Benfica-Estoril, 3-1 (crónica)
Pavlidis x3 em noite que podia ter sido tudo e o seu contrário
Há jogos que se prolongam aborrecidamente no tempo e cuja história vai-se desenrolando sem surpresas. Depois, há outros que podem ser qualquer coisa.
E este Benfica-Estoril percebeu-se desde o primeiro quarto de hora que seria um grande jogo e com um fim imprevisível. Tão imprevisível que poderia ser tudo e o seu contrário: uma grande noite ou uma noite de tremendo desassossego para a equipa de José Mourinho, que acabou salva por um grego avesso a dramaturgias.
O técnico das águias planeara, por convicção e/ou obrigação, três alterações no onze, mas acabou reduzido a duas: António Silva, escalado para o onze, lesionou-se no aquecimento e Tomás Araújo, que seria poupado para a Taça da Liga, teve de avançar.
E, em campo, o Benfica andou meio desalinhado nos 20 minutos iniciais. Passes falhados em zonas de perigo, fraca definição no último terço e incapacidade para conter as transições de um Estoril que cumpriu aquilo que prometera um treinador que não tem motivação para sair da cama e tentar empatar.
Begraoui e Marqués (duas vezes) mostraram que a equipa da Linha não olhava para o Benfica com a reverência de outras que olham para um grande como um adversário de outro campeonato. Foi, também ela, grande na Luz, mostrando enorme desembaraço e qualidade de jogo do meio-campo para a frente.
Tão imprevisível que poderia ser tudo e o seu contrário.
Ainda se lembra? Quase de um momento para o outro, o Benfica, que tinha mais bola, mas era menos efetivo com ela e desequilibrado sem ela, equilibrou-se e criou três oportunidades numa janela de dois minutos: Prestianni, Manu e Tomás Araújo. Pouco depois, o VAR chamou a atenção do árbitro para uma infração de Alejandro Marqués, que afastou a bola com o braço na sequência de uma bola parada.
Pavlidis assumiu a cobrança do castigo máximo e colocou as águias na frente aos 34 minutos e dobrou a vantagem, já depois de ser levantada a placa, com um golo de bandeira que foi celebrado até ao momento em que João Carvalho marcou à antiga equipa num golo que acabou por fazer justiça ao que se tinha passado na primeira parte.
A segunda parte foi menos vertical do que a primeira. Mais cerebral, até porque aquilo que entretém os adeptos nem sempre é o que mais agrada aos treinadores.
Tanto águias como canarinhos foram menos entusiasmantes com bola, mas por aquela infiltração de Jandro, pelo remate de Begraoui à malha lateral e pelos assobios que se foram ouvindo, percebia-se que o jogo estava totalmente em aberto até que não estivesse fechado.
Ainda podia, por isso, ser tudo e o seu contrário, ou não fosse esta também a história de tantos jogos do Benfica na Luz em 2025/26.
Mourinho mexeu pela primeira vez já dentro dos últimos 15 minutos. Tirou o abnegado Prestianni e o desinspirado Sudakov e fez entrar Aursnes e Sidny Lopes Cabral que, na estreia pelos encarnados, arrancou o cruzamento que terminou com o hat-trick de Pavlidis (o que também era imprevisível) e o Benfica, no final de uma noite sofrida, mais próximo do Sporting e, até ver, do líder FC Porto.
