Benfica-Arouca, 4-0 (crónica)

David Marques , Estádio da Luz, Lisboa
5 ago, 22:33

Águia renascida

No futebol, como aliás em quase tudo na vida, a confiança é meio-caminho andado para o sucesso.

E nesta sexta-feira, no cortar da fita da Liga 2022/23, o Benfica voltou a demonstrar – como já o tinha feito diante do Midtjylland e em testes de pré-época – que isso vai tendo de sobra nesta nova época.

Três dias depois do 4-1 na 1.ª mão da 3.ª pré-eliminatória da Champions, a equipa de Roger Schmidt «despachou» na Luz o Arouca por contundentes 4-0.

O técnico das águias, desenhador de um futebol intensíssimo mas nada surpreendente nas escolhas dos intérpretes, repetiu o onze que fez alinhar de início a meio da semana. Afinal de contas, diz-se que em equipa que ganha não se mexe. Schmidt até foi forçado a mexer – João Mário saiu lesionado pouco depois do minuto 30 e cedeu o lugar a Chiquinho – mas quando o fez o Benfica já ganhava, graças a um golo de Gilberto, assistido por Grimaldo.

Este dado leva-nos a outro já comprovado nas últimas semanas: a importância ofensiva dos laterais no sistema de jogo do técnico alemão, ora para darem profundidade pelas faixas, ora para aparecerem por dentro, como aconteceu com o brasileiro no 1-0.

O golo madrugador (minuto 8) abriu caminho para uma noite tranquila dos encarnados num estádio que na época passada lhe trouxera tantas amarguras. Mas, ainda assim, não deixou o Arouca em sobressalto. A equipa de Armando Evangelista manteve-se fiel à estratégia trazida para a Luz: linha de cinco defesas, com Arsénio a baixar e juntar-se a Mateus Quaresma nas batalhas travadas com o fantasista David Neres (menos influente do que há dias), e a procurar explorar os espaços que iam surgindo para as transições.

Mas o Benfica, mesmo sem ser avassalador como na terça-feira, deu pouca ou nenhuma margem aos arouquenses para sonharem com um final feliz na Luz.

Porque esta equipa de Roger Schmidt, apesar de ter no onze sete jogadores que já faziam parte do plantel na época passada, em nada tem a ver com as de Jorge Jesus e Nélson Veríssimo.

É mais incisiva nas bolas paradas; mais dinâmica com bola e agressiva sem ela; mais focada; mais imprevisível.

Mais bem preparada para não voltar a falhar, no fundo.

Florentino e Enzo Fernández entendem-se no meio-campo; Neres e Gilberto casam quase na perfeição à direita; Otamendi e Morato parecem bem entrosados lá atrás.

Claro que muito do que se viu no Benfica-Arouca foi redigido numa curta janela e tempo: mas isso é mais uma prova do poderio desta águia renascida que asfixia e impede os adversários de tomarem as melhores decisões. Aos 42 minutos, Rafa fez o 2-0, pouco depois Mateus Quaresma foi expulso e deixou os visitantes com dez e logo a seguir, ainda antes do intervalo, Enzo Fernández assinou o terceiro.

Na segunda parte, os arouquenses regressaram ao palco com três alterações, uma equipa mais arrumada e foco em impedir que o resultado escalasse para números com potencial traumático.

Do outro lado, a mente do treinador e dos jogadores estava já na Dinamarca. O Benfica tirou gás ao jogo e entrou cedo em modo de gestão, com alterações esgotadas a 20 minutos do fim. A fechar, Rafa ainda bisou e o Benfica repetiu o número quatro de há três dias.

Em poucas semanas, Roger Schmidt teve o mérito de devolver a crença ao universo encarnado, que anseia pelo regresso aos títulos após três anos de seca e parece convencido de que este é o caminho.

O início parece promissor, mas, como diz um velho conhecido dos benfiquistas, «isto não é como começa. É como acaba.»

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