Benfica-AVS, 6-0 (crónica)

Ricardo Gouveia , Estádio da Luz
27 abr 2025, 19:59

Acelerador a fundo na primeira final

AVS, check. O Benfica ultrapassou a primeira das cinco «finais» que Bruno Lage definiu até ao final da época, incluindo aqui a final da Taça de Portugal, ao golear o AVS, de forma demolidora, com seis golos sem resposta. A equipa de Rui Ferreira, uma das poucas que tinha roubado pontos aos encarnados na primeira volta (1-1), veio à Luz com uma estratégia arrojada e acabou por pagar muito caro por isso. A equipa de Bruno Lage entrou em campo com a lição bem estudada e, antes da meia-hora, já tinha resolvido o jogo.

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Um jogo que começou de forma inusitada, com um pontapé longo do AVS, à procura de Akinsola que acabou por chocar com Trubin já na área do Benfica. Era um sinal para a forma arrojada como a equipa da Vila das Aves pretendia vir jogar à Luz, com um bloco subido que acabou por revelar-se muito permeável. Um erro de casting porque o Benfica aceitou o repto e arrasou o adversário, com uma entrada fulgurante no jogo, embora os dois primeiros golos tenham surgido de bola parada, diretamente saídos do laboratório de Bruno Lage.

A equipa de Bruno Lage arregaçou as mangas e foi para cima do adversário sem piedade. Akturkoglu marcou logo na resposta, lançado por Samuel Dahl, mas o golo acabou por ser anulado por fora de jogo do sueco que, segundo as linhas do VAR, estava 8 centímetros adiantado. O lateral jogou este domingo como ala, à frente de Carreras, demorou alguns minutos a calibrar a nova posição, caindo em fora de jogo por três vezes num espaço de poucos minutos, mas, a verdade, é que o sueco acabou por ser um dos destaques deste jogo e já vai perceber porquê.

O Benfica assumiu o controlo total do jogo, com uma elevada posse de bola e uma intensidade arrebatadora, com Pavlidis a cair para a direita para combinar com Kokçu e Amdouni, enquanto do lado contrário era Akturkoglu que abria caminho com o apoio precioso de Samuel Dahl. Ainda não tínhamos chegado aos cinco minutos e já cheirava a goleada por todos os lados, pela forma como Benfica conseguia penetrar facilmente na linha defensiva do AVS que se desfazia a olhos vistos face à intensidade imposta pela equipa de Bruno Lage.

Os primeiros golos, no entanto, entre muitas oportunidades, surgiram de bola parada. O primeiro, aos 8 minutos, na sequência de um canto da direita, com Kokçu a dar curto para Samuel Dahl e a cruzar de primeira para o segundo poste onde surgiu António Silva a cabecear como mandam as regras. Ochoa ainda defendeu com os pés, mas, na recarga, Tomás Araújo abriu o marcador. Um lance de laboratório de Bruno Lage que o Benfica viria a repetir, vezes sem conta, face a uma confrangedora passividade do AVS.

O segundo golo teve quase a mesma receita, novamente com um canto curto da direita, com Kokçu a combinar com Samuel Dahl e Pavlidis a entrar junto ao primeiro poste para finalizar. Tudo ao primeiro toque, com o AVS a ver jogar. A Luz, em final de tarde, começava a fervilhar.

Bola ao centro e novo golo, o primeiro de bola corrida, mas outra vez com Samuel Dahl em destaque, desta vez sobre a esquerda, a cruzar na perfeição para o corredor central, na profundidade, para Amdouni romper no corredor central, tirar um adversário do caminho e bater Ochoa pela terceira vez. 

Euforia total nas bancadas. Ainda não tínhamos chegado à meia-hora de jogo e o Benfica já vencia por 3-0 e, pelo meio, tinha desperdiçado outras tantas oportunidades flagrantes. O flanco direito estava com uma produção de alto rendimento e foi daí que também surgiu o quarto golo, com Pavlidis a levar tudo à frente antes de colocar a bola nas costas de Ochoa onde surgiu Akturkoglu a encostar. Avassalador.

Um arraso com quatro golos até ao intervalo a darem bem conta da superioridade do Benfica. O AVS ainda esboçou uma ou outra saída, com bolas longas, mas raramente conseguiu incomodar Trubin.

Travão, embraiagem e novamente acelerador a fundo

Uma diferença brutal que obrigou Rui Ferreira a rever estratégia para a segunda parte, com três alterações de uma assentada no arranque da primeira parte, indo buscar jogadores, como Piazon, que estavam reservados para o próximo importante jogo com o Boavista.

A verdade é que segunda parte foi muito diferente da primeira. O Benfica levantou o pé e passou a gerir o jogo mais longe da baliza de Ochoa, rodando a bola no seu meio-campo, procurando atrair o adversário. O AVS até teve uma ou duas oportunidades para reduzir a diferença, mas o Benfica voltou a carregar no acelerador depois das primeiras alterações promovidas por Bruno Lage e voltou a fazer funcionar as rotativas e o marcador.

Belotti assinou o quinto, numa transição rápida, após assistência espetacular de Akturkoglu, enquanto Otamendi, de cabeça, fechou a contagem nos seis, na sequência de uma defesa incompleta do guarda-redes mexicano a um livre de Kokçu. Nesta altura já se faziam «ondas» nas bancadas da Luz.

Entre os golos, Carreras viu um cartão amarelo que o afasta do próximo jogo com o Estoril, mas, nesta altura, o Estádio da Luz já estava em ebulição, com os adeptos a pedirem o 39.º título.

Seis golos, todos com marcadores diferentes, que permitem ao Benfica chegar aos 80 golos, assumir a condição de melhor ataque da Liga e, pode vir a ser importante nas contas do título, anulou provisoriamente a vantagem que o Sporting tinha na diferença de golos.

A próxima final será com o Estoril, no António Coimbra da Mota, mas, antes disso, o Benfica ainda pode assistir ao Boavista-Sporting no sofá. Missão cumprida.

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