A Liga 2021/22 de A a Z

17 mai, 09:13
FC Porto na Câmara

Protagonistas, números e curiosidades de um campeonato para a história

Terminou a Liga 2021/22, que selou o 30º título de um campeão nacional de um FC Porto dominador e que fixou vários recordes históricos. Um balanço destes 306 jogos, entre protagonistas, números e curiosidades.

AMORIM. O treinador campeão em 2020/21 não conseguiu levar o Sporting à revalidação do título, objetivo que escapa ao clube desde 1954. Ainda assim, o Sporting terminou com os mesmos 85 pontos que valeram o campeonato há um ano, garantiu o acesso direto à Liga dos Campeões e venceu a Taça da Liga. Rúben Amorim reconheceu que é curto e garantiu que começa uma terceira época no banco, porque não quer «sair assim».

BANCOS. Metade dos clubes mudaram de treinador esta temporada, o mesmo número da época passada. A dança começou logo à 8ª jornada, quando Petit deixou o Belenenses SAD, e terminou com a saída de Pako Ayestaran do Tondela, à 26ª ronda. O Santa Clara teve nada menos que quatro nomes diferentes no banco, até encetar a recuperação com Mário Silva. A mudança mais notória foi, claro, a saída de Jorge Jesus do Benfica, substituído por Nelson Veríssimo.

CONCEIÇÃO. Em cinco épocas como treinador do FC Porto, Sérgio Conceição conquistou o terceiro título de campeão nacional, este com números de recorde. Protagonista a todos os títulos deste campeonato, é a alma de uma equipa à sua imagem que cresceu em campo e se reinventou, que se adaptou às baixas no arranque da época e sobretudo às saídas a meio da temporada, quando perdeu vários jogadores importantes, a começar por Luis Díaz, até aí primeira figura da Liga.

DARWIN Nuñez. Aos 22 anos, depois de ter chegado ao Benfica oriundo do Almeria e de uma primeira temporada discreta, o avançado uruguaio embalou para uma época de afirmação que dissipou dúvidas e terminou com o título de melhor marcador do campeonato, com 26 golos em 28 jogos, entre eles três hat-tricks e cinco bis. Numa época falhada do Benfica, Darwin é exceção, com os seis golos na Liga dos Campeões a reforçarem a visibilidade.

EUROPA. É a partir de agora também o lugar do Gil Vicente. Um campeonato notável, com momentos altos como as vitórias na Luz e em Braga ou o empate no Dragão, sem ter perdido de vista o quinto lugar ao longo de toda a segunda volta, permitiu ao clube de Barcelos igualar a sua melhor classificação de sempre e garantir a estreia absoluta nas competições europeias na próxima época, nas pré-eliminatórias da Conference League.

FORMAÇÃO. A história do campeão 2021/22 começa em casa. Esta foi a época em que Sérgio Conceição tirou partido de uma geração de enorme qualidade, aquela que venceu a Youth League em 2018/19, para converter quatro desses jogadores em apostas consistentes. Com Diogo Costa, dono da baliza desde o primeiro dia e a ganhar o lugar na Seleção, com João Mário na lateral e com o talento criativo de Vitinha e Fábio Vieira, este é também um sucesso feito no Olival.

GOLOS. Foram 807 ao longo das 34 jornadas do campeonato, o que dá uma média de 2.64 golos por jogo. De notar alguma tendência de subida, depois da quebra nas duas edições anteriores (2.42 em 20/21 e 2.49 em 19/20). O FC Porto teve o melhor ataque (86) e no outro extremo da tabela está o Belenenses, com 23 golos marcados em 34 jogos. A pior defesa é do Tondela, 67 golos sofridos. O Benfica-Marítimo da 15ª jornada (7-1) foi o jogo com mais golos.

HORTA. O melhor marcador português da Liga – terceiro em absoluto, com 19 golos - terminou o campeonato a fazer história. Ainda não tinha passado um minuto de jogo frente ao Famalicão quando apontou o seu 93º golo pelo Sp. Braga, ao fim de 281 jogos, tornando-se o maior goleador da história do clube. Num Sp. Braga que se limitou a cumprir, Ricardo Horta foi o mais influente dos jogadores na Liga, marcando mais 36,5 por cento do total de golos da equipa.

INVENCIBILIDADE. O novo recorde de jogos sem perder no campeonato é uma das marcas que ficam deste FC Porto. A série começou em outubro de 2020, após uma derrota em Paços Ferreira, ganhou balanço na época passada e seguiu nesta temporada, com uma fase de 16 vitórias consecutivas pelo meio que igualou o melhor registo do clube. Depois, superou os 56 jogos invicto que o Benfica tinha conseguido entre 1976 e 1978 e terminou ao fim de 58 jogos, em Braga, na 31ª ronda.

JEJUM. Mais uma época a seco do Benfica, no final de uma temporada em convulsão depois da detenção de Luís Filipe Vieira, da eleição de Rui Costa e da saída de um desgastado Jorge Jesus. Com Nélson Veríssimo, que voltou a ser escolhido para a sucessão, quando faltava mais de meio campeonato, as águias acentuaram uma tendência de queda que terminou com o terceiro lugar na Liga, a 17 pontos do líder, e com a garantia de que o clube somará mais de três anos sem conquistar um título: o último foi a Supertaça de 2019.

LUZ. O Benfica voltou a ser o clube com melhores assistências no estádio, numa época que começou ainda condicionada pela pandemia. A Luz teve 543.257 espectadores, com média de 31.956, à frente do Dragão (529.149/31.126) e de Alvalade (427.698/21.159). Mas o FC Porto teve melhor média de ocupação - 62.21 por cento, contra 49.87 da Luz. No fundo da lista está o Santa Clara, com média de 1.252. O Benfica-Sporting foi o jogo com maior assistência (48,790), seguido do FC Porto-Sporting (48.350).

MINUTOS. Sem totalistas. Ninguém jogou todos os minutos da Liga e apenas um jogador foi titular nas 34 jornadas: Samuel Lino. O avançado que foi uma das figuras da época do Gil Vicente e está a caminho do At. Madrid integra o «top 3» de jogadores com mais minutos, ao lado dos guarda-redes Adán (Sporting) e Diogo Costa (FC Porto), ambos com 33 jogos. O suplente mais vezes utilizado foi Janvier, do V. Guimarães, que saiu do banco em 26 partidas.

NOVENTA E UM. Assim, por extenso. A vitória sobre o Estoril na última jornada garantiu ao FC Porto mais um recorde, superando pela primeira vez a barreira dos 90 pontos e fixando novo máximo no campeonato. Os 91 pontos somados em 2021/22 no 30º título de campeão nacional dos dragões superam os 88 que tinham sido atingidos por duas vezes, uma delas também pelo FC Porto de Sérgio Conceição, em 2017/18, depois de o Benfica o ter conseguido em 2015/16.

OTÁVIO. Pulmão, raça e qualidade. À sexta temporada no Dragão o médio assumiu-se como grande referência da equipa, em campo e fora dele, um líder pelo exemplo que é forte candidato a figura da Liga. O segundo jogador de campo do FC Porto com mais tempo de jogo, atrás apenas de Mbemba, marcou três golos, fez mais de uma dezena de assistências e de caminho, depois de garantida a nacionalidade portuguesa, chegou à Seleção Nacional, onde deixou marca imediata.

PANDEMIA. Depois da disrupção das duas épocas anteriores, 2021/22 terminou sob o signo da normalidade. Mas esta foi ainda uma época condicionada em vários aspetos pela pandemia, que esteve na origem de um momento impensável. A 27 de novembro, no meio de um surto de covid que afetou a maior parte do plantel, a Belenenses SAD entrou em campo com nove jogadores frente ao Benfica. No Jamor, aquilo terminou aos 46 minutos, quando o Benfica vencia por 7-0 e os azuis ficaram reduzidos a seis jogadores.

QUEDAS. Desde que chegou à Liga pela primeira vez em 2015/16 o Tondela nunca tinha descido. Por várias vezes esteve perto, mas salvou-se. Até agora. Em mais uma última jornada dramática, o empate com o Boavista condenou os beirões, na época em que, paradoxalmente, chegaram à final da Taça de Portugal. Desceu também o Belenenses SAD, que terminou mesmo no último lugar de uma Liga em que andou quase sempre abaixo da linha de água, teve três treinadores e acabou por cair, ao fim da quarta temporada no principal escalão depois da cisão formal com o clube.

RESULTADOS. Nos 306 jogos da Liga registaram-se 219 vitórias e 87 empates. Foram 121 os triunfos conseguidos em casa, 40 por cento do total. O Belenenses SAD foi a única equipa que não ganhou nenhum jogo fora de casa e é também aquela que somou menos vitórias, cinco ao todo. O FC Porto é a única equipa sem derrotas no seu terreno. Aliás, o campeão só perdeu quatro pontos no Dragão, numa época em que foi também a única equipa sem derrotas no «campeonato» entre os três grandes.

SARABIA. Foi ao cair do pano do mercado de transferências de agosto que o Sporting assegurou o grande reforço da época. Pablo Sarabia chegava cedido pelo PSG, com Nuno Mendes a fazer o percurso inverso, e trazia um perfume de requinte à Liga. O internacional espanhol passeou classe pelos relvados portugueses ao longo de uma temporada em que terminou como melhor marcador dos «leões», 15 golos na Liga mais sete assistências, 21 golos no total. A emotiva despedida de Alvalade, na última jornada, fez justiça ao «Comandante».

TAREMI. O 30º título do FC Porto resultou de uma combinação de muitos fatores, mas tem protagonistas óbvios. Entre eles está Mehdi Taremi, que subiu a fasquia na segunda temporada no Dragão. Segundo melhor marcador da Liga com 20 golos, a que soma 12 assistências para golo, num ranking liderado pelo benfiquista Rafa com 15, o avançado iraniano foi a principal referência do ataque portista e volta, pela terceira época seguida, a ganhar lugar no pódio dos maiores goleadores da Liga.

UCRÂNIA. No final de fevereiro, a Europa via-se perante um cenário que poucos imaginariam há pouco tempo, a guerra desencadeada pela Rússia na Ucrânia. Assistiu-se a uma onda de solidariedade sem precedentes, que passou também pelo desporto e pelo futebol, com diversas iniciativas que em Portugal tiveram como momento mais marcante a homenagem da Luz ao benfiquista Yaremchuk, o único ucraniano a jogar na Liga, três dias depois da invasão.

VETERANOS. O decano da Liga é Rafael Bracalli, que fechou a época como dono da baliza do Boavista, com 41 anos acabados de completar. Logo a seguir vem Pepe, o capitão portista que mantém aos 39 anos tudo aquilo que o distingue, mesmo que numa época mais limitada, por lesões ou castigos. O único tetracampeão do plantel portista bateu vários recordes de longevidade esta época, tornando-se o mais velho a jogar e a marcar pelos dragões.

X. Há três resultados possíveis, mas para o Boavista o X no Totobola é bastante mais provável. Os axadrezados empataram nada menos que metade dos jogos num campeonato em que, ponto a ponto, foram recuperando para conseguir cedo a tranquilidade, contando com o regresso de Petit, um homem da casa. A equipa que mais se aproxima dos 17 empates do Boavista é o Santa Clara, com 13 no total.

ZAIDU. Para terminar, o herói improvável do 30º título do FC Porto. Os dragões só precisavam do empate para selar desde logo a conquista do campeonato, no clássico da penúltima jornada. Mas o lateral nigeriano tranquilo deu um tom épico à festa, quando apareceu a marcar em pleno Estádio da Luz, ao quarto minuto de descontos, o golo que garantiu a vitória e nova celebração em casa do rival, como 11 anos antes.

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