Benfica-V. Guimarães, 3-0 (crónica)

David Marques , Estádio da Luz, Lisboa
27 fev, 20:17
Benfica-Vitória de Guimarães

A segurança depois do abanão inicial

Transportar a regularidade do último jogo e mantê-la do princípio ao fim.

Nélson Veríssimo vincara o desejo na habitual conferência de antevisão à partida com o V. Guimarães, que ganhara duplo sentido no instante em que ficou a saber que tinha uma rara oportunidade para recuperar terreno para o Sporting.

Depois da excelente segunda parte no jogo da Champions contra o Ajax, os encarnados arrancaram a vitória mais robusta desde a saída de Jorge Jesus do comando técnico da equipa, o que pode significar que estão em retoma futebolística e – porque isto anda tudo ligado – emocional.

E o PO-DE na frase acima não é inocente, porque este Benfica ainda não deixou de apresentar oscilações exibicionais algo preocupantes para os seus adeptos.

Porque aos 7 e aos 14 minutos Estupiñan apareceu sozinho na cara de Vlachodimos quando o placard da Luz ainda mostrava um empate a zeros e um golo dos visitantes podia alterar o estado de espírito de uma equipa que continua a viver em sobressalto.

Ataque pouco ligado, inúmeros passes falhados, Morato (rendeu Otamendi) e Vertonghen desconectados na linha mais recuada e Meïté a dar pouco mais do que para o gasto nas tarefas defensivas. Foi assim o Benfica na metade inicial da primeira parte.

E só passou a ser outro a partir daquele momento de brilhantismo de Gonçalo Ramos, que inaugurou o marcador aos 23 minutos num remate de primeira sem deixar cair após cruzamento de Gilberto.

A partir daí, talvez pela menor necessidade de correr riscos desnecessários, os encarnados retificaram. Baixaram o número de erros não forçados em zonas que os deixassem expostos e os vimaranenses não voltaram a encontrar o mesmo espaço nas costas da dupla de centrais benfiquista.

Ainda assim, o 2-0, de Darwin (nova assistência de Gilberto, que voltou, tal como no 1-0, a receber um bom passe de Meïté, claramente melhor 8 do que 6), não refletia o que tinha sido o jogo até aí e penalizava essencialmente a falta de eficácia dos visitantes.

Os 15 minutos iniciais da segunda parte mostraram o melhor Benfica do jogo. O terceiro: a quase excelência depois do bom e, a abrir, do sofrível.

Não lhe tínhamos falado das oscilações?

Mas este período chegou para que a equipa de Veríssimo não visse repetida a história de há uma semana no Estádio do Bessa, quando chegou a estar a vencer por 2-0 e só não perdeu – há que dizê-lo – por manifesta sorte.

Darwin marcou de penálti aos 52 minutos, Rafa desperdiçou um outro castigo máximo (em andamento) pouco depois e Gonçalo Ramos teve um golo anulado por fora de jogo anterior de Vertonghen.

A meia-hora final resume-se em quatro notas: a mais importante de todas, a ovação da Luz a Yaremchuk, que envergou pela primeira vez a braçadeira de capitão do Benfica e foi para ele que a equipa passou a jogar a partir do momento em que rendeu Darwin à hora de jogo. A segunda, a rara possibilidade de Veríssimo gerir os índices físicos da equipa, podendo dar-se ao luxo de retirar alguns dos jogadores mais importantes. A terceira: o V. Guimarães, que nunca baixou os braços e procurou, pelo menos, o golo de honra. A última, Ricardo Quaresma, assobiado sempre que a bola lhe chegou aos pés: uma vez rival, rival para sempre.

Regularidade alcançada? Parcialmente, até porque, apesar da vitória por números algo expressivos, o Benfica precisou muito de Vlachodimos antes do jogo se tornar relativamente fácil.

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