Benfica-Famalicão, 1-0 (destaques)
O único malabarista natalício
A Figura: Gianluca Prestianni
Talvez a maior aposta de Mourinho no onze inicial, o argentino jogou encostado à direita, tal como em Faro. A falta de envergadura física nem sempre lhe dá a capacidade de bater os rivais. Porém, Prestianni teve o mérito de desequilibrar num jogo muito amarrado. Tal como um malabarista, trocava as voltas aos defesas. Em altura natalícia, o argentino arrancou alguns coelhos da cartola, entregou uma prendinha a Aursnes (mas este não a soube desembrulhar) e ainda ameaçou um golo de bandeira aos 77m. Foi ovacionado na saída.
O Momento: golo de Pavlidis (g.p.), 34m
Num jogo que podia ter tido facilmente outro desenrolar, especialmente na segunda parte, dada a maneira como o Famalicão se apresentou descomplexado na Luz, foi o golo de Pavlidis que ditou a diferença. Otamendi caiu na sequência de um livre indireto, o VAR avisou o árbitro André Narciso e este apontou para a marca de onze metros. Pavlidis atirou em força e despertou a maior celebração da noite no Estádio da Luz.
Outros Destaques:
Vangelis Pavlidis: esteve lá para o que lhe competia – marcar a grande penalidade do 1-0. Nos momentos em que tem tido chances da marca dos onze metros, não tem falhado (ao contrário de Otamendi). Disparou um míssil para o fundo das redes, enganando ainda Carevic. É o melhor marcador do campeonato.
Tomás Araújo: se no início da temporada parecia um simples suplente da cimentada dupla António Silva-Otamendi, Araújo ganhou créditos desde a chegada de Mourinho. Neste duelo que exigia «concentração», como avisou Mourinho, o defesa-central foi o maior exemplo disso nos encarnados. Marcação muito atenta a Zabiri, a fazer uso da sua rapidez para lidar com o perigo na profundidade. Acabou por sair por lesão aos 56 minutos.
Amar Dedic: desequlibrador no ataque, com a habitual projeção ofensiva que lhe é reconhecida, o bósnio teve um bom momento no início da segunda parte em que corta do corredor direito para o meio e atira de pé esquerdo com perigo, mas ao lado. Defensivamente, teve o mérito de anular Sorriso, extremo imaginativo mas um pouco inconsequente.
Gustavo Sá: o recorte técnico é de outro nível. Não só em relação aos colegas do Famalicão, mas também se destaca em comparação com os atletas do Benfica, pelo menos nas raras ocasiões que teve bola. E isto é um elogio. Junta a sua técnica refinada a uma tomada de decisão esclarecida, sendo ainda bastante útil na pressão ao adversário.
Lazar Carevic: num jogo de alta dificuldade, o guardião sérvio de 26 anos teve pelo menos três boas intervenções que deixaram o Famalicão sempre na iminência de discutir o resultado.
