dois turcos e um grego. Se na diplomacia isso parece quase impensável, no futebol tudo correu bem a Aktürkoglu, Kökçü e Pavlidis nesta quarta-feira. Tomás Ribeiro, de cabeça, e Rony Lopes, em grande estilo, não deixaram o jogo morrer.
Bruno Lage tinha dado a entender, na antevisão, que iria promover mexidas no onze inicial como forma de gestão. O foco continuava no Farense, mas a gestão dos jogadores mais utilizados parecia inevitável. Como tal, Tomás Araújo e Florentino Luís nem sequer apareceram na ficha de jogo nesta quarta-feira, descansando as pernas perante uma provável titularidade no Dragão.
Lage confiou em Renato Sanches para a titularidade pela primeira vez no campeonato nesta temporada, lançou Di María desde início, pôs Dahl do lado direito da defesa e fez regressar Pavlidis e Aktürkoglu.
Parceria greco-turca espalhou classe na primeira parte
Logo de início na partida, o Benfica aproveitou um desequilíbrio do Farense para marcar o primeiro golo e libertar a pressão. Aos 6 minutos de jogo, Di María recebeu na meia direita, esperou pela passagem de Aursnes nas suas costas e deu para o norueguês, solto no corredor. Este cruzou para o rápido Aktürkoglu que encostou com facilidades para dentro da baliza. Parecia estar em fora de jogo, mas o extremo turco celebrou com a habitual varinha mágica. 'Abracadabra' logo a abrir.
O Benfica apresentava-se pressionante, forte na reação à perda de bola, com o meio-campo especialmente bem neste capítulo. Renato Sanches era o médio mais recuado do triângulo e deu boa conta de si. A atacar, procuravam a vertigem, com Aktürkoglu a dar trabalho no corredor esquerdo.
O segundo golo chegou aos 23 minutos, noutro contra-ataque rápido das águias. Trubin viu o ex-Galatasaray solto na frente, lançou tenso e este conseguiu receber nas costas da defensiva farense. Este contemporizou e libertou a bola para Vangelis Pavlidis que, no meio de três homens, teve tempo para receber e finalizar. Talvez demasiado tempo. O Benfica procurou cedo a tranquilidade, em estilo ‘Blietzkrieg’.
Seguiu-se um período de maior marasmo depois desse golo, com o Farense a perceber que tinha de baixar linhas. Os homens de Tozé Marreco tentavam ameaçar nos corredores, com Derick e Pastor bem abertos a procurar o cruzamento. Foram-se aproximando e o golo surgiu, na sequência de um canto.
Tomané saltou mais alto que todos e cabeceou à trave, enganado Trubin. Com a baliza deserta, Tomás Ribeiro, defesa emprestado pelo V. Guimarães, encostou e estreou-se a marcar pelo novo emblema. O Benfica ia para o intervalo com um aviso algarvio.
Golo contra a corrente do Farense manteve a discussão
Ao intervalo, Bruno Lage abdicou de Renato Sanches, talvez afetado por algum problema físico. Ainda esteve no chão um par de vezes após duelos com adversários. Qualquer que seja a razão, foi Leandro Barreiro que entrou no lugar do médio. A segunda parte voltou a trazer domínio benfiquista, mas que demorou um pouco a consolidar-se em ocasiões de perigo. Aos 55 minutos, chegou o 3-1.
Numa jogada de fazer levantar o estádio, Aursnes descobriu Pavlidis nas costas da defensiva farense, já dentro da grande área, este fingiu que ia rematar e assistiu Aktürkoglu para um golo fácil. O remate nem sequer foi o melhor, mas foi eficaz. Mais uma vez, belo entendimento coletivo dos atacantes. Mas, tal como na primeira parte, nem tudo foram rosas.
É que o Farense respondeu aos 63 minutos e fez o 3-2, reduzindo de novo a desvantagem. Num contra-ataque orquestrado por Rony Lopes, o extremo formado no Benfica e no Manchester City abriu para o ala Poloni e este cruzou rasteiro para o interior da área. Rony surgiu de trás para a frente e finalizou bem contra a antiga equipa. Jogo de novo relançado, mas o perigo do Farense ficou-se por aqui.
Alterando ligeiramente o velho ditado, este jogo foi 'a bonança antes da tempestade' para o Benfica. Assegurou três pontos expectáveis para a corrida do título, iguala o rival Sporting na liderança da tabela e pode finalmente pensar no Clássico no Dragão e preparar-se para raios e coriscos.