AVS-Benfica, 0-3 (crónica)

André Cruz , Estádio do CD Aves, Vila das Aves
20 set 2025, 20:03
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O «dedinho» de Mourinho já se nota

Demorou a arrancar, mas a primeira versão do Benfica de José Mourinho já deixou indicadores interessantes, embora ainda não se tenha libertado completamente das amarras que carrega. Os encarnados marcaram em momentos-chave na visita ao AVS e partiram para uma exibição sólida, culminada com um triunfo seguro por 3-0.

Mais do que qualquer jogador, os benfiquistas que encheram o estádio na Vila das Aves estavam com olhos postos na estreia de Mourinho, regressado 25 anos depois. Mas não eram só adeptos. Até jornalistas estrangeiros vieram ver o primeiro jogo do «special one», que logo ao entrar em campo recebeu uma grande ovação e, já no banco de suplentes, tinha à sua espera várias objetivas.

Mourinho sai deste jogo com razões para sorrir, porém, é visível que este ainda é um Benfica em construção. O efeito da chicotada, pelo menos, já se fez sentir.

Ainda se viu muito da era Lage

Mourinho disse que ia meter apenas o «dedinho» na equipa e, de facto, apenas trocou Andreas Schjelderup por Franjo Ivanovic. As mexidas foram mínimas e, na primeira parte, ainda se viu muito do que era o Benfica com Bruno Lage. Fio de jogo praticamente inexistente, muitos passes falhados e uma apatia geral. A juntar a isto, os encarnados ainda foram permitindo que o AVS, aqui e acolá, assustasse, como aconteceu com a bola ao poste de Tomané, à beira do intervalo.

Para alívio de Mourinho, pouco depois apareceu o primeiro golo. Heorhiy Sudakov, esta tarde com um papel diferente, mais recuado, a participar na construção, abriu a contagem na Vila das Aves, já nos descontos, depois de uma jogada de insistência na área.

Perante este cenário, Mourinho saiu – literalmente – a correr para o balneário. Havia muito a corrigir na equipa, nomeadamente o lado esquerdo. Samuel Dahl adiantava-se muito pelo corredor, Sudakov baixava para pegar no jogo, mas faltava outro elemento, que no papel seria Ivanovic. O croata, contudo, voltou a mostrar algum incómodo quando encostado à linha e até foi mais perigoso nos momentos em que lhe foi solicitada a profundidade, com diagonais para a direita, por Aursnes.

Um penálti para libertar a equipa

O Benfica soube controlar melhor a bola na segunda parte e desbloqueou o jogo dez minutos depois – quer em termos de resultado, quer em termos anímicos – quando chegou ao 2-0, num penálti de Vangelis Pavlidis, após uma falta sobre Otamendi na área.

A superioridade encarnada, a partir de então, foi mais evidente e a qualidade de jogo subiu muitos patamares. Mas, para haver futebol champanhe, são necessários protagonistas de alto grau de execução. Mourinho sabe disso, daí a tarefa que incumbiu a Sudakov neste jogo. Com um grande passe para Pavlidis, o ucraniano permitiu que o grego servisse Ivanovic para o terceiro golo.

Pouco depois da hora de jogo, o Benfica já tinha a vitória no bolso.

Mourinho regressa ao futebol português com um triunfo, ao contrário do que aconteceu na primeira vez em que comandou o Benfica, em 2000. Este é um Mourinho diferente, mais experimentado, com um currículo que dispensa qualquer tipo de elogio, mas numa fase da carreira que levanta algumas dúvidas. Um pouco como o Benfica, diga-se. Só tempo dirá se este casamento será de sucesso.

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