Em dia de aniversário, Lee Hyunju dá ao Arouca a prenda dos três pontos
Inverteram-se os papéis no Arouca-V. Guimarães da noite deste sábado, já que não foi o aniversariante Lee Hyunju a receber a prenda, mas sim a dá-la: graças ao seu golo, os arouquenses consumaram a reviravolta no encontro (3-2) e conquistaram a vitória, algo inédito neste nono encontro entre as duas equipas no Estádio Municipal de Arouca para a Liga.
No que às escolhas dos treinadores diz respeito, Vasco Seabra manteve o mesmo onze que venceu em Vila do Conde. Já Luís Pinto promoveu a entrada de Samu para o onze, ele que havia assinado o golo da vitória frente ao Moreirense.
Ao (dis)sabor do vento
As duas equipas esperavam um jogo exigente, não só taticamente, mas também climatericamente. A chuva, tocada pelas fortíssimas rajadas de vento que se fizeram sentir em terras de Santa Mafalda, tanto condicionaram como ajudaram: com o V. Guimarães a jogar a favor do vento, desde cedo os vitorianos se mostraram mais confortáveis em campo, tendo sido dominantes durante quase todo o primeiro tempo, estando maioritariamente instalados no meio campo adversário, perante um Arouca que bem tentava jogar mais direto, mas sem sucesso.
Ainda assim, existia um outro fator comum às duas equipas: ambas tiveram bastantes dificuldades em rematar, começando apenas a tomar-lhe o gosto após ensaiarem o primeiro tempo. Com naturalidade, os conquistadores colocaram-se na frente do marcador. A primeira chance de grande perigo surgiu aos 26 minutos, num lance onde Camara atirou para defesa de Arruabarrena e Nélson Oliveira, na sobra, rematou contra Javi Sánchez. No canto que se seguiu, houve um primeiro remate ao poste, após o qual surgiram uma série de bolas e carambolas, com a bola a terminar nos pés de Saviolo, que só teve de encostar.
Quatro minutos depois, o extremo vitoriano do lado oposto fez o 2-0. Samu aproveitou alguma passividade da marcação adversária, recebeu solto no centro e tocou com conta, peso e medida para isolar Camara na cara do golo, com o camisola 19 a tocar para o fundo das redes.
Os arouquenses tinham de crescer para reentrarem em jogo e foi precisamente isso que sucedeu na reta final do primeiro tempo. Numa primeira instância, a reação foi bastante tímida, mas, na reta final, como diz o ditado, quem espera, sempre alcança. À entrada para o último minuto da compensação, Bas Kuipers enviou a bola para as costas da defensiva adversária, onde Trezza, bem vivo, aproveitou a falha clamorosa na abordagem de Miguel Nóbrega e reduziu a desvantagem, relançando os arouquenses na discussão do resultado.
E por falar em discussão, dar nota de que o primeiro tempo terminou com uma discussão no túnel, entre jogadores das duas equipas, algo rapidamente sanado. Mas, ainda assim, foi reflexo de uma arbitragem dúbia no primeiro tempo, com vários lances a exigirem forte contestação dos bancos das duas equipas.
Quem fica à chuva, molha-se!
Há vários ditos populares para esta altura do ano e um dos mais badalados é «Quem fica à chuva, molha-se!». É precisamente assim que se pode caracterizar o arranque do segundo tempo, já que o Vitória de Guimarães tinha a vantagem do marcador e deixou-a escapar, perante um Arouca claramente galvanizado pelo golo no final do primeiro tempo. Foi precisamente o autor do golo dos Lobos, Trezza, que tentou o 2-2 nos primeiros minutos, com um remate à meia volta que passou a rasar o poste esquerdo. Também Fukui tentou a sua sorte, com um forte disparo à meia volta, que passou bem perto.
Ao terceiro disparo, foi de vez: cruzamento de Djouahra num canto pela esquerda do ataque arouquense e Barbero subiu aos céus, cabeceando para o golo do empate. Terceiro golo do avançado nos últimos 4 golos. Acima de tudo, um golo que recompensou justamente a boa entrada dos arouquenses, perante a qual os vitorianos demoraram a responder: com maior agressividade, os Lobos de Arouca conseguiram ganhar mais vezes a luta a meio campo (o total oposto do que sucedeu no primeiro tempo) e, com isso, ter mais bola e subir uns metros no terreno.
E ainda que os vitorianos tenham iniciado a reação ao golo do empate, sentia-se que eram agora os arouquenses por cima e quem mais perigo conseguiam criar. A toada de jogo, ao contrário da do vento, não enganou: remate forte, à entrada da área, de Trezza, com Charles a não conseguir agarrá-la, entregando de bandeja a Lee Hjunju o 3-2, com o médio ofensivo, que fez anos hoje, a encostar para a consumação da reviravolta.
Com este triunfo, os arouquenses reduzem a sua desvantagem pontual para com as equipas do meio da tabela e conquistam a segunda vitória consecutiva, enquanto o Vitória sofreu a terceira derrota nos últimos quatro jogos.
A Figura: Lee Hyunju
A contratação mais cara da história do Arouca, vindo do Bayern Munique, tem aberto o livro, revelando enorme qualidade, especialmente no drible. Depois do golo frente ao Rio Ave, neste encontro, conseguiu reter a posse em momentos atribulados, conduzindo-a calmamente por caminhos apertados. Foi oportunista, ao conseguir fazer o golo da reviravolta no segundo tempo.
O Momento: Golo de Alfonso Trezza, ao minuto 45+1
O jogo não estava nada fácil para o Arouca que, à entrada para o intervalo, estava a perder por 0-2 e não estava a conseguir reentrar na partida. Até que Miguel Nóbrega abordou muito mal um lance, onde Bas Kuipers colocou a bola na cara do golo, para Trezza reduzir pela primeira vez o marcador.
Positivo: A reação arouquense
A chuva e o vento começou por lhes dificultar a vida, com os visitantes a conseguirem impor-se. Mas os arouquenses, depois de muito sofrimento, conseguiram reagir devidamente, transformando um 0-2, favorável ao V. Guimarães, num 3-2 para o Arouca. A reação foi muitíssimo personalizada, não só pelo resultado em si, mas principalmente pelas condições em que foi conquistado (pelo clima e pelo desenrolar do jogo antes do primeiro golo do Arouca).