Anísio ensina gente grande
«Sai, com o número 25, Prestianni. Entra, com o número 72, Anísio.»
O eco do anúncio do speaker ainda entra pelos ouvidos dos mais de 49 mil adeptos da Luz e eis que…
«GOLOOOOOOOO.»
«Marca com o número 72.»
«ANÍSIO!»
Com o número 72.
«ANÍSIO!»
A história deste jogo inclinava-se para mais um deslize do Benfica. A equipa de José Mourinho caminhava para o oitavo empate nesta Liga (o segundo seguido) e não era por ter jogado pouco diante de um Alverca que ficou a escassos minutos de arrancar na Luz um empate pelo qual lutou até à última gota de suor. Primeiro, porque soube explorar os espaços concedidos pelo adversário nos 45 minutos iniciais; e, depois, porque soube sofrer.
Mas naquele minuto 86 a equipa de José Mourinho já não vivia sequer o seu melhor período do jogo. Se antes lhe faltara sobretudo frieza para concluir bons desenhos ofensivos, por essa altura já lhe faltava tudo.
Até que Anísio fez uma diagonal da linha do meio-campo para a área, atacou um cruzamento de Dahl, ganhou sobre o poderoso Meupiyou e cabeceou para o 2-1.
Tudo isto depois de quase um jogo inteiro em que as águias podiam ter evitado momentos de grande sofrimento, mas em que colhiam as consequências do seu próprio desperdício, da ansiedade acumulada e de uma primeira parte na qual não conseguiram evitar que os ribatejanos pusessem em prática o bom plano que levaram para a Luz.
Naqueles minutos finais, e depois de uns primeiros 25 minutos de segunda parte na qual empurrou o Alverca até ao limite do sustentável, o Benfica estava desequilibrado. Tática e emocionalmente, perante a iminência de não conseguir capitalizar a jornada do clássico entre FC Porto e Sporting e de, no fundo, deitar por terra as ténues esperanças de lutar pelo título e outras, um pouco mais concretas, de chegar ao segundo lugar.
Porque Matheus fechara a baliza com todas as partes do corpo (até a cabeça) e levara adeptos e jogadores encarnados a picos nervosos, mas também porque Mourinho, ao perceber que aquele empate significava uma derrota e um ponto final na Liga 2025/26, não teve outro remédio que não deixar a equipa mais exposta, com Prestianni a funcionar como falso lateral-direito. Se isso significava que o Benfica estava mais perto de ser feliz? Sim. E ao mesmo tempo mais perto de perder o jogo.
Mas não havia volta a dar.
Até que Anísio, o menino campeão da Europa e do Mundo de sub-17 que está a dias de completar 18 anos e de ser (oficialmente, diga-se) um profissional de futebol, mostrou a gente grande como se resolve um jogo de adultos.