Liga: cinco pontos para a história da primeira volta

25 jan, 09:18
SP. BRAGA-BENFICA (LUSA)

Os clubes que mais perderam e mais ganharam, os golos perdidos, os goleadores, os jogadores mais influentes e os mais regulares e ainda os treinadores, em dados e curiosidades.

A Liga 2022/23 chegou a meio caminho. Foi uma primeira volta marcada por um arranque arrasador do Benfica, que perdeu embalo no pós-Mundial mas vale a liderança. Marcada também pelo crescimento de um Sp. Braga que é segundo, a quatro pontos de distância das águias, e volta a intrometer-se no território dos chamados grandes, aproveitando de caminho quebras notórias do campeão FC Porto e do Sporting, na comparação com a última temporada.

Na abordagem à primeira volta, quando falta apenas um jogo em atraso para ficar formalmente encerrada - o Estoril-Boavista da 14ª jornada joga-se a 9 de fevereiro, o Maisfutebol olha para os clubes que mais perderam e mais ganharam na comparação com a época passada, mas também para os golos, os goleadores, os jogadores mais influentes e os mais regulares e ainda os treinadores. Uma viagem em cinco pontos, entre dados e curiosidades.

Quem perde e quem ganha, com Sporting e Arouca nos extremos

O Benfica garante por esta altura a liderança com mais quatro pontos do que tinha há um ano no final da primeira volta. Uma vantagem confortável, mas com tudo por decidir ainda. Dobrar o campeonato na frente é historicamente meio caminho andado para terminar campeão. Mas não é preciso recuar muito para encontrar exceções. Na última vez que o Benfica foi campeão, em 2018/19, o FC Porto liderava com cinco pontos de vantagem no final da primeira volta – exatamente a mesma distância a que os dragões estão agora da liderança – mas foi ultrapassado pelas águias na segunda volta. E na temporada seguinte as posições inverteram-se, ainda com maior distância. O Benfica dobrou o campeonato com 48 pontos, mais quatro do que tem nesta altura, que correspondiam a sete pontos de vantagem na frente. Mas o FC Porto acabou campeão.

Na presente temporada, o Benfica cedeu apenas sete pontos, uma liderança reforçada sobretudo nos jogos em casa, onde só perdeu pontos no dérbi com o Sporting. Fora, sofreu a primeira e única derrota até aqui na visita ao Sp. Braga, além de ter empatado em Guimarães.

O Benfica é a melhor equipa da Liga no seu terreno, mas o Sp. Braga é o melhor visitante. Tem oito vitórias em nove jogos longe de casa e só perdeu pontos na visita ao Dragão. Ainda terá, no entanto, de ir a Alvalade, já na próxima jornada, bem como à Luz.

O Sp. Braga tem nesta altura oito pontos adicionais em relação à época passada, quando era quarto por esta altura. A equipa orientada por Artur Jorge está em curso para uma época que pode ser única. Os 40 pontos que soma nesta altura estão atrás apenas do registo de 2009/10, quando os minhotos terminaram no segundo lugar. Então, num campeonato a 16 equipas, tinham 36 pontos ao fim da primeira volta e lideravam a par do Benfica, enquanto ao fim de 17 jornadas somavam 42 pontos.

Há seis equipas que melhoram na comparação com a época passada. E a maior subida em absoluto é do Arouca. A equipa orientada por Armando Evangelista, que além disso chegou à meia-final da Taça da Liga, ganha nada menos do que 12 pontos. Nesta altura o Arouca soma mais dois pontos do que tinha no fim da primeira volta em 2015/16, quando terminou no quinto lugar, a melhor posição de sempre do clube.

Há um ano o Arouca estava em penúltimo lugar, hoje é sexto, a apenas um ponto do quinto lugar, onde mora o Casa Pia. Que merece lugar de honra entre os destaques da primeira volta. Naquela que é apenas a sua segunda presença na Liga, mais de oitenta anos depois, uma primeira volta de regularidade e solidez levou o Casa Pia ao quinto lugar, em zona europeia.

Os «Gansos» são a referência mais notória de uma tendência que acrescenta valor à Liga. As outras equipas recém-promovidas também fizeram primeiras voltas sólidas, que lhes permitem encarar o que falta da época com alguma tranquilidade. O Desp. Chaves termina a primeira volta na oitava posição, com 22 pontos, o Rio Ave vem logo a seguir, com 21.

Quando às perdas, é por de mais evidente a quebra do Sporting, em absoluto a equipa que viu fugir mais pontos na comparação com a primeira volta da época passada. Há um ano os «leões» estavam no segundo lugar, com 44 pontos, agora têm 32 - menos 12, o que diz tudo sobre o que tem sido o percurso da equipa na Liga. O Sporting já deixou fugir aliás mais pontos do que em toda a época passada – 19, contra 17. Boa parte deles foram perdidos longe de Alvalade, onde a equipa de Rúben Amorim tem um registo medíocre, 11 pontos somados em nove jogos.

Mas os «leões» não são o único dos candidatos habituais em clara perda. O FC Porto também está entre as equipas que mais pontos perderam de um ano para o outro. São oito no total, que valem nesta altura o terceiro lugar. Se no Dragão o campeão só perdeu três pontos, na derrota com o Benfica, é também fora de casa que mais tem escorregado, com 18 pontos em 27 possíveis.

Em absoluto, a equipa que mais perde na comparação com a época passada é o Paços Ferreira, que tem menos 11 pontos, numa época que bate recordes negativos. São apenas seis pontos somados esta época, menos do que qualquer outra equipa ao fim de 17 jogos desde que as vitórias valem três pontos. Outra campanha obviamente negativa é do histórico Marítimo. Se na Madeira a chegada do treinador José Gomes lançou sinais de recuperação, em Paços ainda será preciso esperar para ver que resultados terá o regresso de César Peixoto.

A completar a lista dos clubes que mais perderam está o Gil Vicente, com menos oito pontos do que há um ano, quando fez uma campanha histórica e estava na quinta posição por esta altura.

Diferença de pontos entre 2022/23 e 21/22

1. Benfica, 44 (+4 do que em 2021/22)

2. Sp. Braga, 40 (+8)

3. FC Porto, 39 (-8)

4. Sporting, 32 (-12)

5. Casa Pia, 27 (II Liga)

6. Arouca, 26 (+12)

7. Vitória SC, 24 (+1)

8. Chaves, 22 (II Liga)

9. Vizela, 21 (+5)

10. Rio Ave, 21 (II Liga)

11. Portimonense, 20 (-4)

12. Boavista, 21 (16J) (+4)*

13. Estoril, 19 (15J) (-6)*

14. Gil Vicente, 18 (-8)

15. Famalicão, 18 (+3)

16. Santa Clara, 14 (-2)

17. Marítimo, 13 (-7)

18. Paços Ferreira, 6 (-11)

* Têm um jogo em atraso

 

Para onde foram os golos?

A época passada viu subir a média de golos na Liga, mas parece ter sido sol de pouca dura. Marcaram-se bem menos golos nesta temporada do que há um ano. Até agora foram 371, o que dá uma média de 2.44 por jogo. Na época passada, a primeira volta bateu um recorde de golos, 422 no total para 2.77 de média, que baixou ligeiramente nas contas finais para 2.64. Esta temporada parece tender para se aproximar mais dos registos das duas épocas anteriores, que não chegaram aos 2.5 golos por jogo.

O Benfica tem o melhor ataque da atual edição da Liga, 44 golos, mas curiosamente há um ano tinha mais cinco golos marcados por esta altura. Também o FC Porto, que há um ano liderava a Liga, «perde» três golos na comparação. O Sp. Braga, com mais sete golos do que na primeira metade da época passada, é das poucas equipas que registam um aumento significativo da capacidade goleadora.

Curiosamente, o Sporting até tem mais um golo marcado do que há um ano. É nos golos sofridos que está a grande diferença para os «leões». Em 2021/22 terminaram a primeira volta com a melhor defesa, apenas 10 golos, agora já sofreram quase o dobro, 19 no total. Têm mais golos sofridos do que cinco equipas da Liga: FC Porto, Benfica, Sp. Braga, Casa Pia e Vizela.

A melhor defesa da Liga é do FC Porto, com 11 golos sofridos, em linha com a época passada. Segue-se o Benfica, que sofreu 12 golos, menos três do que há um ano, e tem o melhor saldo entre golos marcados e sofridos. E depois o Sp. Braga, que melhora mesmo em todas as frentes: encaixou apenas 13 golos, contra os 18 que contava há um ano.

O Paços Ferreira, além de segurar a «lanterna vermelha», tem o pior ataque (10 golos) e a pior defesa (32) da Liga. Mas fazendo as contas há apenas cinco equipas nesta altura com saldo positivo de golos: os quatro da frente e mais o Vizela, com 19 marcados e sete sofridos.

Um novo goleador entre os suspeitos do costume

Há um novo goleador a liderar a lista dos melhores marcadores, entre vários nomes que se repetem de um ano para o outro. E uma corrida muito equilibrada. O ex-benfiquista Darwin Nuñez, melhor marcador da época passada, já não mora aqui, tal como o ex-portista Luís Díaz, que rumou ao Liverpool a meio da temporada mas no final da primeira volta dividia a liderança dos marcadores com o uruguaio. Este ano haverá portanto um novo vencedor, para já com o jovem benfiquista Gonçalo Ramos na frente, com 12 golos marcados. Logo a seguir vem o gilista Fran Navarro (11) e depois o portista Mehdi Taremi (10).

Fora do pódio, mas a apenas três golos da liderança, está o sportinguista Pedro Gonçalves, melhor marcador de 2020/21, que recuperou alguma da veia goleadora perdida na temporada passada, quando se ficou pelos oito golos. E logo depois, com oito golos, vem o bracarense Ricardo Horta.

Quanto a passes para golo, a lista é liderada nesta altura pelo sportinguista Pedro Porro, com seis assistências, seguido de vários jogadores com cinco. Não há um jogador a destacar-se claramente esta época, com o benfiquista Rafa, que há um ano por esta altura somava 14 assistências, bem mais discreto esta temporada, para já contando quatro passes para golos.

Se somarmos golos e assistências, o jogador mais influente da Liga volta a ser o mesmo da época passada: o portista Mehdi Taremi. Em 2021/22, o avançado portista teve participação direta em 32 golos. Nesta temporada mantém a fasquia: tem 10 golos marcados e quatro assistências, de acordo com as estatísticas oficiais da Liga. No pódio está também o bracarense Ricardo Horta, além de Fran Navarro, um caso notável: o espanhol é claramente o jogador mais influente numa equipa, diretamente associados a 65 por cento dos golos do Gil Vicente.

O núcleo duro do FC Porto e o incrível recorde do Marítimo

O FC Porto foi o clube que utilizou menos jogadores na primeira volta, 23 no total. O Benfica recorreu até aqui a 27 jogadores, mais um do que o Sp. Braga, enquanto no Sporting Rúben Amorim já utilizou 29 atletas.

Ninguém se aproxima dos números do Marítimo, que no meio do mau arranque de época já teve em campo nada menos que 36 jogadores, entre eles quatro guarda-redes. As equipas com piores resultados tendem a apostar em mais jogadores, à procura de soluções alternativas e também com opções alteradas pela chegada de novos treinadores. O Paços Ferreira já utilizou 31 jogadores e o Santa Clara chegou aos 30.

Mas há outros dados a influenciar as escolhas. O V. Guimarães, que começou muito cedo na época a ter de gerir o plantel, por força da participação nas pré-eliminatórias europeias, também já atingiu os 30 jogadores utilizados.

Quanto aos jogadores, nesta altura já só restam nove totalistas na Liga, oito deles guarda-redes. O defesa João Basso, do Arouca, é o único jogador de campo que atuou todos os minutos na primeira volta.

Entre os principais candidatos, no Benfica o único totalista é Vlachodimos. Nenhum outro jogador foi titular em todas as partidas e Florentino é o único utilizado nos 17 jogos da primeira volta.

No Sp. Braga não houve nenhum jogador que tenha sido sempre titular, mas Abel Ruiz e Vitinha foram utilizados em todos os jogos.

A maior concentração de opções do FC Porto traduz-se na constatação de que há cinco jogadores que estiveram em campo em todos os jogos. O guarda-redes Diogo Costa é totalista, Taremi e Uribe começaram todas as partidas e Pepê e Galeno foram sempre utilizados por Sérgio Conceição.

O Sporting é dos quatro primeiros aquele que utilizou mais jogadores e o guarda-redes Adán, totalista, foi o único titular em todos os jogos. Matheus Reis, Trincão e Edwards foram de resto utilizados nos 17 jogos

A dança e os destaques entre os treinadores

A Liga 2022/23 começou com cinco equipas a apresentarem novos treinadores. E um deles já não está no banco. Ivo Vieira deixou o Gil Vicente após a 11ª jornada, com a equipa muito longe da fasquia que tinha fixado na época anterior, quando terminou no quinto lugar. O Gil Vicente foi um dos seis clubes que já mudou de treinador, num total de oito alterações no banco, incluindo o insólito no Paços de Ferreira, de onde César Peixoto saiu no final de outubro, para voltar pouco mais de dois meses depois, após um regresso falhado do histórico José Mota.

Também o Marítimo já mudou duas vezes de treinador. Vasco Seabra foi o primeiro treinador a sair, logo à 5ª jornada e quando a equipa contava apenas derrotas. Deu lugar a João Henriques, que por sua vez deixou a Madeira à 13ª jornada, substituído por José Gomes. Paços e Marítimo são os maiores responsáveis pela dança dos bancos desta época, bem mais agitada do que há um ano, quando as mudanças só começaram à oitava jornada e a Liga terminou com 12 mudanças de treinador. Já houve mudanças em mais três clubes. No Famalicão, Rui Pedro Silva saiu à 7ª ronda, substituído por João Pedro Sousa. No Vizela, foi à 13ª ronda e com a equipa na 13ª posição que saiu Álvaro Pacheco, o técnico que liderou o clube ao longo de três épocas e meia, com duas subidas de divisão no currículo. O comando da equipa foi assumido Tulipa. Por fim, Mário Silva deixou o Santa Clara já em janeiro, para dar lugar a Jorge Simão.

A meio caminho, o óbvio destaque entre os treinadores é Roger Schmidt. O alemão, o único estreante absoluto em bancos na Liga, liderou o Benfica numa primeira volta dominadora até à paragem para o Mundial 2022. A partir daí a equipa perdeu rotinas e intensidade e sofreu a primeira derrota, frente ao Sp. Braga, mas termina na liderança.

Mas há mais destaques. Desde logo Artur Jorge, que já tinha assumido interinamente o Sp. Braga mas começou pela primeira vez como treinador principal e está a conduzir a equipa numa primeira volta notável. Positivo também o trabalho de Filipe Martins, o treinador que conduziu o Casa Pia à subida de divisão e ao quinto lugar no final da primeira volta. E de Armando Evangelista, que há dois anos subiu com o Arouca e, depois de uma primeira temporada sofrida no regresso ao primeiro escalão, está a conduzir a equipa numa campanha que pode ser memorável.

Entre as caras novas desta época, o V. Guimarães também recorreu à prata da casa para substituir Pepa, com Moreno a orientar a equipa numa época que tem sido irregular, mas está em linha com as temporadas anteriores na Liga. Nélson Veríssimo foi outro técnico que passou das formações secundárias à liderança de uma equipa técnica. Depois de deixar o Benfica, que orientou na reta final da época passada, assumiu o Estoril, com dificuldades para manter a fasquia elevada que o clube fixou na temporada passada, quando terminou em nono lugar.

Sérgio Conceição, que é o decano dos treinadores da Liga e vive a sexta temporada no banco, só por uma vez terminou uma primeira volta com tão poucos pontos como agora: foi em 2020/21, quando o Sporting foi campeão. Quanto a Rúben Amorim, esta foi de longe a pior primeira volta das três que completou até agora no Sporting.

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