AVS-Estoril, 3-0 (crónica)

Bruno José Ferreira , Estádio do Desportivo das Aves
15 fev, 20:04

Aves sorri pela primeira vez: quando um triunfo é notícia

O AVS somou o primeiro triunfo na edição 2025/2026 da Liga. Após 21 longas jornadas em que foi adensando o rótulo de equipa com pior prestação de sempre no principal escalão do futebol português, o conjunto de João Henriques – terceiro treinador da época – bateu o Estoril (3-0) com golos dos avançados Diego Duarte e Tomané, e ainda de Algobia.

Perante uma das equipas mais goleadoras do campeonato, um AVS que até agora tinha sofrido sempre golos, manteve a baliza a zeros e teve capacidade para fazer Robles ir três vezes ao fundo das suas redes na segunda metade. Triunfo justo, diga-se, naquela que foi a prestação mais completa do AVS esta temporada.

Afundado no último lugar da tabela classificativa, agora com oito pontos, o AVS voltou a vencer na Liga nove meses depois do último triunfo, a 11 de maio de 2025, na Amadora. Um triunfo que é, portanto, notícia. A margem continua atemorizadora, mas este sorriso, ainda que amarelo, vai, seguramente, revigorar o conjunto avense.

Num embate entre equipas que, por norma, o placard tem sido movimentado, AVS e Estoril protagonizaram um jogo aberto, com lances de perigo junto de ambas as áreas e olhos colocados na baliza. O Estoril, já se sabe, é uma equipa de tração à frente, com muitos golos marcados, mas que, por consequência, tem abre algumas brechas. Com cada vez menos margem de erro, o AVS também teve de ousar na dose de risco. 

Resultado deste cenário, as equipas foram facilmente apanhadas em contrapé, registando-se vários ataques promissores. Pertenceram ao AVS os primeiros lances de frisson. Robles teve de fazer uma defesa apertada aos sete minutos para travar um cabeceamento à queima-roupa logo aos sete minutos, num lance em que, contudo, foi assinalado fora de jogo. Pouco depois Marqués ficou a centímetros de introduzir a bola na sua própria baliza.

AO MINUTO: as incidências do jogo

No minuto seguinte o Estoril teve uma perdida escandalosa. Uma imagem do que foi o jogo. Na sequência de um contragolpe em reposta a um canto do AVS a equipa canarinha apareceu na área adversária com cinco elementos contra um. Uma mancha enorme de Adriel impediu Ricardo de abrir o ativo num lance em que Ian Cathro ainda estará a tentar perceber como é que a sua equipa não abanou as redes. 

Naquela que foi uma das melhoras exibições da temporada, a equipa do AVS aguentou-se perante a entrada vigorosa do Estoril na segunda metade, nos primeiros cinco minutos, para depois se lançar para a conquista dos três pontos. Sem se desorganizar, a equipa de João Henriques teve audácia e alma para construir a vantagem.

Bruno Duarte abanou as redes aos 54 minutos na sequência de um lançamento de linha lateral. Já com Kiki em campo, o lateral colocou na área, a defensiva canarinha fez cerimónia para tirar a bola da área e Bruno Duarte não se fez rogado, rematando de primeira para golo.

Por cima, o AVS manteve-se organizado e destemido na procura pelo segundo. Pedro Lima ainda tirou tinta à trave, com um remate violento de fora da área, antes de Tomané dobrar o grito de revolta. Remate seco do avançado, de fora da área, de primeira, a cimentar a prestação avense com uma vantagem mais confortável.

O resultado ficou fechado já nos descontos, quando Algobia apareceu bem na área a fazer o terceiro, carimbando o triunfo para o AVS. Sorriso rasgado, dose de crença para a Vila das Aves após primeiro triunfo no campeonato. Prestação muito pobre do Estoril.

A FIGURA: Diego Duarte
Jogo de luta, de crença e de abnegação por parte do avançado paraguaio. Juntamente com Tomané, teve de vestir várias vezes o fato de trabalho para ajudar a equipa a manter equilibrada. Para lá desse trabalho, ainda teve fôlego para dar expressão atacante à equipa. Abriu o ativo com um remate oportuno, começando aí a traçar o triunfo avense. 

O MOMENTO: golo de Tomané (75’)
Remate de pronto do avançado, à entrada da área, a confirmar a supremacia do conjunto da Vila das Aves. Passe da esquerda, com espaço Tomané enquadra-se com a baliza e remata rasteiro com o pé direito, de fora da área, sem hipóteses para Joel Robles. O tento da tranquilidade, que deu ainda mais crença aos homens de João Henriques para conquistar os primeiros três pontos da temporada.

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